Reportagem publicada nesta terça-feira, 1º de junho, no jornal O Estado de S. Paulo, destaca conversa entre o ministro da economia, Paulo Guedes, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG). Nela, Guedes confidenciou que Jair Bolsonaro “não quer a aprovação” da reforma administrativa.
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Em encontro promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nessa segunda-feira, 31 de maio, Pacheco questionou publicamente o comprometimento do governo com a reforma. Ainda conforme o Estadão, a avaliação de lideranças políticas é de que Bolsonaro teme que, a pouco mais de um ano de uma eleição cujas pesquisas o colocam em dificuldades, aprovar uma reforma como essa pode ter importante peso eleitoral.
A cortina de fumaça que Bolsonaro levanta a partir de seu ministro busca preservá-lo da pressão e do desgaste que aumentaram depois da onda de atos públicos que atingiu mais de 200 cidades brasileiras que exigiam sua saída da presidência.
Na reforma da Previdência, não foi diferente, também se ventilava uma possível contrariedade de Bolsonaro, mas a proposta foi aprovada com seus aplausos e atuação no Congresso, retirando o direito à aposentadoria de milhões de brasileiros e brasileiras. Além disso, os projetos que o governo tem enviado ao Congresso ou mesmo os decretos e medidas provisórias que tem editado não deixam dúvidas de que a agenda é de desmonte dos serviços públicos, e a reforma administrativa é um dos centros dessa destruição.
Não há dúvidas de que o fato de 2022 ser ano eleitoral dificulta as coisas para o governo. Afinal de contas, além da disputa presidencial, há as eleições para o parlamento, e deputados e deputadas sabem que a reforma administrativa, se aprovada, irá prejudicar não apenas servidores e servidoras, mas o conjunto da população que precisa dos serviços públicos.

Governo com dificuldades
Na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, o governo conseguiu aprovar a admissibilidade da reforma, mas com uma proporção de votos que, se mantida, levaria à derrota da PEC em Plenário. Em meio a crises sucessivas, Bolsonaro e Paulo Guedes encontram dificuldades em fazer avançar a reforma, que agora vai a uma Comissão Especial e, se aprovada, enfim ao Plenário, antes de seguir ao Senado.
Mantida a proporção da votação, o governo pode não aprovar a PEC, pois para isso precisa de dois terços do total dos parlamentares, em dois turnos na Câmara. Ou seja, 60% dos votos. A CCJC aprovou o parecer de deputado Darci de Matos (PSD) com 59% dos votos, insuficiente, portanto.
Assim, o momento é de ampliar a pressão e derrotar a íntegra da reforma. Nos dias 26 e 29 de maio, grandes mobilizações foram realizadas em todo o país na luta contra a proposta, pelo fim do governo Bolsonaro, por vacina gratuita e pelo SUS para todos e todas e pelo auxílio emergencial de R$ 600. Novos passos dessa luta serão necessários. Nos próximos dias, como parte das ações em defesa dos serviços públicos, o Sintrajufe/RS lança nova etapa da campanha contra a reforma administrativa.














