SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

GREVE GERAL

Reforma trabalhista em Portugal e cortes no orçamento na Itália pesam sobre trabalhadores, que reagem com greves gerais

Em julho, o governo de Portugal, comandando por Leitão Amaro, considerado de “centro-direita”, apresentou um projeto chamado “Trabalho XXI”. Como no Brasil, o discurso é de “modernização”. Também como ocorreu no Brasil com a reforma trabalhista de 2017, a realidade é que o projeto aponta para o desmonte de direitos, com mais de 100 medidas. Entre elas, a ampliação do prazo e das possibilidades de aplicação dos contratos temporários, a criação de bancos de horas individuais, a possibilidade de imposição de até 150 horas extras por decisão das empresas, a dificultação do acesso de trabalhadores por conta própria a benefícios garantidos por lei, a derrubada das normas que protegeram trabalhadores domésticos, a limitação do acesso dos sindicatos às empresas e a limitação da redução de jornada das mulheres para amamentação. Essas alterações se aplicariam aos trabalhadores e trabalhadoras do setor privado e também aos que, nos serviços públicos, atuam com contratos de natureza privada – cerca de metade do funcionalismo, conforme a Federação de Sindicatos da Administração Pública.

Frente a esses e outros ataques, as duas maiores centrais sindicais do país (CGTP e UGT) convocaram de forma unitária, pela primeira vez em doze anos, uma greve geral. O movimento contou com grande adesão em diversos setores, incluindo o transporte, as escolas e a saúde. Conforme os sindicatos, a adesão chegou a 3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, com níveis de adesão acima de 95% nos principais setores da administração pública e de 80% em setores privados como empresas do setor das bebidas, alimentação, cerâmica, têxtil e distribuição. Conforme o portal Terra, pesquisa apontou que 61% da população apoia a greve geral.

Na Itália, aumento de gastos militares e cortes sociais

O governo da Itália, por sua vez, deu início à aplicação de decisão dos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de ampliar seus orçamentos militares. Em junho, após proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os 32 países que integram a Otan se comprometeram a investir ao menos 5% de seu produto interno bruto (PIB) em gastos militares. Agora, na Itália, o governo de Giorgia Meloni, de extrema-direita, apresentou seu projeto de lei orçamentária para 2026 com aumento dos gastos militares e cortes na saúde, na educação e nas aposentadorias.

Para tentar evitar esses ataques, dois dias de greve geral já foram realizados no país, primeiro em novembro, e, agora, nesta sexta-feira, 12. Conforme a Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL, na sigla em italiano), 61% dos trabalhadores do país, incluindo os setores público e privado, aderiram à greve, e mais de 500 mil pessoas participaram de manifestações nas ruas. Em outubro, milhares de italianos já haviam saído às ruas em protesto pela interceptação de uma flotilha de ajuda humanitária à Gaza por forças militares israelenses.

Com informações dos seguintes sites: EuroNews, EcoSapo, Idealista, CNNPortugal, Expresso, Terra, Correio do Brasil, G1, Uol e Hora do Povo