SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

INVASÃO

Inteligência artificial invade site do governo da Austrália; empresa admite “falha”

Um sistema de inteligência artificial (IA) da Open AI, dona do ChatGPT, invadiu um portal do governo da Austrália que reúne dados estatísticos da saúde pública do país da Oceania, o Medicare. O ataque cibernético ocorreu em 18 de julho, mas só foi revelado na última semana pelo primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese.

O primeiro-ministro explicou que a invasão ocorreu após uma pesquisa da Open IA sobre gastos com saúde não ter conseguido acessar dados restritos do governo australiano. “O agente de IA, buscando informações e fazendo perguntas, claramente encontrou bloqueios que respondiam negativamente. O agente de IA encontrou uma maneira de contornar esses bloqueios. Ele não aceitou um ‘não’ como resposta”, detalhou.

Anthony Albanese disse que o ocorrido é “inaceitável” e reclamou da fragilidade dos protocolos de segurança da Open AI e do fato de a empresa ter comunicado a invasão apenas no dia 10 de setembro, quase dois meses depois do incidente. O governo montou uma força tarefa para investigar o incidente, o que pode resultar em medidas judiciais, policiais e legislativas para punir os responsáveis e impedir novos ataques cibernéticos. “Agora, por que isso ocorreu? Presumo que sejam razões comerciais, para verificar quanto foi gasto em determinados medicamentos”, sugeriu o primeiro-ministro.

A Open AI pediu desculpas pela invasão e disse que irá investigar o caso a fundo. A empresa disse que seus modelos acessaram sites do governo australiano “de maneiras para as quais não estavam autorizados”.

Agora, os CEOs da OpenAI e da Anthropic foram convocados a comparecer perante uma comissão do Senado da Austrália sobre inteligência artificial. O governo australiano já vinha trabalhando em leis específicas sobre o tema, e o caso reforça a preocupação com a soberania do país.

Casos recentes

Em junho, como noticiou o Sintrajufe/RS, o governo dos Estados Unidos, de Donald Trump, chegou a restringir o uso de dois modelos de inteligência artificial por conta de possíveis brechas de segurança que ofereceriam riscos aos EUA. O caso envolveu a Anthropic, empresa estadunidense. Posteriormente, os modelos foram liberados pelo governo Trump.

Enquanto isso, a Alibaba Group Holding vetou o uso do Claude por seus funcionários. Maior empresa de comércio eletrônico da China, a Alibaba tem cerca de 130 mil empregados e tomou essa decisão após seus desenvolvedores descobrirem que a ferramenta escondia recursos de rastreio para identificar usuários conectados na China, segundo a Agência Reuters. Conforme a agência, os programadores perceberam que o software examinava as máquinas em busca de dados específicos, como fuso horário e configurações de proxy da internet. Reportagem do TecnoBlog aponta que “um funcionário da Anthropic havia publicado que o rastreamento de fato existia na IA, mas fazia parte de um experimento lançado em março para evitar o uso não autorizado e proteger a propriedade intelectual da empresa contra técnicas de clonagem”.

Sintrajufe/RS já vem tratando do problema da soberania com o avanço das IAs, em especial no Judiciário

Desde que ganhou força o debate sobre IA, o Sintrajufe/RS tem alertado para esse problema. A possibilidade de que as gigantes globais de tecnologia participem da construção, do funcionamento e da manutenção desses instrumentos preocupa na medida em que repassa ao setor privado e estrangeiro, com interesses próprios, mecanismos centrais do Judiciário, tanto no que se refere à segurança dos dados. Para defender-se dessa ameaça, portanto, o Judiciário e o Estado brasileiro precisam desenvolver suas próprias tecnologias, e as dinâmicas precisam estar vinculadas a um processo mais amplo de fortalecimento dos serviços públicos.

Com informações da Agência Brasil, do G1 e da CNN