Durante os mais de cem dias entre a criação do grupo de trabalho (GT) da reforma administrativa e a apresentação dos textos da proposta, o coordenador do GT, deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), disse por diversas vezes que não haveria caráter de ajuste fiscal na reforma. A entrega dos textos, na última semana, mostrou a verdade: há cortes para todos os lados, incluindo o salário de entrada do funcionalismo.
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Em uma das 70 medidas incluídas na reforma de Pedro Paulo e Hugo Motta (REP-PB), fica estabelecido que o salário de entrada deve equivaler a até 50% em relação ao final da carreira, com exceção de carreiras cujo salário final seja de até quatro vezes o salário mínimo. No caso de analistas e técnicos do Judiciário Federal, por exemplo, a redução pode chegar a R$ 3,3 mil no primeiro caso e R$ 2,2 mil no segundo.
Por baixo de um discurso de “modernização” e “produtividade”, a reforma é um verdadeiro “cavalo de troia”, carregando uma série de medidas de ataque aos servidores e servidoras e aos serviços públicos.
Motta e Pedro Paulo querem seguir receita do FMI
Nessa terça-feira, 7, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou relatório que sugere medidas semelhantes às adotadas por Motta e Pedro Paulo na reforma administrativa. Ou seja: por mais que o coordenador do GT tenha dito que a reforma passaria longe do ajuste fiscal, um de seus objetivos é adotar a receita de um órgão internacional conhecido por propor políticas que prejudicam os trabalhadores e trabalhadoras em países como o Brasil.
No relatório, o FMI critica os gastos públicos globalmente e defende que os países realizem “reformas institucionais”. Para isso, diz que é preciso “promover espaço fiscal” e sugere, conforme matéria do Valor Econômico, “reforma dos sistemas de aposentadoria e de saúde, medidas destinadas a alinhar os salários do setor público e do privado e também mais focalização de programas sociais”. Exatamente a cartilha seguida pela reforma.
Marcha a Brasília para defender os serviços públicos e direitos: Sintrajufe/RS enviará caravana
As três esferas da CUT estão preparando uma Marcha a Brasília, dia 29 de outubro, com o objetivo de impedir qualquer retrocesso para os serviços públicos e os direitos dos servidores sinalizados na reforma preparada por Hugo Motta e Pedro Paulo. O Sintrajufe/RS enviará uma caravana para participação na marcha. As inscrições devem ser feitas até as 18h de sexta-feira, 10, exclusivamente pelo e-mail [email protected]. São 10 vagas para sindicalizados e sindicalizadas, com prioridade para diretores e diretoras de base.













