SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DIREITOS TRABALHISTAS

De 2016 a 2021, polí­ticas contrárias aos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil diminuí­ram participação dos salários no PIB

O volume da participação dos salários dos trabalhadores no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 12,9% em cinco anos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatí­stica (IBGE). Em 2016, o valor da massa salarial em comparação com o PIB representava 35,5%; em 2021, essa participação despencou para 31%. Foi o pior resultado em 16 anos. No mesmo perí­odo, a participação do excedente operacional bruto das empresas, valor de onde as companhias extraem o lucro, aumentou de 32,3% para 37,5%, representando um crescimento de 16% entre 2016 e 2021.

Fonte: CUT

A vice-presidente da Central única dos Trabalhadores (CUT), Juvandia Moreira, cita algumas medidas econômicas dos governos de Michel Temer (MDB), e aprofundadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), que impactaram na queda de renda do trabalhador: Desde 2016 que a gente teve uma série de medidas tomadas pelos governos anteriores que resultaram no aumento da desigualdade social e em prejuí­zo para classe trabalhadora. Um deles é a reforma trabalhista, que precarizou as relações de trabalho, enfraqueceu a organização dos trabalhadores, criou a possibilidade de terceirizar tudo e pejotizar. , afirma Juvandia.

Juvandia Moreira (Foto: Spbancarios)

Sobre o impacto da massa salarial na participação do PIB, a técnica do Departamento Intersindical de Estudos e Estatí­stica e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Adriana Marcolino concorda que o fim da valorização do mí­nimo, em 2019, ajudou a reduzir os ganhos dos trabalhadores: Após o término da polí­tica de valorização do salário mí­nimo, que teve o último reajuste em 2019, a massa salarial teve uma queda expressiva , diz Adriana. A polí­tica de valorização do salário mí­nima está sendo retomada desde o ano passado, quando teve iní­cio o governo Lula (PT).

Adriana Marcolino (Reprodução do Facebook pessoal)

A especialista lembra que o perí­odo foi afetado por diversos fatores, como a pandemia, o baixo crescimento econômico, a falta de polí­ticas públicas de emprego, a desregulamentação do mercado de trabalho e o crescimento da informalidade. Além de todos esses fatores, o desemprego influenciou muito na perda da massa salarial: Quando ˜sobra’ um número maior de trabalhadores no mercado, são oferecidas condições salariais piores. E todo o processo da recessão econômica de 2015, acabou também por diminuir os reajustes salariais negociados em convenções coletivas que, ou ficaram abaixo da inflação, ou tiveram resultados pí­fios , explica Adriana Marcolino.

O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, argumentou que ele mostra a reversão da tendência de aumento da participação dos salários no PIB observada entre 2004 e 2016: A construção lenta e difí­cil que por 12 anos levou para mudar positivamente o peso da renda do trabalho no PIB foi rápida e abruptamente desmontada nos últimos anos de regressão neoliberal. O que terminou por recolocar novamente o Brasil entre os paí­ses de baixos salários, empregos precarizados e de multidões de sobrantes e sem destino , disse em entrevista à Agência Brasil. Entre 2004 e 2016, a participação dos salários no PIB cresceu de 30,6% para 35,67%. Por outro lado, nesse perí­odo, a participação do excedente operacional bruto das empresas caiu de 34,6% para 32,3% do PIB.

Márcio Pochmann (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Juros altos

Juvandia Moreira, que também é presidente da Contraf-CUT, tem acompanhado de perto a questão dos juros altos praticados pelo Banco Central (BC), e acredita que a taxa Selic também é responsável pela queda da participação dos salários no PIB: As taxas de juros impostas por Roberto Campos Neto [presidente do BC], impedem, inclusive, os investimentos social e público , diz ela. A dirigente lista ainda como causas dessa situação o teto de gastos públicos.

Desigualdade

O indicador da participação dos salários no PIB é determinante para medir o grau de desigualdade social de um paí­s, avaliou o professor Pedro Paulo Zahuth Bastos, do Instituto de Economia da Universidade Estadual da Campinas (Unicamp). Além de aumentar a desigualdade, o economista defende que a redução do poder dos salários é ruim para economia nacional. Quanto maior a renda do PIB gerado que vai para os trabalhadores, maior vai ser o gasto e, consequentemente, maior vai ser o mercado interno do Brasil. E quanto maior for o mercado interno, maior vai ser o incentivo para que aqueles lucros dos capitalistas sejam investidos para aumentar a produção , destacou.

Pedro Paulo Zahuth Bastos (Foto: Antoninho Perri/Unicamp)

Para Bastos, o aumento do excedente bruto das empresas não necessariamente será reinvestido nas atividades que geram emprego. Se eles tiverem mais lucro, mas não tiver mercado, eles vão simplesmente comprar ativos financeiros [como tí­tulos da dí­vida pública] , pontou. [A redução dos salários no PIB] é ruim tanto do ponto de vista da sociedade, da saúde pública, do bem-estar social, da paz social, da criminalidade, da violência, quanto é ruim também para o crescimento econômico , finalizou.

Com informações da CUT e da Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil