SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

ATAQUE À SOBERANIA

Meta admite que contas de Lula foram prejudicadas; interferência estrangeira nas eleições brasileiras esta em curso

Funcionários da Meta, que controla o Facebook, o Instagram e o Whatsapp, admitiram, em mensagens internas, que a política da empresa estava prejudicando a campanha de Lula (PT). As mensagens foram obtidas pelo jornal Folha de S. Paulo. Nesta sexta-feira, 16, a própria Meta admitiu os problemas, que tratou como “incidentes técnicos”.

Em 9 de outubro, já na campanha do segundo turno, a conta oficial de Lula ficou quase 24 horas sem conseguir impulsionar publicações do feed do Instagram. A ferramenta permite pagar para aumentar o alcance de conteúdos na plataforma e é amplamente usada nas campanhas eleitorais. Em uma das mensagens obtidas pela Folha, um funcionário da Meta diz que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à de Flávio e que isso seria negativo pela “alta chance” de haver ação jurídica. Segundo a estimativa da campanha de Lula, cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de ver os anúncios por causa da restrição.

A reportagem da Folha conta como a questão se desenrolou internamente: “Engenheiros nos Estados Unidos foram contatados, mas passaram-se horas até uma resolução. Os próprios funcionários reclamaram da demora, dizendo que os engenheiros estavam tranquilos e talvez não tivessem entendido a urgência do assunto, ainda que se tratasse da conta de anúncios do presidente da República no meio da campanha eleitoral. Disseram, segundo as mensagens, ter alertado para a importância do caso e pedido que fosse classificado como SEV2, quando um problema é grave e demanda resolução com urgência. Em mensagem, a funcionária M. A. disse que, quando houvesse solução para o problema, ainda seria preciso combinar como iriam se explicar para membros da campanha de Lula que estavam reclamando. O funcionário M. V. relatou que deputados que haviam passado a atuar na campanha de Lula estavam pedindo satisfações sobre o caso”.

Nesta sexta, em nota, a Meta disse que “não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição”, disse que a conta de Lula foi suspensa “por engano” e que houve “incidentes técnicos”.

Favorecimento a Flávio Bolsonaro também no Whatsapp e via IA

Houve outro episódio que favoreceu Flávio Bolsonaro, dessa vez no Whatsapp, controlado pela mesma Meta. Perfis e canais de candidatos não podem ter recomendação do algoritmo, devendo aparecer nas buscas apenas quando o usuário insere o nome exato do canal ou perfil. No entanto, conversas internas da Meta indicaram que os usuários, ao buscar pelo termo Exército do Lula no WhatsApp, recebiam como resultados o Canal do Lula, Tropa do Flávio (de apoio a Flávio Bolsonaro) e Partido dos Trabalhadores.

Nesta semana também veio à tona o caso da ferramenta de inteligência artificial da Meta, a Meta IA, que estava permitindo aos usuários fazer imagens de apoio a Flávio Bolsonaro, mas não a Lula. Testes foram feitos por diversos veículos de imprensa, com a repetição do resultado.

Interferência nas eleições é questionada até mesmo por deputados estadunidenses

Na quarta-feira, 14, o coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana, anunciou que o PT estava apresentando denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA) contra a Meta por indícios de interferência nas eleições presidenciais no Brasil.

Dono da Meta, Mark Zuckerberg teve grande aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos últimos anos. A interferência da Meta nas eleições brasileiras, nesse contexto, causa indignação, mas não surpreende, considerando que Trump vem atuando há meses em parceria com a candidatura de Flávio Bolsonaro. A utilização do aparato das redes sociais para intervir no curso das eleições é mais um passo de uma política que não começou agora, basta lembrar do recente fechamento da embaixada dos EUA e dos tarifaços, comemorados pela família Bolsonaro.

No final de setembro, cerca de 29 parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos e mais Bernie Sandres, enviaram uma carta ao Departamento de Estado do país questionando se o governo dos EUA estaria comprometido a aceitar o resultado das eleições do Brasil. Já após o primeiro turno, 12 deputados estadunidenses acusaram o governo Trump de tentar influenciar as eleições brasileiras. Apenas nessa quinta-feira, 15, o Departamento de Estado respondeu a carta de setembro, mas sem afirmar categoricamente que reconhecerá o resultado, dizendo apenas que apoia “o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo” e que os Estados Unidos mantêm diálogo regular com governos e a sociedade civil em “todo o Hemisfério Ocidental sobre governança democrática, independência do poder judiciário e integridade eleitoral”.

Com informações da Folha de S. Paulo, do Olhar Digital, do G1 e do ICL