Nas últimas semanas, o governo de Donald Trump foi acusado de tentar influenciar o cenário político brasileiro por meio de pressão econômica e diplomática. Documentos citados pelo jornal britânico The Guardian apontam para a utilização de US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,2 milhões na cotação de hoje. Em carta enviada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, 31 parlamentares democratas afirmaram que as ações do governo Trump fazem parte de um padrão de interferência em processos eleitorais da região. Além do Brasil, foram mencionadas as eleições na Argentina, em Honduras e na Colômbia.
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No caso brasileiro, a pressão foi feita em diferentes frentes. O governo Trump impôs tarifas sobre parte das importações brasileiras, medida que Washington relacionou também ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O governo brasileiro, por sua vez, acusou os Estados Unidos de utilizarem a política comercial para interferir na eleição.
Segundo a reportagem do The Guardian, o governo Trump redirecionou mais de US$ 175 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado para projetos ligados a pautas conservadoras e de direita em diferentes países. Entre as iniciativas está uma verba de US$ 1 milhão para financiar grupos de direita da sociedade civil brasileira que acusam o STF de censura e abuso judicial.
O jornal britânico afirma que a iniciativa faz parte de uma mudança na forma como o governo de Donald Trump direciona recursos do fundo. A nova lista inclui projetos relacionados a temas como imigração, anticomunismo, proteção de cristãos, oposição à chamada “ideologia de gênero” e críticas à regulamentação.
A estratégia ultrapassa disputas comerciais. The Guardian comparou as acusações atuais com episódios da Guerra Fria. O jornal relembrou que, antes do golpe civil-militar de 1964, o governo estadunidense apoiou financeiramente grupos e candidatos de oposição ao então presidente João Goulart. Historiadores ouvidos pela publicação apontaram que as ações atribuídas ao governo Trump são ainda mais explícitas.
O jornal britânico chamou de “onda laranja” a sequência de vitórias de políticos de direita alinhados a Trump em países latino-americanos, citando Argentina, Chile, Costa Rica e Colômbia. O jornal apresentou o Brasil como um dos principais cenários dessa disputa regional.
Editorial do Guardian
Em editorial nessa quarta-feira, 30, o Guardian publicou um editorial chamado “The Guardian view on Lula v the Bolsonaros: the decision of Brazilian voters will affect us all”; em tradução livre, “A visão do Guardian sobre Lula contra os Bolsonaros: a decisão dos eleitores brasileiros afetará todos nós”). O texto apresenta a eleição como uma disputa simultaneamente apertada e marcada por diferenças políticas profundas.
Na opinião do jornal, Flávio Bolsonaro (PL) se apresenta como uma versão menos agressiva do pai, mas mantém a avaliação de que ele pertence à direita radical. Também diz que parte dos eleitores estaria votando mais contra o adversário do que em defesa do próprio candidato. O texto também aborda o escândalo envolvendo o Banco Master e uma gravação em que Flávio Bolsonaro teria pedido quase US$ 27 milhões a Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
O editorial conecta diretamente a eleição brasileira à política externa de Trump, afirmando que uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia abrir espaço a Trump para uma atuação mais agressiva dos Estados Unidos no hemisfério ocidental. O jornal compara uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro com o segundo mandato de Trump, relembrando o aumento do desmatamento e da exploração ilegal de recursos durante o primeiro governo Bolsonaro e afirma que esses indicadores caíram após o retorno de Lula à Presidência.
Com informações do Correio Braziliense e do g1









