SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

BASTA DE FEMINICÍDIOS!

Brasil registra média de quatro feminicídios e 189 estupros por dia no primeiro semestre de 2025; Movimento de Mulheres Unificado realiza ato em Porto Alegre nesta quinta, 28

O Mapa Nacional da Violência de Gênero mostra que, por dia, quatro mulheres são vítimas de feminicídio no Brasil. A média se repete no país há cinco anos, como mostra levantamento divulgado nessa terça-feira, 26. Os dados apontam que 718 mulheres morreram em razão do seu gênero de janeiro a junho de 2025. Números preocupantes também em relação à violência sexual: apesar da tendência de queda, foram registrados, no primeiro semestre, 33.999 casos de estupro, média de 187 por dia. Nesta quinta-feira, 28, o Movimento de Mulheres Unificado realiza ato público com o tema “Nos queremos vivas! Basta de feminicídios! Pelo fim da violência contra mulheres e meninas” às 18h30min, na Esquina Democrática, em Porto Alegre.

O Mapa Nacional da Violência de Gênero é realizado pelo Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV) do Senado Federal, pelo Instituto Natura e pela Associação Gênero e Número, com base nos dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça.

Desde 2015, quando foi instituído o crime de feminicídio,12.380 mulheres já foram vítimas desse tipo de crime. O crime de feminicídio é cometido quando a mulher é morta pelo simples fato de ser mulher, em geral por violência doméstica ou aversão ao gênero.

A média de assassinatos por dia se mantém desde 2021. Em 2021, o número de feminicídios chegou a 1.356; em 2022, 1.444; 2023, 1.440; e, em 2024, 1.456 mortes.

No levantamento relativo ao primeiro semestre de 2025, o estado de São Paulo lidera o número absoluto de casos, com 128 feminicídios. Em seguida, vêm Minas Gerais, 60; Bahia, 52; Rio de Janeiro, 49; Pernambuco, 45; e Tocantins, 43.

“Os dados revelam que o Brasil falha diariamente em proteger mulheres e meninas, mesmo quando falamos de crimes previsíveis e preveníveis, como o feminicídio e o estupro, reforçando a urgência de uma resposta estatal estruturada e efetiva. É preciso transformar informação em ação concreta, com prioridade política, orçamento e políticas públicas de qualidade. Não podemos naturalizar a morte e a violência como parte do cotidiano das mulheres no país”, afirma Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Associação Gênero e Número.

Casos são subnotificados

Os dados indicam, ainda, a tendência de queda nos casos de estupro em 2025, mas os números continuam altos: de janeiro a junho deste ano, foram registrados 33.999 casos no país, média de 187 por dia. Rondônia teve a maior taxa de estupros no mês de junho, com 16 casos por 100 mil habitantes, seguida por Amapá e Roraima, cada um com 13. As menores taxas estão no Rio Grande do Norte, Distrito Federal e Ceará, cada um com 3 casos.

Em 2024 foram registrados 75.061 registros de estupro nos 12 meses, cerca de 205 por dia. Nos últimos cinco anos, a média é de 195 estupros notificados contra mulheres por dia. Este é um dos crimes mais comuns contra mulheres – elas são vítimas em 85% dos registros.

Os responsáveis pela pesquisa destacam que a maior parte dos casos não é registrada, por isso a redução não traduz a realidade. As vítimas têm medo, vergonha, receio de revitimização ou falta de confiança nas instituições. “Cada caso de violência tem repercussões que vão muito além do momento do crime”, diz Maria Teresa Firmino Prado Mauro, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal.

Beatriz Accioly, líder de Políticas Públicas Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, alerta que, assim como ocorre com o crime de estupro, o número de casos de feminicídio também possivelmente é ainda maior do que os registros oficiais demonstram. A tipificação do crime de feminicídio geralmente depende da análise do caso, pela autoridade policial, e até hoje há um esforço para diferenciar homicídios de feminicídios.

“Ainda existem casos (de feminicídio) que são registrados como homicídios comuns, ou tentativas de feminicídio que são registradas como lesão corporal, como aconteceu recentemente em um caso que se tornou notório, mas que poderiam e deveriam ser compreendidos como feminicídios”, afirma a especialista.

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado em 2023 e também disponível no mapa, mostra que, considerando todos os tipos de violência contra a mulher, o Brasil tem uma subnotificação de 61% dos casos.

“O fato de esses altos índices não provocarem uma resposta robusta e coordenada do Estado é um sinal claro de negligência institucional. Quando a violência mais recorrente contra mulheres no Brasil (a sexual) não ocupa o topo da agenda política, estamos dizendo, na prática, que a vida e a dignidade dessas vítimas não são prioridade. Precisamos de políticas que vão além do discurso: prevenção desde a infância, acolhimento livre de violência institucional, investigação ágil e punição efetiva para agressores”, afirma Vitória.

Ato em Porto Alegre nesta quinta-feira, 28

Acontece nesta quinta-feira, 28, o ato “Nos queremos vivas! Basta de feminicídios! Pelo fim da violência contra mulheres e meninas”. A mobilização, organizada pelo Movimento de Mulheres Unificado, terá início às 18h30min, na Esquina Democrática, em Porto Alegre.

Conforme a divulgação, o objetivo é “cobrar reais políticas de prevenção, delegacias especializadas, apoio digno às vítimas e condições para que mulheres rompam o ciclo da violência com segurança”. O chamado completa: “vamos ocupar as ruas por justiça, por memória e por uma vida sem violência”.

Com informações de O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo