SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Plí­nio, um lutador

 
 

Na última semana, o Brasil perdeu um grande lutador. Com histórica militância pela reforma agrária e pelo socialismo, Plí­nio de Arruda Sampaio faleceu aos 83 anos de idade, tendo entregue sua vida à luta por transformações sociais.
 
Plí­nio começou sua militância polí­tica na Juventude Universitária Católica (JUC), da qual foi presidente, tendo participado também, ainda estudante, da Juventude Democrata Cristã e do Movimento Universitário do Desfavelamento. Foi à esquerda católica que permaneceu vinculado durante toda sua trajetória polí­tica, seguida após formar-se na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
 
Deputado federal por três vezes, ainda no fim da década de 1950 Plí­nio foi subchefe da Casa Civil do governo do Estado de São Paulo, depois secretário de Negócios Jurí­dicos da Prefeitura da capital paulista. Em 1962, foi eleito deputado pela primeira vez, sendo o relator e dando parecer favorável ao projeto de reforma agrária do governo de João Goulart. O parecer acabou rejeitado pela reacionária Comissão Especial de Reforma Agrária da Câmara dos Deputados. Foi um parlamentar de destaque, até ser cassado pela ditadura em 1964perdeu os cargos de deputado e de promotor público, o qual exercia desde 1954e se exilar no Chile, onde começou a atuar como técnico da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), trabalhando na reforma agrária daquele paí­s.
 
No iní­cio da década de 1970, foi transferido pela FAO para os Estados Unidos, realizando missões técnicas na América Latina antes de passar a atuar como consultor da entidade. Durante todo seu exí­lio procurou articular-se com lideranças internacionais para denunciar a ditadura brasileira. Voltou ao Brasil em 1976 e passou a dedicar-se à construção de um partido socialista, desembocando na criação do Partido dos Trabalhadores (PT), do qual Plí­nio redigiu a primeira proposta de estatuto.
 
Pelo PT, Plí­nio se elegeu deputado federal mais duas vezes, uma delas na Constituinte de 1988, quando foi lí­der da bancada do partido. Nesse mesmo perí­odo, fundou junto com Betinho e Luciano Mendes de Almeida a Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria, marco de mobilização da sociedade civil brasileira. Seguindo sua militância na esquerda católica e seu foco na atuação nas bases, aproximou-se do MST e das comunidades eclesiais de base da Igreja Católica.
 
Na década de 1990 Plí­nio passa a perceber a questão da democratização da mí­dia como ponto importante de luta, fundando, em 1996, a Sociedade para o progresso da Comunicação Democrática, que passa a editar o Correio da Cidadaniaprimeiro como jornal impresso e depois como site.
 
Em 2005, decidiu desligar-se do PT e filiar-se ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol), candidatando-se um ano depois ao governo do estado de São Paulocargo que já tinha pleiteado em 1990, ainda pelo PT. Em 2010, Plí­nio candidatou-se à Presidência da República, marcando os debates e a disputa nas redes sociais por apresentar propostas de mudanças profundas de forma sempre incisiva.
 
Após a campanha, Plí­nio passou a dedicar-se a palestras, articulações com movimentos sociais e a debater, especialmente com a juventude, um novo projeto de paí­s, participando inclusive das Jornadas de Junho de 2013. Um lutador como poucos, que sempre apoiou a luta dos trabalhadores e da juventude, reconhecido por todos no cenário polí­tico brasileiro por sua combatividade, coerência e irresignação com a injustiça social no paí­s.