SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

MEIO AMBIENTE

Sintrajufe/RS participa do seminário da CUT-RS sobre impactos da transição energética sobre a classe trabalhadora

Nesta sexta-feira, 13, a CUT-RS promoveu o seminário “Transição energética e o mundo do trabalho”, na sede do Sindbancários Porto Alegre. Na fala de abertura, o presidente da central, Amarildo Cenci, disse que é importante discutir o meio ambiente e o trabalho como pautas conjuntas e que “os trabalhadores e trabalhadoras não podem pagar a conta dos desastres ambientais”. O Sintrajufe/RS foi representado pela diretora Camila Telles; as assessoras Fabrine Paolin e Fernanda Pontes também participaram.

A primeira mesa do seminário, “Trabalho e Clima”, contou com a secretária Nacional de Meio Ambiente da CUT, Rosalina Amorim, o professor de Geografia da UFRGS Dilermando Cattaneo, o representante do Movimento Nacional de Catadores e Catadoras de Material Reciclável (MNCR), Fagner Jandrey, e o engenheiro e representante de movimentos sociais, Eduardo Ragusi. Nas intervenções, foi ressaltado que o mundo do trabalho está cada vez mais impactado pelas mudanças climáticas, como chuvas, enchentes, ondas de calor e frio intenso, que afetaram diretamente os trabalhadores e as trabalhadoras. Um exemplo foi a enchente de 2024, no Rio Grande do Sul, quando milhares perderam seus trabalhos e suas casas.

Jandrey usou o tema “racismo ambiental” para falar sobre o impacto das mudanças climáticas nas periferias e moradores das ilhas, ressaltando que as enchentes afetaram a todos, mas de forma bastante desigual, principalmente considerando quem já vivia em locais precários, sem acesso a saúde e saneamento.

Os debatedores também mencionaram as implicações da pecuária e da monocultura na economia e no bioma brasileiro. “O agronegócio é o responsável direto pelas mudanças climáticas no Brasil” afirmou o Cattaneo, que também tratou da crise climática a partir do avanço do neoliberalismo e suas repercussões sobre a classe trabalhadora. Para ele, qualquer medida deve levar em consideração “tendo em conta os imperativos de uma transição justa da força de trabalho e a criação de trabalho decente e empregos de qualidade, de acordo com as prioridades de desenvolvimento nacionalmente definidos”. Ragusi observou ainda que o “mercado de carbono” é uma falsa resolução da crise climática e que 75% da emissão de gás carbônico vem do agronegócio.

Transição energética

“Transição Energética, impactos e possibilidades para o Rio Grande do Sul” foi a segunda mesa do dia e contou com as seguintes presenças: Nelson Karam, do Dieese; Miriam Cabreira, diretora do Sindipetro/RS; frei Sérgio, do Instituto Padre Josimo; e Antônio Jailson da Silva Silveira, presidente do Senergisul/RS.

A discussão se deu em torno da situação atual da produção e do consumo de energia elétrica no país, o impacto de medidas como a compra de créditos de carbono por empresas e países que poluem, sem uma solução viável para a degradação e poluição do planeta. O transporte, os agentes poluentes e o protagonismo dos trabalhadores e trabalhadoras nessa transição também fizeram parte da conversa.

O encontro também contou com um momento de debate entre os palestrantes e os plenário. Nesse momento, foi ressaltada a importância do tema para o sindicalismo, de se apropriar e entender o impacto que a transição energética traz para os trabalhadores e trabalhadoras.

A diretora do Sintrajufe/RS Camila Telles destaca a diferença entre “precariedade” e “precarização” apontada por Fagner Jandrey: “a última é o uso político da primeira. Vimos isso tanto na pandemia quanto na enchente, em que pessoas pobres e muitas vezes pretas, sem lugar para se refugiarem, perderam seus lares, sua fonte de renda e, muitas vezes, suas vidas”. Camila ressalta que o que perpassou o discurso de todos os convidados e convidadas é que “a responsabilidade da ameaça climática que enfrentamos é o modelo nefasto de agronegócio, com a extenuação da terra e o nosso envenenamento lento através do abuso de agrotóxicos. Novamente, o mesmo neoliberalismo que atinge nossos empregos e quer destruir o serviço público, inoculando na sociedade o vírus do individualismo, envenena nossas vidas em todas as horas”.

Com informações da CUT/RS