SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

SERVIDOR NA NUVEM?

TRF4 projeta mudança de estrutura em varas  diante de aposentadorias; Sintrajufe/RS pede audiência para apresentar preocupações com projeto-piloto de CTP e cobra diálogo

O Sintrajufe/RS está buscando audiência com a Presidência e com a Corregedoria do TRF4, a fim de tratar da proposta de reorganização, hoje, de algumas varas federais da 4ª em tramitação no tribunal. O projeto-piloto será implementado no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná; em cada estado, cinco varas federais sofrerão mudanças na estrutura de pessoal, cargos e funções, além de redefinição de suas atribuições, para a criação de centrais de tramitação processual (CTP), o que pode representar grandes mudanças na vida funcional de servidores e servidoras. Apesar do tamanho das modificações propostas, os sindicatos não foram procurados ou ouvidos sobre o tema, mesmo que o Conselho Nacional de Justiça determine que seja adotado esse procedimento em situações similares. No RS, o projeto-piloto atingirá a 1ª Vara Federal de Carazinho, a 1ª Vara Federal de Erechim, a 2ª Vara Federal de Passo Fundo, a 1ª Vara Federal de Santa Cruz do Sul e a 1ª Vara Federal de Santo Ângelo.

Na justificativa, o TRF4 argumenta que as propostas para a nova configuração das varas federais partem da preocupação com a crescente demanda por força de trabalho, notadamente diante de aposentadorias e falta de reposição de servidores e que a tecnologia traz novas oportunidades para a remodelação dos ambientes de trabalho, mais especificamente na distribuição de demandas. Conforme a administração, também existe necessidade de especialização de servidores para as tarefas de minutar sentenças e decisões complexas, bem como de ampliar o número de servidores que desempenhem essas tarefas. Em vez de realizar o provimento de cargos vagos, a saí­da proposta pelo TRF4 é diminuir a lotação das varas federais e criar centrais especializadas.

A chamada reconfiguração das varas federais prevê o deslocamento das tarefas de cumprimento de comandos judiciais para as novas estruturas, as centrais de tramitação processual (CTP). Estas ficariam responsáveis por atos como citações/intimações, agendamentos de audiências e perí­cias, pagamentos de peritos, expedição de requisição de pagamentos, atendimento de advogados e advogadas, entre outras. As centrais já existentes, como as de perí­cias e Cejuscons, manteriam suas tarefas e atribuições.

As varas federais das cidades envolvidas manterão em sua estrutura um juiz auxiliar e um substituto e contarão com um gabinete ampliado” formado por dez servidores e servidoras; os demais comporão as centrais de tramitação processual, que centralizarão demandas das varas federais, sendo administradas por uma juí­za ou juiz coordenador indicado pela Corregedoria Regional, com apoio de uma servidora ou servidor indicado com um CJ1 ou uma FC6 e, ainda, ao menos, uma FC5 e três FC4.

Funções das varas federais deslocadas para a CTP:
Duas FC4 da 1ª Vara Federal de Carazinho;
Uma FC3 da 1ª Vara Federal de Carazinho;
Uma FC3 da 1ª Vara Federal de Erechim;
Uma FC3 da 2ª Vara Federal de Passo Fundo;
Uma FC3 da 1ª Vara Federal de Santa Cruz do Sul;
Uma FC3 da 1ª Vara Federal de Santo Ângelo.
Funções das varas federais utilizadas para a criação de uma FC5, uma FC4 e uma FC3 na CTP:
Duas FC2 da 1ª Vara Federal de Erechim;
Uma FC2 da 2ª Vara Federal de Passo Fundo;
Uma FC2 da 1ª Vara Federal de Santa Cruz do Sul;
Uma FC2 da 1ª Vara Federal de Santo Ângelo.

Quem fica e quem sai? 

O projeto apresentado pelo TRF4 determina que, no projeto-piloto, cada vara federal indicará quais servidores e servidoras permanecerão e quais serão deslocados para as novas centrais, as quais, inicialmente, não terão estrutura fí­sica. Essa proposta gera insegurança e estranhamento, pois, apesar de estarem nas varas federais, esses colegas ficarão subordinados ao supervisor da central quanto à  organização do trabalho.

O Sintrajufe/RS destaca que a proposta causa aos servidores e às servidoras grande insegurança, por exemplo, quanto à  lotação e a eventuais prejuí­zos financeiros decorrentes das mudanças nas estruturas de cargos e funções. O sindicato lembra que, historicamente, cobra da administração o preenchimento de cargos vagos e participação em discussões de propostas que atingem diretamente a categoria; no entanto, a administração do TRF4, como já aconteceu em outras ocasiões, ignora as representações sindicais e apresenta um projeto acabado, sem qualquer diálogo com a entidade que representa os servidores e as servidoras.