Na manhã desta terça-feira, 30, trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias se mobilizaram, no Centro de Porto Alegre, pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Esse é um Nacional de Luta com mobilizações marcadas em diversas cidades do país. O Sintrajufe/RS participou da atividade, convocada pela CUT e outras centrais.
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No último domingo, 28, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que promove as mudanças defendidas pelos sindicatos e centrais completou um mês parada no Senado. Já aprovada na Câmara, a PEC vem sendo travada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e pela oposição, que não quer sua aprovação e chegou a propor uma outra PEC para permitir o pagamento por hora trabalhada e negociação individual entre patrão e empregado. A imprensa noticia, nesta semana, que a intenção de Alcolumbre é deixar a discussão da matéria para depois do recesso parlamentar, que ocorre de 18 a 31 de julho.
Ao mesmo tempo, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras entidades do grande empresariado vêm atuando contra a mudança. Por meio de cartas públicas, pronunciamentos e negociações com setores parlamentares, essas entidades defendem o pagamento por hora trabalhada, a jornada e a escala ilimitadas. Mais do que isso, já apresentaram a três pré-candidatos à Presidência da República – Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) – uma nova reforma trabalhista, deixando ainda mais dominante o negociado em acordos coletivos do que a legislação geral, acabando com o aumento real do salário mínimo e das aposentadorias e extinguindo os gastos mínimos com saúde e educação previstos na Constituição.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, disse que Alcolumbre “brinca com fogo” ao travar a tramitação do fim da 6×1 e da redução da jornada, deixando o trabalhador “refém de interesses menores”. Ele lembrou que 70% da população brasileira aprova a mudança. Foi essa aprovação que levou, nesta terça-feira, a mobilização às ruas de Porto Alegre.
Na capital gaúcha, os e as manifestantes concentraram-se em frente à Rodoviária. Ali, ao microfone, dirigentes sindicais denunciaram que o Senado atrasa uma pauta urgente da classe trabalhadora e reforçaram a importância de permitir que as pessoas tenham mais tempo para viver fora do trabalho. A diretora do Sintrajufe/RS Mara Weber falou representando o sindicato e destacou a importância de ampliar a mobilização para forçar os senadores a votarem e aprovarem a PEC.
Após algumas falas, o ato teve caminhada pelo Centro da cidade, circulando em ruas com forte presença comercial, como a Voluntários da Pátria, alertando, por meio de faixas, cartazes e palavras de ordem: “trabalhador / preste atenção / a 6×1 só é boa pro patrão!”.

Derrota da direita e do “centrão” na 6×1 pode inibir bote pós-eleitoral na reforma administrativa
A luta pelo fim da 6×1 e pela redução da jornada, pauta de toda a classe trabalhadora brasileira, está ligada também, neste momento, à luta dos servidores e servidoras contra a reforma administrativa que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REP-PB), quer emplacar. Tanto Motta quanto o relator do projeto, Pedro Paulo (PSD-RJ), já disseram abertamente que sua intenção é fazer com que a reforma ande após as eleições. Para evitar que isso aconteça, os trabalhadores e trabalhadoras precisam demonstrar ao Congresso capacidade de resistência e de mobilização, e o combate em torno da escala e da jornada de trabalho é o caminho para isso. Caso a PEC do fim da 6×1 não avance, será um sinal para Motta de que é possível tocar para a frente a reforma administrativa; aprovar a redução da escala e da jornada será o sinal contrário, de que a capacidade de luta de quem defende os direitos trabalhistas é crescente.
Por reposição salarial e outras pautas, trabalhadores e trabalhadoras do Judiciário têm novo ato nesta quarta, 1º de junho
Após fortalecer a luta pelo fim da 6×1 e pela redução da jornada, o Sintrajufe/RS está convocando a categoria para novo ato público nesta quarta-feira, 1º de julho, às 14h, em frente ao prédio da Justiça Federal de Porto Alegre. Os principais eixos da atividade são o envio do projeto de reestruturação das carreiras de servidoras e servidores do Judiciário Federal e a derrubada dos vetos que suprimiram as parcelas de reposição salarial em 2027 e 2028 do Judiciário Federal e do Ministério Público da União (vetos 45/2025 e 17/2026). Além dessas, a atividade terá as seguintes reivindicações: aprovação imediata da lei 1893/2026, da negociação coletiva no serviço público; defesa dos concursos e nomeações; contra a residência jurídica; pelo pagamento dos quintos pelo TRF4; em apoio ao fim da escala 6×1 e contra a PEC 12/2026; e o problema do auxílio saúde na Justiça do Trabalho, com a denúncia do tratamento diferenciado entre magistrados e servidores e a cobrança por um reajuste maior.












