SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Em uma semana, literatura brasileira perde três grandes nomes

Esta foi uma semana de perdas para a literatura do Brasil e do mundo. No perí­odo de menos de sete dias, foi dado adeus a Rubem Alves, João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna.

 

 
No dia 19 de julho, despediu-se o escritor, psicanalista e teólogo mineiro Rubem Alves, aos 80 anos. Ele se destacou como educador, com a preocupação em que a educação não formasse apenas profissionais para o mercado, mas pessoas crí­ticas. Na sua tese de doutoramento estava um dos embriões do pensamento que viria a ser conhecido como Teologia da Libertação, nos anos 1970. Na crônica Sobre a morte o morrer , de 2009, Rubem Alves escreveu: Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia .

 

 
Um dia depois, em 20 de julho, despediu-se o escritor João Ubaldo Ribeiro, que ocupava a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras desde 1993. Ele era pós-graduado em Administração Pública e Ciência Polí­tica, tendo lecionado em universidades da Bahia, além de ter colaborado com jornais e revistas. Radicado havia décadas no Rio de Janeiro, João Ubaldo ganhou, entre outros prêmios, o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em lí­ngua portuguesa, em 2008. Autor de livros como Sargento Getúlio , O sorriso do lagarto , Viva o povo brasileiro e A casa dos budas ditosos , ganhou dois prêmios Jabuti, em 1972 e 1984, para o melhor autor e melhor romance, por Sargento Getúlio e Viva o povo brasileiro”. Sobre o pouco arraigado hábito de leitura dos brasileiros, ele dizia: “Não se lê porque não se gosta de ler, porque dá trabalho. Ler é chato porque a pessoa não aprendeu a ler. Ela aprendeu a ficar na frente da TV onde tudo é fornecido .

  

 
Aos 87 anos, Ariano Suassuna encontrou Caetana, como chamava a morte. Foi no dia 23 de julho. Tal qual havia previsto, ela veio tão logo ele terminou o romance no qual trabalhou por mais de 30 anos e o qual o próprio autor ilustrou, página a página. Todo o livro foi escrito à mão, com lápis, da mesma forma que toda a sua obra, composta por romances, peças de teatro e poemas, como O auto da Compadecida e Romance d’a pedra do reino e o prí­ncipe do sangue vai-e-volta . Em aulas-espetáculo, dissecava a cultura brasileira, suas origens, a cultura do cordel e dos violeiros. O paraibano, que cresceu e morreu em Pernambuco, era formado em Direito, tinha um forte conhecimento da cultura erudita, mas foi nas raí­zes populares que tirou o mais genuí­no e criativo de sua obra. O acadêmico não se considerava um imortal da Academia Brasileira de Letras, dizia ser “imorrí­vel”. Afirmava que era um mentiroso do bem , só para incrementar um causo. “Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa , dizia Suassuna.