Coordenador do grupo de trabalho da reforma administrativa, o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) tem a sogra em cargo comissionado no gabinete de um vereador no Rio de Janeiro. Segundo reportagem do UOL, a sogra, em horário comercial, administra as empresas das quais é proprietária. Mas Pedro Paulo diz que a reforma, gestada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PSD-RJ), vai “moralizar” os serviços públicos, embora o projeto faça justamente o oposto: dificulta concursos públicos, reduz salários e ameaça a estabilidade.
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A sogra, Ângela Márcia de Souza Infante Vieira, foi nomeada como assistente no gabinete do vereador Márcio Ribeiro (PSD) em novembro de 2024. O vereador é amigo pessoal e principal aliado de Pedro Paulo na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Ângela recebe R$ 7,4 mil líquidos mensalmente, mas não cumpre expediente regular: a reportagem do Uol a encontrou em uma de suas duas empresas na segunda-feira à tarde, e ela declarou que não ia à Câmara há cerca de 15 dias.
A assessoria de Pedro Paulo enviou nota à reportagem, na qual o deputado defende a nomeação da sogra: “não posso restringir oportunidades nem penalizar as pessoas próximas a mim, impedindo elas de trabalharem. Não há qualquer impedimento legal. Na época, o vereador me consultou sobre o convite e não me opus”.
A reportagem vai além: mostra que, em 2021, Ângela foi contratada como coordenadora de um projeto de uma organização não governamental, com verba que saiu de emenda parlamentar do genro e remuneração de R$ 4 mil mensais brutos.
E não foi apenas a sogra. A reportagem conta que “a esposa de Pedro Paulo,Tati Infante, também chegou a ser nomeada, em 5 de janeiro de 2021, no gabinete do vereador Márcio Ribeiro. A nomeação, contudo, foi cancelada no mesmo dia, após ter sido divulgada pela colunista Berenice Seara, no jornal Extra”. Por outro lado, em outubro do ano passado reportagem do mesmo Uol mostrou que a filha do vereador Márcio Ribeiro, Giovanna Marques Ribeiro, “foi contratada pela ONG ICA em abril de 2024 como coordenadora de atividades educativas, com salário de R$ 5.500 por 44 horas semanais de trabalho. Ela permaneceu na função até abril deste ano, quando recebeu R$ 13.600 em verbas rescisórias”. O projeto da ONG foi financiado por emenda de Pedro Paulo.
Reforma administrativa é um verdadeiro “cavalo de Troia” para atacar os serviços públicos
Por trás de um discurso de “moralidade” e eficiência, a reforma administrativa de Pedro Paulo e Motta aponta no sentido contrário: dificulta a realização de concursos públicos, reduz salários de entrada e impede investimentos nos serviços públicos. Também conduz à generalização de contratações precárias.
No dia 29 de outubro, as Três Esferas da CUT, e demais entidades dos servidores públicos realizarão a Marcha Nacional do Serviço Público contra a Reforma Administrativa. O Sintrajufe/RS enviará uma caravana de quatorze colegas, além dos que irão no ônibus da CUT/RS.












