SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

PL DA DEVASTAÇÃO

Câmara aprova projeto que desmonta proteção ambiental no Brasil, com “libera geral” em licenciamentos e enfraquecimento da fiscalização

A Câmara dos Deputados aprovou, nessa quarta-feira, 16, o projeto que cria a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, conhecida como “PL da Devastação”. O projeto acaba com diversas exigências para o licenciamento ambiental da maioria dos tipos de obras, retira poder dos órgãos de fiscalização e ameaça comunidades tradicionais.

Foram 267 votos favoráveis e 116 contrários. Da bancada do Rio Grande do Sul, 21 parlamentares votaram a favor do projeto, sete votaram contra e três estavam ausentes (veja a lista ao final desta matéria). Agora, o PL segue para sanção do presidente Lula (PT), e segue a pressão de entidades ambientalistas em defesa do veto.

Votaram a favor do PL todos os deputados do RS dos seguintes partidos: Cidadania, Novo, PDT, PL, PP, PSD, PSDB, Republicanos, União Brasil e Republicanos. Dos deputados do MDB, dois votaram a favor e um esteve ausente. Contra o projeto, votaram todos os deputados e deputadas do PT e do Psol. Os únicos deputados do PCdoB e do PSB do Rio Grande do Sul se ausentaram.

O PL da Devastação tem sete eixos de mudanças, assim elencados pelo portal G1:

Criação de Licença Ambiental Especial (LAE): autoriza obras classificadas como “estratégicas” pelo governo, mesmo que tenham alto potencial de degradação. A aprovação será acelerada: o prazo máximo para emissão é de 12 meses, com validade de cinco a dez anos

Dispensa de licenciamento: o texto elimina a necessidade de licença para a ampliação de estradas, atividades agropecuárias, tratamento de água e esgoto, e pequenas barragens de irrigação. Apenas aterros sanitários seguem exigindo permissão ambiental

Renovação automática: permite que licenças ambientais sejam renovadas automaticamente por meio de autodeclaração, desde que não haja mudanças na atividade ou nas regras

Autodeclaração nacionalizada: o empreendedor pode declarar pela internet que cumpre requisitos, sem análise prévia do órgão ambiental. O modelo já usado em alguns estados agora valerá para todo o país, inclusive para empreendimentos de médio porte com potencial poluidor

Enfraquecimento do Ibama e do Conama: o projeto retira poderes desses órgãos federais, transferindo a responsabilidade do licenciamento para estados e municípios. Também anula partes da Lei da Mata Atlântica, facilitando o desmatamento de florestas primárias e secundárias

Desproteção de comunidades tradicionais: terras indígenas e territórios quilombolas não homologados deixam de ser consideradas áreas protegidas para efeitos de licenciamento. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), a mudança afeta cerca de 18 milhões de hectares, o equivalente ao território do Paraná

Risco a sítios arqueológicos: o projeto restringe a atuação do Iphan, que só poderá se manifestar se houver bens históricos já identificados no local. A Sociedade de Arqueologia Brasileira alerta que isso pode causar perdas irreversíveis

CUT lembra Mariana e Brumadinho

Em nota a Central Única dos Trabalhadores (CUT) denunciou que “a proposta ignora os aprendizados trágicos de desastres como os de Mariana e Brumadinho, que causaram mortes, inclusive de trabalhadores da Vale S.A., destruíram comunidades e causaram danos irreparáveis ao meio ambiente”. Na mesma nota, a CUT reafirma que “é inadmissível que, em um momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP 30 e se compromete internacionalmente com a redução das emissões de gases de efeito estufa, o Congresso Nacional aprove medidas que caminham na contramão desses compromissos”.

Críticas e alertas

A principal crítica ao PL gira em torno da possibilidade de ampliação do desmatamento, degradação de biomas sensíveis e aumento dos conflitos socioambientais. Ao criar brechas para a realização de obras e atividades sem a devida análise de impacto ambiental, o projeto pode acelerar perdas de biodiversidade, afetar nascentes e cursos d’água, ameaçar terras indígenas e comprometer a qualidade de vida de populações tradicionais e urbanas. Diversos estudos apontam que o licenciamento ambiental é uma ferramenta essencial para evitar tragédias como rompimentos de barragens, contaminação de aquíferos e disseminação de doenças. Ao flexibilizar ou dispensar esse controle, o PL coloca em risco não apenas o meio ambiente, mas também a saúde pública e a segurança de comunidades inteiras.

Veja abaixo como votaram os deputados e deputadas do RS:

Sim
Any Ortiz (Cidadania)
Alceu Moreira (MDB)
Osmar Terra (MDB)
Marcel van Hattem (Novo)
Afonso Motta (PDT)
Pompeo de Mattos (PDT)
Bibo Nunes (PL)
Giovani Cherini (PL)
Marcelo Moraes (PL)
Sanderson (PL)
Zucco (PL)
Afonso Hamm (PP)
Covatti Filho (PP)
Pedro Westphalen (PP)
Danrlei de Deus Hinterholz (PSD)
Daniel Trzeciak (PSDB)
Lucas Redecker (PSDB)
Franciane Bayer (Republicanos)
Ronaldo Nogueira (Republicanos)
Luiz Carlos Busato (União Brasil)
Mauricio Marcon (Podemos)
Não
Fernanda Melchionna (PSOL)
Alexandre Lindenmeyer (PT)
Bohn Gass (PT)
Denise Pessôa (PT)
Marcon (PT)
Maria do Rosário (PT)
Paulo Pimenta (PT)
Ausentes
Daiana Santos (PCdoB)
Heitor Schuch (PSB)
Márcio Biolchi (MDB)


Com informações do G1 e do Sul 21