SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

POR DIGNIDADE

Sindicato dos Sapateiros faz ato de repúdio contra empresa que impede trabalhadoras e trabalhadores de irem ao banheiro

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Nessa segunda-feira, 28, o Sindicato das Sapateiras e dos Sapateiros de Novo Hamburgo fez um ato de repúdio no intervalo de turno em frente à fábrica Calçados Zenglei. Foi um protesto contra o constrangimento pelo qual foi submetida uma trabalhadora da empresa que, impedida de ir ao banheiro, urinou na roupa no local de trabalho. Estavam presentes entidades sindicais e parlamentares.

No meio da tarde da última quinta-feira, 24, durante o expediente, a trabalhadora precisou usar o banheiro, mas foi impedida. Ela urinou na roupa e teve que passar em frente aos colegas até o setor de Recursos Humanos, sofrendo enorme constrangimento e humilhação. Dispensada do serviço, precisou ir a pé para casa, caminhando por cerca de meia hora. A empresa não ofereceu transporte.

“O fato deixou indignadas as suas colegas porque não foi a primeira vez que isso acontece na categoria”, afirma a diretora do Sindicato das Sapateiras e dos Sapateiros de Novo Hamburgo e da CUT/RS, Jaqueline Erthal. “O uso do vaso sanitário deveria estar sempre liberado, pois é uma questão de saúde. Além do mais, muitas mulheres sofrem com incontinência urinária”, ressalta.

Na Zenglei, é preciso “pedir a chave para ir ao banheiro”, como é conhecido o sistema de esteira, no qual cada empregada deve esperar a sua vez ou chamar uma auxiliar chamada de “coringa”. “Isso é uma palhaçada. Tudo para não parar a produção e para aumentar o lucro do patrão, ignorando a saúde de quem trabalha e a qualidade de vida das pessoas”, critica Jaqueline. “Queremos o fim da chave dos banheiros, respeito e dignidade com as sapateiras e os sapateiros”, destaca Jaqueline.

Na manhã de sexta-feira, 25, o Sindicato dos Sapateiros e Sapateiras tentou entrar em contato com a fábrica, mas não obteve retorno. À tarde, a assessoria jurídica encaminhou uma notificação extrajudicial, com cópia ao Ministério Público do Trabalho (MPT), para que a empresa se manifestasse. No sábado, 26, o caso foi denunciado na live do sindicato, que contou com a participação do presidente da CUT/RS, Amarildo Cenci. Para ele, “é uma estupidez, uma visão do tempo de quase escravidão pedir pra ir ao banheiro. É uma questão de saúde do trabalhador e da trabalhadora. A responsabilidade é do empregador. Cabe exigir danos morais”.

No final da tarde, a Calçados Zenglein enviou uma resposta à notificação do sindicato, afirmando que o que aconteceu “foi de uma infelicidade ímpar”. Segundo o texto, “trata-se de caso isolado sem que a empresa pudesse ter evitado”. Jaquelina refuta: “É muita cara de pau querer tapar o sol com a peneira. Vamos levar essa carta ao conhecimento das trabalhadoras e dos trabalhadores para mostrar como os nossos patrões tentam enganar a categoria. Temos que unir nossas forças junto ao sindicato para defender os nossos direitos e lutar por melhores salários e condições dignas de trabalho”.

“O fato ocorrido com a companheira sapateira é inadmissível. Se enquadra em condições desumanas e cruéis de trabalho”, afirma a diretora do Sintrajufe/RS Mara Weber. Ela ressalta que o episódio “merece nosso repúdio e todas as formas de apoio ao sindicato e à companheira. Basta de violência no trabalho. Contem com o Sintrajufe/RS”.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: CUT/RS.