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Durante quase dois dias, 27 e 28, o 8º Congrejufe foi sacudido por uma polêmica inédita na categoria do Judiciário Federal. A discussão girou em torno de uma delegação formada apenas por servidores do TSE, sobre cuja chapa houve uma denúncia apurada de compra de votos. Um integrante da chapa, servidor do TSE, enviou mensagem eletrônica na qual informava que seria realizado um sorteio em dinheiro entre os colegas que participassem da assembleia que escolheria os delegados para o Congresso da Fenajufe. Todos os eleitos no TSE foram membros dessa chapa.
Ao tomar conhecimento, a comissão de credenciamento da Fenajufe, por 2 votos a 1, impugnou a delegação, por entender que feria o decoro e a prática sindical. A chapa apresentou recurso no Congrejufe e, com apoio do grupo Luta Fenajufe, vinculado à CSP Conlutas, venceu a votação.
Para polemizar ainda mais, antes da decisão final sobre a participação dos servidores do TSE, o grupo Luta Fenajufe propôs, então, que os delegados da chapa 1 do Sindiquinze, de Campinas (SP), fossem impedidos de votar. Isso porque, na assembleia que elegeu a delegação do sindicato, foram sorteados aparelhos GPS entre todos os presentes. Nas defesas contra essa posição, foi explicado que não houve chamamento, na assembleia, para o sorteio, e que, dos cinco aparelhos sorteados, a oposição ganhou três, ou seja, não houve compra de votos. Como o grupo Luta Fenajufe tinha maioria, os delegados da chapa 1 do Sindiquinze ficaram suspensos das votações que trataram de sua permanência no Congresso e da participação ou não da chapa do TSE no Congrejufe.
No dia 28, durante a defesa de teses específicas, a Associação dos Analistas, Técnicos e Auxiliares do Poder Judiciário e Ministério Público da União (Anata) foi centro de discussões acaloradas. Os integrantes da direção da Anata e delegados do TSE compuseram chapa que disputou recentemente eleição do Sindjus/DF. Uma tese assinada por colegas do Sisejufe/RJ, Anata: extrema-direita organizada no Judiciário para destruir o movimento sindical foi motivo de ação judicial pela referida associação. A Anata entrou na Justiça pedindo a proibição da publicação e da divulgação da tese. A Justiça concedeu liminar de direito de resposta. No entanto, como a Fenajufe não havia sido citada, essa discussão foi levada para o plenário. O diretor do Sisejufe/RJ Roberto Ponciano, um dos autores, na apresentação da tese, preferiu não falar especificamente da tese. Ele preferiu ler trechos de opiniões de membros da Anata publicados em blog e no Facebook da associação, com opiniões racistas, homofóbicas, contra pobres, enaltecendo a ditadura civil-militar e torturadores como o major Curió e o chefe do Dops Brilhante Ustra.
A delegada Najla, do Distrito Federal, ligada à Anata, pediu direito de resposta, e o Congresso se dividiu. O diretor do Sintrajufe/RS e coordenador-geral da Fenajufe manifestou-se em plenário contra o direito de resposta. Zé disse que o Congrejufe não era o lugar da Anata. O dirigente argumentou que a associação vai na contramão de tudo o que o luta o movimento sindical, atacando direitos da categoria em seus materiais, direitos dos aposentados, de colegas que atuam em condições insalubres, entre outros casos. Ele lamentou a incoerência do CSP Conlutas, que, de acordo com o sindicalista, se uniu ao que há de mais retrógrado na categoria apenas para conquistar a maioria no Congresso. Zé ainda afirmou que o objetivo desse campo não é fortalecer os sindicatos, mas destruí-los. O colega da delegação do RS Marcelo Carlini dividiu o tempo com Zé Oliveira. Ele disse que a Anata mostra sua prática ao levar a discussão diretamente para o Judiciário. Nós, trabalhadores, é que decidimos o que discutimos aqui, neste Congresso , afirmou. O direito de resposta foi rejeitado pelo plenário.
Ponciano explicou ao saite do Sintrajufe/RS que, em um trabalho no curso de mestrado, escreveu sobre a embriaguez ética na sociedade, sobre a falsa ética no mundo atual. Depois, decidiu fazer um texto transferindo essa lógica para o movimento sindical para falar da Anata centrado em dois eixos: a defesa do subsídio e o discurso da ética calcado no falso moralismo.
Ao pesquisar sobre a associação, o colega disse que se surpreendeu. Ele esperava encontrar um grupo despolitizado e desorganizado, mas o que encontrou, afirma, foi uma cultura organizada de direita e extrema-direita, que faz apologia da ditadura, da tortura, que é antissindical, machista, homofóbica. De acordo com Ponciano, era um grupo que agia de maneira subreptícia e que mostrou a cara no Congrejufe.
O colega lembra que, em 20 anos de história, quem organizou a Fenajufe foi a esquerda e esse tipo de pensamento de direita nunca conseguiu se estruturar no interior da categoria. Agora, um setor de esquerda, a Conlutas, faz alianças estratégicas no Rio de Janeiro e em Brasília com esse grupo, também no Congrejufe, e o traz para um destaque que nunca teve na categoria, denuncia Ponciano. Segundo ele, um dos objetivos desse grupo ligado à Anata é destruir a luta dos trabalhadores e, graças ao apoio da CSP Conlutas, esse pensamento de direita está se infiltrando na categoria .
Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS, de Caeté (MG)










