SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

APOSENTADORIA AMEAÇADA

Levantamento aponta que 8 fundos previdenciários de estados e municípios que investiram no Master estão deficitários

Oito fundos previdenciários estaduais e municipais que investiram em letras financeiras do banco Master estão deficitários. É o que aponta levantamento feito pela GloboNews a partir de balanços disponibilizados pelo Ministério da Previdência Social. A reportagem analisou os dados de 18 fundos previdenciários, que aportaram R$ 1,86 bilhão no banco de Daniel Vorcaro, alvo de liquidação extrajudicial por parte do Banco Central em novembro de 2025.

A reportagem analisou os Demonstrativos de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA), referentes a 2025, de 18 institutos. O advogado e professor de Direito Previdenciário Rômulo Saraiva, autor do livro “Fraude nos fundos de pensão”, foi ouvido pela GloboNews e considera grave o fato de os fundos terem aplicado o dinheiro, reservado a aposentados e aposentadas, em um investimento de alto risco. “Mesmo que o regime previdenciário esteja em superávit financeiro, não se justifica investir em papéis podres e num banco cujo mercado financeiro já apontava falta de reputação e lastro financeiro para honrar os compromissos. A análise de risco foi trocada pela ingerência política em vários fundos de pensão”, diz Saraiva.

Os valores aplicados por fundos previdenciários e por fundos de investimento no Master não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito e os passivos entram na massa de credores da liquidação do banco.

Alguns fundos informaram que estão tomando providências. O PreviPaulista disse que a atual gestão contratou escritório de advocacia para adotar medidas judiciais e extrajudiciais, com objetivo de responsabilizar os envolvidos e recuperar valores. A prefeitura de Araras e o Araprev declararam que estão tomando medidas cabíveis para proteger os interesses de aposentados e pensionistas. A Rioprevidência obteve decisão judicial autorizando a retenção de valores ligados a empréstimos consignados, a fim de preservar um crédito estimado em R$ 970 milhões. No Amapá, a Amprev informou que a Justiça autorizou a retenção dos valores de consignados que seriam repassados ao banco, com depósitos em conta específica sob fiscalização do Judiciário.

As notícias sobre investimentos de grandes aportes de fundos previdenciários gerou preocupação entre servidores e servidoras do Judiciário que têm participação na Funpresp-Jud (previdência complementar). Em redes sociais, a instituição divulgou nota afirmando que “não possui qualquer investimento, direto ou indireto, no Banco Master ou em empresas do seu conglomerado”.

Na última semana, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal prenderam Deivis Marcon Antunes, ex-diretor-presidente do Rioprevidência. Também foram presos os irmãos Rodrigo e Rafael Schmitz, que teriam ajudado Antunes a retirar documentos de um apartamento no Rio, quando ele já sabia que era investigado. A policia apura crimes como gestão fraudulenta, desvio de recursos, fraude à fiscalização, associação criminosa e corrupção passiva.

Com informações de g1 e Funpresp-Jud

Foto: Banco Master/Divulgação