SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

APÓS DEMISSÕES EM MASSA

Empresa privatizada de energia deixa 500 mil famí­lias sem luz há três dias em São Paulo; desde a privatização, um terço foram demitidos

Após um temporal que atingiu parte do estado de São Paulo no final da última semana, cerca de 500 mil famí­lias seguem sem luz na região metropolitana da capital paulista. A responsável pelo fornecimento de energia é a Enel, que adquiriu a estatal Eletropaulo em 2018. Mais de 2 milhões de casas foram afetadas desde sexta-feira, 3.

Nesta segunda-feira, 12 escolas municipais não puderam abrir na cidade de São Paulo, que concentra 413 mil dos imóveis que ainda estão sem energia. 77 semáforos também continuavam sem operar na capital. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo relata ainda que entre os moradores que enfrentam transtornos com a falta de energia na capital paulista nesta segunda-feira, 6, estão pacientes que dependem de aparelhos ligados à rede de energia elétrica para continuar o tratamento médico .

Após a privatização, um terço dos funcionários foram demitidos

Em reportagem do portal G1, especialistas criticaram a gestão municipal, do prefeito Ricardo Nunes (MDB), por problemas relacionados especialmente à queda de árvores, como falta de manutenção e planejamento e árvores plantadas de forma irregular. Porém, o maior problema, neste momento, é a demora no restabelecimento da energia elétrica. E o próprio prefeito tem criticado a Enel e o processo de privatização da Eletropaulo, conduzido em 2018 pelo governo de seu correligionário, Michel Temer (MDB).

Na manhã desta segunda-feira, 6, Nunes concedeu entrevista ao portal Uol e disse que o processo de privatização foi mal feito : O contrato é com o governo federal, que o rege. Houve lá o erro. Precisa haver uma readequação desse contrato para essa questão das mudanças climáticas. Não é possí­vel que a Enel, com todos esses problemas, tenha um volume pequeno de equipes perante o tamanho do nosso problema , afirmou Ricardo Nunes.

De acordo com dados da CNN, a empresa reduziu seu quadro de funcionários em 36% desde 2019, o que gerou dúvidas quanto à sua capacidade de resposta a incidentes como o recente apagão. Enquanto a Eletropaulo tinha uma média de um trabalhador para cada 307, a empresa privatizada aumentou a demanda para 511 consumidores por cada profissional.

Os problemas com a Enel não se restringem ao Brasil: de origem italiana, a Enel teve sua sede incendiada em 20 de outubro de 2019, durante protestos no Chile. Manifestantes atearam fogo no prédio na capital Santiago contra os aumentos na tarifa de energia elétrica superiores a 15% naquele ano, apesar da má qualidade do serviço oferecido.

No RS, outra empresa de energia, também privada, acaba de ser multada pela baixa qualidade dos serviços

Embora Ricardo Nunes ressalte os problemas na privatização especí­fica da Eletropaulo, outras experiências mostram que esse não é um caso isolado. No Rio Grande do Sul, a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS (Agergs) acaba de aplicar uma multa de R$ 24,3 milhões à CEEE Equatorial. A multa é resultado do processo de fiscalização realizado pela Agergs em agosto, que também apontou o descumprimento parcial do Plano de Resultados de 2022 estabelecido para a concessionária, além da precariedade da manutenção de suas instalações, que refletem negativamente no seu desempenho operacional.

A Equatorial vem procedendo da mesma forma que a Enel, com demissões de boa parte do quadro funcional: mais de mil, dos 2,5 mil trabalhadores e trabalhadoras que a empresa encontrou ao adquirir a CEEE, já foram demitidos. E o resultado também tem sido a piora nos serviços. Em julho, milhares de famí­lias ficaram dias e dias sem luz após a passagem de um ciclone extratropical pelo estado. Uma semana depois do ciclone, quase 3 mil pontos seguiam sem luz.

No Amapá, onde também controla a energia elétrica, a Equatorial quer reajustar a tarifa em 44%. Caso a proposta, que ainda passará por audiência pública, seja aprovada, o Amapá passará a ter a energia mais cara do Brasil. Atualmente, o posto é do Pará, onde a energia também foi privatizada e agora é controlada pela mesma Equatorial.

Com informações do G1, CNN, Uol, Brasil 247, Rede Brasil Atual e Estadão