SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

E AÍ, FUX?

Em Brasília, STF fala em 13,5%; em Porto Alegre, ato público por reposição e em solidariedade aos colegas da JE marca dia de mobilização

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Por reposição salarial e em solidariedade aos servidores e às servidoras da Justiça Eleitoral, o Sintrajufe/RS realizou ato público, na tarde desta quarta-feira, 3, em frente à Central de Atendimento ao Eleitor, em Porto Alegre, como atividade do Apagão do Judiciário. O sindicato também enviou caravana a Brasília, onde o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizou, em reunião com a Fenajufe, com proposta de reajuste de 13,5%.

A atividade encerrou o Apagão do Judiciário, que acontece em todo o país, convocado pela Fenajufe, para pressionar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, a encaminhar proposta de reposição salarial da categoria.

As atividades do Apagão tiveram início nessa terça-feira, 2, quando a direção do Sintrajufe/RS fez passagens nos locais de trabalho e panfletagens, em Porto Alegre, fazendo a convocação para o ato público.

Nesta quarta-feira, 3, as atividades começaram, pela manhã, com concentrações nos prédios das varas trabalhistas e da Justiça Federal. Foi um momento de conversar com os e as colegas e reforçar a convocação para o ato que aconteceria à tarde.

A Central de Atendimento ao Eleitor foi o local escolhido para realização do ato público para marcar a posição da categoria de apoio e defesa dos e das colegas da Justiça Eleitoral. Os reiterados ataques de Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores ao sistema eleitoral atinge diretamente esses servidores e servidoras. Em uma fala durante o ato público, um colega afirmou que têm crescido as ameaças e os ataques verbais, o que gera temor quanto à segurança.

O ato contou com a animada batucada do Levante Popular da Juventude, que também foi levar seu apoio à atividade. Nas manifestações da direção e de colegas da base da categoria, estavam presentes a cobrança ao ministro Luiz Fux, a indignação contra o reajuste zero de Bolsonaro e a defesa do trabalho idôneo dos servidores e das servidoras da Justiça Eleitoral.


Ao falar sobre o congelamento salarial, o diretor do Sintrajufe/RS Fabricio Loguercio destacou que a reposição salarial é um direito de todos os trabalhadores e trabalhadoras. O diretor Mário Marques complementou sobre a justeza da luta por reposição: “Vamos tentar até o fim, até que Fux mande nossa reposição”.

O diretor Marcelo Carlini afirmou que a categoria está unida para defender os e as colegas que são ameaçados por ninguém menos que o chefe do Executivo, “que acusa os colegas de roubar as eleições”. O dirigente ressaltou que “o trabalho sério, honesto e dedicado” dos servidores e das servidoras da Justiça Eleitoral garante a soberania da vontade popular nas urnas. Carlini também destacou que a categoria está mobilizada para cobrar de Fux o envio da previsão orçamentária para 2023 e projeto de lei para reposição salarial.

“Foi importantíssima essa ação hoje”, disse a diretora do Sintrajufe/RS Arlene Barcellos. Para ela, “é um absurdo” os ataques que os e as colegas da Eleitoral estão sofrendo ao longo dos últimos anos. A dirigente lembrou que o governo Bolsonaro é o primeiro, em 20 anos, a acabar um mandato sem conceder qualquer recomposição salarial ao funcionalismo e que é preciso cobrar de Fux que encaminhe uma proposta de reajuste.

O colega da Justiça Federal de Novo Hamburgo Fagner Azeredo afirmou que, “para além de a gente lutar pelo nosso direito” quanto às perdas acumuladas, exigindo que Fux apresente um projeto quanto à reposição salarial, “estamos defendendo colegas da Justiça Eleitoral”. Na avaliação do colega, o governo Bolsonaro “quer dar um golpe e impedir as eleições”, e é preciso “que o voto dos trabalhadores seja garantido”.

“Esta é uma luta de valorização do serviço, porque quando se ataca a democracia, se ataca toda a população” e os serviços prestados a ela, disse a diretora do Sintrajufe/RS Márcia Coelho. Segundo ela, “a população está sendo enganada por fake news por um governo que tem medo do resultado das urnas”. Na avaliação da diretora Cristina Viana, “colocar em dúvida a lisura das urnas é colocar em dúvida nossa democracia”. Ela informou que, por causa das últimas declarações de Bolsonaro sobre o sistema eleitoral, o Sintrajufe/RS entrará com nova ação, pedindo danos morais para servidores e servidoras da Justiça Eleitoral. A diretora completou que a questão salarial é crucial para a valorização dos servidores e do serviço público.


“É fundamental a atividade aqui em Porto Alegre, em Brasília e em vários estados é a cobrança sobre zero por cento, os quatro anos sem nenhuma reposição inflacionária”, afirmou o diretor Zé Oliveira. “Se o Supremo e a PGR não encaminharem projetos para recuperar as perdas, que já superam 30%, nós vamos continuar brigando”. Além disso, afirmou, o ato também foi uma cobrança para que o presidente da República respeite o trabalho das e dos colegas da Justiça Eleitoral, que são responsáveis pelas eleições no país.

O ato público terminou com uma forte batucada e os servidores e as servidoras gritando, em coro: “E aí, Fux?”.


Em audência com Fenajufe, DG do STF sinaliza com reposição de 13,5%

Em audiência com a Fenajufe na tarde desta quarta-feira, 3, o diretor-geral do tribunal, Edmundo Veras dos Santos Filho, informou que o ministro Luiz Fux deve apresentar proposta de 13,5% de reposição para a categoria, o que pode ser analisado na sessão plenária da corte prevista para a próxima terça-feira.

O coordenador da federação Thiago Duarte, que estava na audiência, reuniu-se logo depois com os servidores e as servidoras que realizavam um ato público em frente ao STF. O STF acompanhará o percentual de 13,5%, o mesmo divulgado pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público da União, segundo o DG, para evitar diferenciações. Não foram dadas informações sobre como será feito o pagamento.

Duarte falou sobre a mobilização por reposição salarial, que teve início ainda no final de 2021 e as várias atividades realizadas ao longo deste ano. Ele ressaltou que a proposta fica bem abaixo da inflação do governo Bolsonaro, que supera os 30%, mas que é importante, abre uma perspectiva, e que a mobilização precisa crescer.