No último dia 9 de maio, o diretor do Sintrajufe/RS Lucas Rohde e o médico do trabalho e assessor de saúde do sindicato Rogério Dornelles foram a Guaíba, na região metropolitana, para conversar com os colegas da Vara do Trabalho da cidade, cuja jurisdição estende-se aos municípios de Barra do Ribeiro, Eldorado do Sul, Mariana Pimentel e Sertão Santana. O objetivo da visita foi o de ouvir os servidores sobre a implantação do Pje (Processo Judicial Eletrônico da Justiça do Trabalho).
Assim como nas visitas feitas pelo sindicato a outros municípios onde o Pje já está implantado, os servidores apontaram uma série de problemas técnicos, relacionados ao sistema em si, e também questões de saúde. Segundo os colegas de Guaíba, tudo começou com a implantação do PJ4, sistema desenvolvido pelo TRT4, e que durou um ano. Em seguida, fizeram a migração para o Pje, o que agravou a situação.
Segundo os relatos, o Pje apresenta inúmeras inconsistências programáticas. Precisamos anotar em um caderninho os números dos processos e as providências a tomar, já que o sistema não possui um gerenciador de histórico , revelou um colega.
Vários servidores queixaram-se de dor nos braços e nos olhos, além do cansaço provocado por ficar olhando de uma tela para outra o tempo todo. Também foram relatados casos de dor cervical e nos punhos. A reclamação sobre o aumento absurdo de cliques é unânime.
Para os servidores de Guaíba, o treinamento foi curto e o sistema é tão cheio de falhas, que não funciona . De acordo com um dos servidores ouvidos, as cobranças também são muito estressantes; as partes ligam para a vara para tentar resolver seus problemas, mas os servidores não fazem a menor ideia de como é o sistema dos advogados .
Diante dos problemas detectados em Guaíba e em todas as unidades em que o processo eletrônico está implantado, o Sintrajufe/RS está formalizando pedido para suspensão da implementação do PJe no TRT4. Além disso, o sindicato gestiona para que o tribunal, incluindo as áreas médica e de informática, realize visitas para avaliar a situação dos locais onde já funciona o sistema, com acompanhamento de pessoal do sindicato. Apenas depois de uma reavaliação da situação nestas unidades é que seriam analisados os encaminhamentos a serem tomados pelo tribunal. Como pauta emergencial, o sindicato já formalizou pedido para implementação das pausas na Justiça do Trabalho, como forma de garantir que os efeitos da nova realidade do processo eletrônico sejam amenizados.











