SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DE QUAL BOLSO SAIU?

Dinheiro público pagou festas e rede de favores do Master; 18 fundos públicos de pensão foram vítimas

Em fevereiro de 2026, o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso pela Polícia Federal por irregularidades nas relações entre o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro e o Banco Master. No total, 18 fundos previdenciários investiram no Master, totalizando R$ 1,876 bilhão em letras financeiras, título que não tem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo que ressarce as perdas de investidores em caso de crises bancárias. Esse rombo está sendo coberto por estados e municípios. Conforme noticiado na imprensa, esses investimentos ocorreram mesmo com circulação de informações de que o banco não era confiável.

Veja abaixo a lista dos fundos e o valor investido:

Estado do Rio de Janeiro (RJ) — R$ 970 milhões

Estado do Amapá (AP) — R$ 400 milhões

Maceió (AL) — R$ 97 milhões

São Roque (SP) — R$ 93,15 milhões

Cajamar (SP) — R$ 87 milhões

Itaguaí (RJ) — R$ 59,6 milhões

Estado do Amazonas (AM) — R$ 50 milhões

Aparecida de Goiânia (GO) — R$ 40 milhões

Araras (SP) — R$ 29 milhões

Congonhas (MG) — R$ 14 milhões

Fátima do Sul (MS) — R$ 7 milhões

Santo Antônio de Posse (SP) — R$ 7 milhões

São Gabriel do Oeste (MS) — R$ 3 milhões

Paulista (PE) — R$ 3 milhões

Jateí (MS) — R$ 2,5 milhões

Angélica (MS) — R$ 2 milhões

Santa Rita D’Oeste (SP) — R$ 2 milhões

Campo Grande (MS) — R$ 1,2 milhão

Antecedentes em Belo Horizonte

A autorização para que o Banco Master entrasse nesse mercado foi dada pelo Banco Central durante a presidência de Campos Netto, no governo de Jair Bolsonaro (PL). Conforme reportagem da revista Piauí, “a licença causou alguma surpresa, já que, entre os critérios para autorizar um banqueiro no mercado, está a exigência de “reputação ilibada”. Vorcaro, na verdade, tinha uma biografia complicada. Quando atuava no mercado imobiliário em Minas Gerais, deu um cano milionário na Prefeitura de Belo Horizonte e, entre 2010 e 2017, se envolveu em um esquema que aplicou um golpe em institutos de pensão públicos”. O crescimento do Master foi rápido, e, durante a gestão de Campos Netto, o BC chegou a enviar “dezoito ofícios ao Master pedindo um ajuste nas contas e a adoção de boas práticas de gestão”, sem nenhum resultado prático. “Enquanto ignorava as sucessivas advertências do Banco Central, o Master realizou grandes proezas com ajuda do BC. Conseguiu, por exemplo, até adquirir outros bancos”, diz a matéria.

Viagens, cartões de crédito, festas…

Em novembro de 2025, a partir da descoberta da venda de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos que o banco não tinha como honrar, o Banco Master se tornou o centro de uma longa investigação. Quando o celular do dono do banco, Daniel Vorcaro, foi apreendido, começaram a aparecer suas relações com altas esferas do poder, incluindo outros empresários, políticos e membros do Supremo Tribunal Federal.

Vorcaro financiou viagens de jatinho, festas luxuosas em boates e iates e também viagens. Eram as formas de agradar em troca de influência e da possibilidade de novas negociatas. Conforme reportagem da Piauí, “o banqueiro se fantasiou de Drácula em uma comemoração de Halloween com ‘novinhas’ e proporção de 120 mulheres para 20 homens”. Segundo a revista, ele “fazia das festas uma forma de estreitar laços, conquistar aliados e agradar figuras da República estratégicas para os seus interesses”.

Total do rombo

O rombo estimado gerado pelo Banco Master para o Fundo Garantidor chega a R$ 51 bilhões, somando os fundos de pensão e os bancos que cobriram os valores. Só no Banco de Brasília (BRB), o rombo foi de R$ 17 bilhões.