SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

ASSÉDIO SEXUAL

Presidente do México sofre assédio sexual na rua enquanto cumprimentava apoiadores na capital do país

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, foi assediada sexualmente nesta terça-feira, 5, enquanto caminhava no centro da capital do país. Ela cumprimentava apoiadores e tirava fotos com várias pessoas quando um homem se aproximou e tentou beijá-la e colocar as mãos nos seios delas. O incidente evidencia que as mulheres, em qualquer esfera ou cargo político ou de poder, seguem expostas a atitudes desrespeitosas e invasivas. A líder mexicana chamou o episódio de “lamentável” e disse que acionará a Justiça contra o assediador.

O incidente aconteceu quando Sheinbaum se dirigia para um evento público perto do palácio presidencial, e não havia agentes de segurança à vista. O homem se aproximou, passou um braço sobre o ombro da presidente, enquanto tocava sua cintura e peito com o outro braço, e tentava beijá-la no pescoço. Somente nesse momento, um segurança apareceu e afastou o homem.

Em coletiva de imprensa, a líder mexicana disse: “Sofri esse episódio lamentável de assédio sexual. Esse indivíduo se aproximou de mim totalmente alcoolizado e protagonizou esse episódio de assédio. Eu estava conversando com outras pessoas e não reparei a chegada dessa pessoa. Depois de ver os vídeos que eu me dei conta do que realmente ocorreu”.

Normalização do assédio

As autoridades de segurança informaram que o agressor, identificado como Uriel Rivera, foi detido e colocado à disposição da Promotoria, que investiga crimes sexuais. Sheinbaum confirmou que Rivera está preso e que buscará ação judicial contra ele para responsabilizá-lo pelo ato.

Ela disse que decidiu denunciá-lo por assédio sexual “é algo que vivi como mulher e muitas mulheres do nosso país vivem. Já vivi antes de ser presidente”. Sheinbaum afirmou que “seu eu, como presidente, não o denunciar, que mensagem eu passo para todas as mulheres mexicanas?”.

A presidente disse ainda que buscará tornar o assédio sexual um crime passível de ação penal em todas as cidades do México. Ela também anunciou uma campanha nacional de respeito à mulher.

A ministra mexicana das Mulheres, Citlalli Hernández, criticou a agressão e denunciou a “visão machista” e a normalização que alguns homens fazem da invasão ao espaço pessoal e ao corpo das mulheres. “Repudiamos o ato que nossa presidente viveu hoje”, escreveu na rede X: “O assédio, o abuso, a intimidação e qualquer forma de violência dirigida às mulheres não podem ser ignorados nem minimizados — devemos denunciá-los e combatê-los”.

A diretora do Sintrajufe/RS Márcia Coelho classifica a situação como “absolutamente revoltante”. A dirigente analisa que “nem aquelas de nós que conseguem superar adversidades impostas por sociedades machistas e misóginas e galgam posições de poder conseguem se livrar de seres desprezíveis que se sentem autorizados a violar seus corpos, suas palavras e desrespeitar seus trabalhos”. Para Márcia, “é necessário que os homens quebrem seu pacto de silêncio e solidariedade e passem a coibir e condenar essas atitudes, pois nós já as denunciamos há muito tempo”.