SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

RETALIAÇÃO POLÍTICA

Empresários e políticos fazem campanha por demissão de trabalhadores que votaram em Lula; veja como denunciar

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu, apenas em outubro, mais de mil denúncias de assédio eleitoral em todo o país. Mesmo passadas as eleições, o problema persiste: circulam nas redes sociais publicações incentivando a demissão de funcionários que tenham apoiado a candidatura de Lula (PT). Há, também, relatos sobre demissões que já teriam ocorrido por perseguição política contra apoiadores do candidato do PT, que saiu vencedor no último domingo, 25.

Em 2026, foram 2.009 denúncias até as 17h de segunda-feira, 26. Apenas em outubro, foram 1.190 denúncias, uma média de 46 por dia.

Saiba como denunciar

Caso você sofra ou saiba de algum caso de assédio eleitoral, pode denunciar diretamente para o Ministério Público do Trabalho. Basta acessar AQUI, selecionar o seu estado e seguir os passos.

No caso do Rio Grande do Sul, também há um canal de denúncias do TRT4. Acesse AQUI e preencha o formulário.

Há, ainda, o canal do Ministério do Trabalho e Emprego, AQUI.

Deputadas do PL e vereador de Ijuí, também do PL pediram demissões: “onda nacional de demitir quem votou no Lula”

Nas redes sociais, a resposta de empresários e parlamentares bolsonaristas à vitória de Lula tem sido iniciar uma campanha de demissões de trabalhadores que votaram no petista. Almiro Fortes, vereador de Ijuí, no interior do Rio Grande do Sul, pelo PL, partido de Bolsonaro, publicou em suas redes sociais um vídeo no qual ironiza as críticas de trabalhadores “esquerdistas”, dizendo que eles serão “libertados” ao serem demitidos. Ele disse que conversou com amigos empresários locais sobre a “onda nacional de demitir quem votou no Lula”. Ele defendeu uma campanha chamada “liberte um esquerdista”, estimulando demissões e que acha isso “maravilhoso” e “fantástico”. O slogan do vereador é “Trabalho e ética também na política”.

Vereadora de Londrina, no Paraná, e deputada estadual eleita, também pelo PL, Jéssica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão, pediam que seus seguidores nas redes sociais “demitam o mal” caso tenham funcionários petistas: “Você tem uma empregada que é petista? DEMITA! Tem um funcionário que é petista? DEMITA! Seu barbeiro é petista? Troque de barbeiro. Amigos petista (sic)? DEMITA!”. E completou: “A porcaria do voto dele prejudica o seu negócio, prejudica a sua família e prejudica toda a sua vida! Demita o mal!”.

No Rio de Janeiro, a deputada estadual Índia Armelau (PL) compartilhou nas redes mensagem que sugeria que empresários verificassem as manifestações políticas dos empregados: “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L'”, dizia o texto que ainda questionava a manutenção de funcionários que “odeiam empresários”. A publicação foi posteriormente apagada pela parlamentar.

Além do assédio contra funcionários, setores da oposição em diversas cidades do interior estão elaborando e divulgando listas de pequenos comércios, muitas vezes negócios familiares, a serem “boicotados” por supostamente apoiarem Lula e o PT. Essa prática também ocorreu no contexto das eleições de 2022, como forma de pressão e ameaça contra quem expõe sua posição política.

Superintendente do MTE no RS explica que empresas podem sofrer “autuações seríssimas”

O Sintrajufe/RS conversou sobre o tema com o superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no Rio Grande do Sul, Claudir Nespolo. Ele alerta que qualquer caso desse tipo deve ser denunciado: “O Ministério tem orientado as entidades sindicais para que orientem os trabalhadores a gravar, fazer print, arrumar testemunhas e, se alguém for demitido e tiver provas mínimas, já é possível a empresa sofrer autuações seríssimas. Nós temos, no Ministério, um núcleo de combate ao assédio, um núcleo de auditores, que está de prontidão. Já ficou de prontidão no final de semana. E agora estamos vigilantes para esse momento. Qualquer trabalhador que vá ser demitido por essa razão tem que fazer a denúncia”.

O que é assédio eleitoral

O assédio eleitoral ocorre quando há conduta que constrange, induz, influencia, restringe, discrimina ou retalia a pessoa trabalhadora em razão de seus direitos políticos ou de suas escolhas políticas. A prática não exige necessariamente uma ameaça direta ou explícita. Para identificar uma situação de assédio, devem ser considerados o contexto, o ambiente de trabalho e a eventual desigualdade de poder entre quem pratica a conduta e quem a sofre. O poder de direção do empregador permite organizar e administrar o trabalho, mas não autoriza o uso dessa posição para interferir nas escolhas políticas dos trabalhadores ou condicionar vantagens profissionais ao apoio eleitoral.

Imagem: Série MPT em Quadrinhos / Ministério Público do Trabalho