SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

RACISMO REINCIDENTE

Câmara de Canguçu analisa nesta segunda-feira, 29, três pedidos de cassação contra vereador que proferiu discurso racista

Na noite desta segunda-feira, 29, a Câmara de Vereadores da cidade de Canguçu, no sul do Rio Grande do Sul, deve analisar três pedidos de cassação do vereador Francisco Vilela (PL). Na semana passada, Vilela utilizou a expressão “essa negrada” ao criticar pessoas que receberam auxílio do governo durante a pandemia de covid-19. Ele diz que não se arrepende do que disse.

Vilela, que já tem histórico de denúncias desse tipo, estava presidindo a sessão da Câmara na última segunda-feira, 22, quando, no momento em que era debatido o aumento da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) proposto pelo governador Eduardo Leite (PSDB), falou sobre o envio de verbas federais aos estados: “não veio pagamento ‘pinga-pinga’. Com aquele dinheiro da Covid, essa negrada nos estados deitaram e rolaram. Palmas pro Bolsonaro, palmas pra quem mandou o dinheiro”.

O Movimento Quilombola e Negro de Canguçu repudiou as falas: “É inadmissível que uma autoridade ocupante de uma cadeira no poder Legislativo quebre o decoro parlamentar e ofenda a comunidade negra”, diz nota divulgada pelo movimento, que ingressou com pedido de cassação do mandato do vereador. Outros dois pedidos no mesmo sentido foram protocolados, respectivamente, pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e por dois cidadãos.

Ao portal G1, Vilela disse que não se arrepende do que falou e que “é uma expressão que todo mundo usa”.

No ano passado, Câmara rejeitou cassação do mesmo vereador após MP apontar injúria racial contra servidora

Em junho de 2023, o mesmo vereador, referindo-se a uma servidora durante sessão da Câmara, disse que “essa neguinha é puta, puta”. Na ocasião, a Polícia Civil investigou o caso e indiciou o vereador por injúria racial; o Ministério Público entendeu que, além da injúria racial, Vilela deveria responder por prática, induzimento e incitação de discriminação e preconceito de cor. Porém, a Câmara de Vereadores acabou rejeitando a cassação.

Com informações do portal G1 e do site Canguçu Online