SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Em Caxias do Sul, colegas das varas trabalhistas fazem crí­ticas ao processo eletrônico

 
 

O diretor do Sintrajufe/RS Edson Moraes Borowski e o médico do trabalho e assessor de saúde do sindicato Rogério Dornelles estiveram, na tarde desta quinta-feira, 16, com os colegas da Justiça do Trabalho de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. A visita teve como principal objetivo ouvir os colegas sobre a implantação do PJe nas seis varas trabalhistas da cidade.

De modo geral, repetiram-se as queixas apresentadas pelos servidores de outros municí­pios visitados pelo sindicato. Entre as reclamações recorrentes relatadas pelos colegas de Caxias está o aumento das tarefas repetitivas, em que o uso do mouse é maior. Só para fazer uma notificação, são necessários oito cliques, no mí­nimo , exemplificou um colega da 5ª Vara. Outra queixa comum foi com relação à burrice do sistema, além de sua falta de lógica . É uma unanimidade aqui em Caxias: o novo sistema não está funcionando, e temos que usar de jeitinho para realizar nosso trabalho , disse um servidor, referindo-se a algumas tarefas que obrigam o funcionário a criar um processo fictí­cio no Infor para poder gerar as guias. A perda de tempo para executar tarefas rotineiras também entrou no rol das reclamações: Uma carta precatória, que antes eu levava cerca de cinco minutos, agora levo horas , disse um colega da Central de Mandados. A propósito: segundo os colegas, a Central de Mandados não consegue acessar o PJe, situação confirmada por um depoimento colhido na 1ª Vara: aqui na vara, o mandado aparece com expedido, mas temos que imprimi-lo e entregá-lo na Central, para os oficiais .

O sistema é horrí­vel! , desabafou uma servidora da 4ª VT, justificando que, do modo como está, o processo eletrônico é mais manual que o processo fí­sico. Temos que fazer os controles à parte , disse ela.

De acordo com os relatos, o PJe também já está provocando desconforto fí­sico entre os servidores. A gente trabalha mais, ficamos imersos e, quando nos damos conta, já se passaram horas , reclamou um colega da 6ª VT. A gente fica muito fixo, muito tempo sentado, e com os olhos irritados , disse. O médico Rogério Dornelles enfatizou a Campanha de Pausas do sindicato e destacou a importância delas como instrumento de proteção à saúde. Alguns colegas reclamaram também de dor nos braços, em função do uso excessivo do mouse em posição inadequada. 

Indagados sobre o treinamento oferecido pelo Tribunal para operar o PJe, a maioria absoluta dos colegas apontou que a capacitação durou dois dias. Não posso considerar isso um treinamento, e sim uma mera apresentação do sistema , falou uma colega. Fizemos uma simulação com um caso fictí­cio. Na vida real, estamos aprendendo meio na marra falou a servidora. Os colegas reclamaram ainda da falta de um manual de resolução de problemas.

Sobre os problemas apontados pelos colegas, uma magistrada manifestou-se concordando com os servidores. Nossas dificuldades são as mesmas. O sistema tem muitas limitações e há muita coisa a ser melhorada , disse ela.

A servidora Denise Bampi, da 5ª VT, mostrou-se satisfeita com a visita do Sintrajufe/RS: Essa preocupação do sindicato é importante. Alguém tem que se preocupar com nossa saúde , disse ela. Acima de tudo, precisamos nos conscientizar da importância das pausas durante a jornada de trabalho , concluiu.
 
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