Diante da relevância histórica das eleições presidenciais deste domingo, 25, a Diretoria Colegiada do Sintrajufe/RS decidiu manifestar sua indicação de voto. Não há espaço para omissão: a soberania da nação, os direitos e a democracia estão em jogo, interesses que em hipótese alguma se chocam com as legítimas reivindicações da categoria pela derrubada do veto à reposição salarial de 2027 e 2028, pela carreira e pela valorização de servidores e servidoras e dos serviços públicos.
Notícias Relacionadas
Neste exato momento, as big techs, aliadas do governo de Donald Trump, interferem diretamente na disputa eleitoral favorecendo Flávio Bolsonaro (PL). Trump quer impor ao Brasil, via eleições, o seu Escudo das Américas e transformar o maior país da América do Sul em seu quintal. Foi o insuspeito jornal inglês The Guardian que denunciou o envio de dinheiro para grupos de extrema direita locais através do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Tragicamente, a ingerência encontra apoio naqueles que desfilaram na Avenida Paulista com a bandeira americana enquanto faziam apelos por um bombardeio contra o povo brasileiro.
Interesses combinados
É manifesto o interesse combinado do governo estadunidense em tomar de mão beijada as estratégicas terras raras, a biodiversidade e o petróleo junto com setores locais empenhados em liquidar direitos trabalhistas, extinguir a Justiça do Trabalho e a Justiça Eleitoral, o direito à aposentadoria, o Sistema Único de Saúde e conquistas como o fim da escala 6×1 e o aumento real do salário mínimo.
A ofensiva desses setores também tem sua face institucional. Faltando apenas 3 dias para as eleições, dois ministros do STF, Kássio Nunes Marques, também presidente do TSE, e André Mendonça, cogitaram proibir canais de WhatsApp 48 horas antes do segundo turno, numa clara ação contra a reeleição de Lula (PT), ainda mais se tratando de uma disputa que sabidamente será decidida por uma pequena margem de votos. É revelador que a mesma dureza não tenha sido encontrada contra o impulsionamento pago em rede social feito pela principal federação empresarial do país contra Lula e o fim da 6×1 ao mesmo tempo que publicações sindicais eram apreendidas.
Não menos grave é o levantamento feito pelo professor de Direito Celso de Oliveira Santos, pesquisador da UERJ, divulgado na coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Ele aponta que o ministro Kassio Nunes Marques concentra 43,3% das ações apresentadas pela campanha de Lula contra Flávio Bolsonaro e que nenhuma das 42 ações distribuídas haviam recebido decisão.
12 milhões de servidores trocados por IA
Como um elefante atrás de um poste, Flávio Bolsonaro tenta esconder seu programa de governo. Inspirado pelo presidente argentino Javier “Motosserra” Milei, é facílimo revelar suas verdadeiras intenções e o alvo social de seu “tesouraço”. Sua porta-voz para assuntos econômicos, Daniella Marques, é quem foi mais direta até agora. Sua meta é substituir 12 milhões de servidores públicos pela inteligência artificial. Para dar a dimensão catastrófica de sua afirmação, a soma de todo o funcionalismo das três esferas é de 15,3 milhões (RAIS/MTE, 2025), a maioria professores, professoras e trabalhadores da saúde.
O tesouraço de R$ 250 bilhões de Flávio não pode vir senão do fim da vinculação constitucional dos recursos da saúde e da educação, da desvinculação da aposentadoria e do salário mínimo, da retomada das privatizações e de uma reforma administrativa nos moldes da PEC 32 de Bolsonaro e da PEC 38 de Hugo Motta; portanto, o povo é que vai pagar a conta.
São dois projetos em disputa, um tem o foco na implementação e na ampliação de políticas públicas, que passa, necessariamente, pelo fortalecimento do serviço público. O outro projeto segue na contramão da estruturação do serviço público e das políticas sociais ao focar na redução do Estado via privatizações e sucateamento do serviço público.
Nós, servidores e servidoras federais, sabemos bem o que significa o projeto representado, nesta eleição, por Flávio Bolsonaro. Entre 2019 e 2022, amargarmos 0% de melhoria salarial, com o congelamento acumulando perdas inflacionárias próximas de 30%. Ao mesmo tempo, vivemos a ameaça da PEC 32, a reforma administrativa encaminhada pelo governo Bolsonaro ao Congresso, a qual, se fosse aprovada, acabaria com o serviço público que conhecemos, com medidas que passariam pela extinção do concurso público como única forma de ingresso até a quebra da estabilidade.
No atual contexto, após o resultado do primeiro turno, com ampliação da representação da extrema direita no Congresso Nacional, além da possibilidade de o novo presidente alterar, consideravelmente, a composição do STF, ou seja, com uma perspectiva de uma concentração de poder nunca vista, a possibilidade de o projeto, representado por Flávio Bolsonaro, apresentar medidas mais graves de ataque ao serviço público, a servidores e servidoras, mais que um risco, é uma projeção bem realista.
O jogo de esconde-esconde também não dá conta de escamotear a relação de Flávio com seu “irmão” e ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a quem pediu R$ 134 milhões para um filme que custou R$ 75 milhões. Além de empresário do ramo de chocolates finos cercado de suspeitas de lavagem de dinheiro de rachadinhas, Flávio também faturou R$ 13,7 milhões com seu escritório de advocacia e é alvo de investigação da Polícia Federal, daí a justeza da exigência de quebra de seu sigilo bancário. A coleção de suspeitas e fatos envolvendo Flávio não destoa do sistema; aliás, não há nada mais sintonizado com esse sistema político do que isso.
Democracia tem conteúdo, voto 13
A explícita podridão do Judiciário e do Legislativo ainda mais reacionário movido a bilionárias emendas parlamentares é incontornável. Não serão aqueles que queriam fechar o STF com um cabo e um soldado que passarão o país a limpo. Só Lula reúne a força necessária para uma reforma do sistema político e pode criar as condições para uma profunda reforma do Judiciário feita a partir da soberania popular.
A democracia tem conteúdo, só Lula, com a força do povo, pode tornar realidade a taxação das grandes fortunas, a redução da desigualdade social, o combate aos trabalho precário, o combate aos feminicídios e a retomada de direitos perdidos. Derrotar os que festejam a ditadura civil-militar e a tortura, debocham dos 700 mil mortos pela covid e atentam contra a soberania nacional é uma tarefa histórica na qual o Sintrajufe/RS tem lado, o do povo brasileiro.
Pela soberania nacional, por direitos, democracia e mudanças, a Diretoria Colegiada do Sintrajufe/RS indica o voto em Lula 13!








