SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Em Rio Grande, sindicato ouve colegas das varas trabalhistas e da JF

Nesta terça-feira, 21, a diretora do Sintrajufe/RS Silvana Klein e o médico do trabalho e assessor de saúde do sindicato Geraldo Azevedo estiveram em Rio Grande, visitando os colegas das varas trabalhistas e da Justiça Federal.
 

Na JT, os representantes do sindicato ouviram relatos dos colegas sobre a realidade de trabalho naquela unidade, particularmente a respeito dos inúmeros problemas provocados após a implantação do PJe, além da repercussão que as mudanças de rotina tiveram sobre a saúde dos servidores. Os colegas também manifestaram seu descontentamento com relação às possibilidades de um novo prédio para a Justiça do Trabalho de Rio Grande, pois será construí­do em área distante, na entrada da cidade, com muitos problemas de infraestrutura e segurança. A instalação das 3ª e 4ª VTs foi feita no 8º andar de um prédio com problemas de acessibilidade e estacionamento. O mais grave, segundo eles, é que o imóvel não possui sistemas de prevenção e combate a incêndios, tampouco rotas de fuga em caso de sinistros. O edifí­cio também não tem um PPCI (Plano de Prevenção e Combate a Incêndios). Foi relatado, ainda, que o tribunal planeja a construção de um novo prédio em terreno doado pela prefeitura em área distante, na entrada da cidade, no futuro Centro Cí­vico, que abrigará outros órgãos públicos. 
 
As maiores crí­ticas dos servidores da JT, no entanto, foram dirigidas ao processo eletrônico, causador de transtornos de toda ordem. Fazer uma minuta de sentença no PJe é pesadí­ssimo! Na metade da tarde já estou com a vista cansada e turva , queixou-se uma servidora da 2ª VT. É um processo muito trancado, o programa é engessado e, invariavelmente, nem o pessoal da Informática sabe como resolver os problemas , relatou outro servidor. Às vezes, os processos até somem , disse.
 
Durante a conversa, ao enumerarem os obstáculos que enfrentam, os servidores apontaram que estão levando o dobro do tempo para realizar as tarefas. Precisarí­amos rever o horário de atendimento externo para dar conta de tudo , sugeriu uma colega. O PJe é uma involução. É anacrônico. O SAP era mais amigável.  A gente não consegue visualizar praticamente nada. Além disso, não dá para abrir dois processos ao mesmo tempo , desabafou, com veemência, um servidor da 4ª VT. Seria necessario aumentar o número de servidores, já que o PJe triplicou o número de passos que a gente tem que dar para realizar uma tarefa , continou o colega. 
 
A servidora Joana Cruz Kucharski, da 1ª VT, alertou para os sintomas fí­sicos surgidos após a implementação do processo eletrônico. Nossa visão está sendo prejudicada , disse ela, frisando que existe Norma Regulamentadora sobre ergonomia, mas não há qualquer NR sobre o trabalho visual. O médico Geraldo Azevedo ressaltou a importância de os servidores adotarem medidas preventivas para que não haja, nem agora nem no futuro, um agravamento das condições de trabalho e de problemas de saúde, como os verificados entre os colegas que atuam com processo eletrônico na JF e com aqueles que estão trabalhando com o PJe na JT. As pausas durante a jornada são fundamentais para a prevenção de adoecimento no trabalho , afirmou.
 
Ao ouvir os relatos, a diretora Silvana Klein disse que o Sintrajufe/RS está formalizando pedido para suspensão da implementação do PJe no TRT4. Além disso, disse que o sindicato está gestionando para que o tribunal, incluindo as áreas médica e de informática, realize visitas para avaliar a situação dos locais onde já funciona o sistema, com acompanhamento de pessoal do sindicato. Como pauta emergencial, o sindicato já formalizou pedido para implementação das pausas na Justiça do Trabalho, como forma de garantir que os efeitos da nova realidade do processo eletrônico sejam amenizados.
 
Já na Justiça Federal, colegas da 3ª Vara disseram que, devido ao volume de trabalho, não conseguem fazer as pausas. Geraldo Azevedo ressaltou que as pausas não têm receita única, e que cada um precisa encontrar o seu momento. Não é a pessoa que tem que se adapatar ao trabalho; é o trabalho que precisa adpatar-se à pessoa , disse o médico. 
 
Uma colega quis saber como andam as gestões do sindicato sobre a redução da jornada de trabalho. Silvana Klein lembrou que este tema está contemplado na Carta de Porto Alegre sobre Saúde e Relações de Trabalho, elaborada durante o I Encontro Estadual de Saúde dos Trabalhadores do Judiciário Federal no RS, realizado em novembro último. O documento é uma manifestação de preocupação com os problemas detectados, principalmente na Pesquisa de Saúde do Servidor realizada pelo Sintrajufe/RS, e traz várias reivindicações para mudar a gestão e as relações de trabalho. A dirigente afirmou ainda que o Sintrajufe/RS está levando esta pauta para ser discutida em ní­vel nacional, com o envolvimento da Fenajufe e dos sindicatos de todo o paí­s. A dirigente complementou dizendo que a redução da jornada deve ser pauta prioritária, junto com as pausas, inexistindo, porém, um estudo sobre a jornada ideal para o trabalho com processo eletrônico, mas, a partir das pesquisas realizadas pelo sindicato, já é sabido que as jornadas de 7 ou 8 horas se tornam extremamente exaustivas. 

Por Willians BarrosSintrajufe/RS
 
 
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