A origem da escolha da cor amarela para nomear o Setembro Amarelo encontra-se em uma história em que o silêncio custou uma vida. O período foi destacado para marcar a lembrança de que precisamos falar sobre o tema do suicídio, dolorido para tantos e assustador para todos e todas, pois vem carregado de um tabu, muito provavelmente associado às religiões e ao senso comum popular de que, se falar, pode acontecer.
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No dia 8 de setembro de 1994, um adolescente estadunidense, apaixonado por carros, restaurou um Ford Mustang 1968. Pintou-o de amarelo brilhante, ficando identificado pelo carro, benquisto que era por todos. A tragédia se deu apenas sete minutos antes de os pais chegarem em casa, O rapaz morreu dentro do automóvel fechado, utilizando gás do motor ligado.
No funeral, os pais, na busca de um alívio para a dor, fazendo por outros o que não conseguiram fazer pelo filho, distribuíram cartões que portavam uma fita amarela (Yellow Ribbon, nome de uma fundação criada então), com os dizeres: Se você está pensando em suicídio, entregue este cartão a alguém e peça ajuda! . Os 500 cartões distribuídos surtiram efeito, multiplicaram-se, e pelo menos 115 mil jovens, desde então, já foram atendidos na fundação.
Não querer viver mais, seria a mesma coisa que querer que o sofrimento que parece insuportável, pelo qual a pessoa está passando, acabe?
Nunca menospreze o sofrimento de outra pessoa. Se para você é muito difícil acolher alguém que está sofrendo, peça ajuda também.
Aproveitando a campanha do Sintrajufe/RS em relação ao uso abusivo dos agrotóxicos, seguindo com o objetivo de atenção e o cuidado à vida, pensamos em contribuir e trazer a relação com o tema do suicídio. A associação entre suicídio e agrotóxicos ainda é obscura, e os dados divulgados são alarmantes.
A fragilização da regulação e a aprovação crescente de produtos de maior toxicidade aumentou os riscos à população e, principalmente, para os mais vulneráveis.
No estudo Mortalidade por suicídio no RS, uma análise transversal dos casos de 2017 e 2018 , feito pela UFRGS, o RS é apontado como campeão, com a maior taxa de mortes por suicídio entre todos os estados brasileiros. E desde 2015 o índice só aumenta.
No artigo, Intoxicação e fatores associados ao óbito por agrotóxicos , publicado pelas faculdades de Farmácia de Sorocaba e de Campinas, em 2017, é mostrado que a utilização de agrotóxicos para causar a morte e tem elevada mortalidade, em função da elevada toxicidade. A exposição de trabalhadores e trabalhadoras aos agrotóxicoscomprovadamente neurotóxicoscausam alterações comportamentais, distúrbios afetivos e é considerada causa suficiente para ideação suicida. Segundo esse estudo, a retirada desses produtos, diminui as mortes por tentativa de suicídio e é recomendada em todo o mundo como medida simples, efetiva, de baixo custo, sem afetar a produção, para evitar o suicídio.
Neste momento sombrio, no qual a ilegalidade parece que ganha terreno, o rigor do controle da venda e do uso desses produtos pode estar bem menor. E o que precisamos é de políticas ambientais ecológicas, proibir os de maior toxicidade. Encontrar formas de produzir alimentos sem venenos é viável e possível.
Sugestões de artigos sobre o assunto:
Intoxicação e fatores associados ao óbito por agrotóxicos
Mortalidade por suicídio no RS, uma análise transversal dos casos de 2017 e 2018
Texto produzido pela psicóloga Vera Moura e pela médica Ana Achutti, da assessoria de saúde do Sintrajufe/RS.














