Milhares de negras, oriundas de diversos lugares do país, levaram pautas históricas às ruas de Brasília nessa terça-feira, 25, na 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras. O Sintrajufe/RS – representado pelas diretoras Carmem Regina Barros, Camila Telles e Arlene Barcellos – estava presente, somando-se as vozes que se erguiam contra a violência às mulheres, por reparação histórica e pelo bem-viver.
Notícias Relacionadas
Mulheres quilombolas, ribeirinhas, trabalhadoras do campo e da cidade, intelectuais negras, escritoras e ativistas traziam, em cartazes e palavras de ordem, reivindicações como fim da violência doméstica e do feminicídio e defendendo um projeto de bem viver para mulheres negras e indígenas.
A Marcha também contou com a presença de dirigentes da CUT, que reforçaram a importância histórica e política do ato. Para Maria Júlia Nogueira, secretária nacional de Combate ao Racismo da Central, a mobilização reafirma a força organizativa das mulheres negras. “Dez anos depois da primeira marcha, mostramos novamente nossa capacidade de organização e a recusa em aceitar violência, feminicídio ou qualquer forma de usurpação. Marchamos por reparação histórica e pelo bem viver, porque o Estado brasileiro nos deve isso”, destacou a dirigente.

A secretária-adjunta de Combate ao Racismo da Central, Nadilene do Nascimento, destacou o caráter nacional e propositivo da mobilização, lembrando a construção do Manifesto Econômico da Marcha. “Mulheres de todo o país se reuniram para reivindicar condições dignas de vida, reparação e participação coletiva. Construímos o Manifesto Econômico da Marcha das Mulheres Negras de 2025, com propostas para enfrentar o racismo estrutural e ambiental e garantir acesso à água, saneamento e justiça climática. Por isso marchamos em Brasília”, disse.
A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Amanda Corcino, enfatizou que a presença massiva das mulheres negras é também um ato de afirmação política. “A marcha é um momento histórico. Milhares de mulheres negras ocupam o centro do poder para exigir seu lugar de direito. Não é mais possível naturalizar a violência que atinge principalmente essas mulheres, nem aceitar salários mais baixos, menos acesso a políticas públicas ou piores condições de vida. É uma marcha por reparação histórica, justiça e reconhecimento.”
A diretora Carmem Regina ressalta que a Marcha das Mulheres Negras é um movimento construído por mulheres negras de todo o Brasil, de diferentes gerações, territórios e contextos sociais. Segundo ela, “foi um evento lindo, rico e histórico que reuniu milhares de mulheres de todas as cores, todos os cabelos, todas as histórias e diversas nacionalidades, em busca de respeito, acolhimento e políticas públicas que proporcionem reparação histórica e bem-viver”.
A diretora Camila Telles afirma que as mulheres negras marcham “porque, mesmo que sejamos 28% da população brasileira, ou seja, o maior grupo populacional do país, vivemos como minoria política”. Elas são o grupo que mais sofre violência, “o que mais enterra filhos assassinados, o que mais é empurrado para a informalidade e para a precarização, o que mais cuida das outras vidas e o que tem os piores salários do país”. Camila disse desejar que toda a potência da marcha reverbere por muito tempo: “Seguiremos em marcha até que todas encontrem reparação e bem-viver”.
Com informações da CUT Brasil














