SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

SAÚDE

Dossiê aponta danos provocados por agrotóxicos à saúde reprodutiva

Durante o IV Congresso Latino-Americano de Toxicologia Clínico-Laboratorial (ToxiLatin 2025), foi realizada roda de conversa com os autores e autoras do “Dossiê Danos dos Agrotóxicos na saúde reprodutiva: conhecer e agir em defesa da vida”, produzido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP). A atividade ocorreu no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), no dia 25 de junho.

Veja AQUI o dossiê.

Durante a roda de conversa, a pesquisadora Lia Giraldo da Silva Augusto, integrante do grupo de trabalho (GT) Agrotóxicos, da Fiocruz, e uma das autoras do Dossiê, trouxe dados alarmantes sobre o cenário brasileiro. Ela apontou que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e lembrou que esses produtos são associados à má formação congênita de fetos, ao abortamento espontâneo e a diversos distúrbios no desenvolvimento fetal e das condições de saúde do nascituro, como a prematuridade, baixo peso ao nascer, entre outros. Além disso, há relação com efeitos desreguladores endócrinos, mutagênicos e carcinogênicos decorrentes da exposição aos agrotóxicos, durante e depois da concepção, incluindo efeitos no sistema reprodutor de adultos, comprometendo, inclusive, as futuras gerações.

A pesquisadora reforçou, ainda, que o projeto de lei 1459/2022, conhecido como PL do Veneno e aprovado em 2023 no Congresso Nacional, implicou em retrocesso da regulação disposta anteriormente pela Lei do Agrotóxico de 1989, visto que flexibilizou muito a legislação, permitindo a utilização de inúmeros agrotóxicos bastante nocivos à saúde.

Participaram da roda de conversa a médica do trabalho Virgína Dapper, que faz parte de assessoria de saúde da entidade, e a assessora da Secretaria de Saúde e Relações de Trabalho (SSRT), Fernanda Pontes. O Dossiê foi elaborado com a contribuição de 45 pesquisadores e pesquisadoras de diversas universidades brasileiras e de institutos públicos de pesquisa que assessoram os movimentos sociais atuantes na pauta dos agrotóxicos.

Virgína Dapper destacou a importância de incluir essa pauta na programação do Congresso Latino-Americano de Toxicologia Clínico-Laboratorial Expossoma (ToxiLatin), evento científico de destaque na América Latina que busca promover a qualificação dos alunos, trabalhadores da saúde e pesquisadores para o enfrentamento de problemas sociais e ambientais emergentes. A médica do sindicato também celebrou a assinatura, pelo presidente Lula (PT), do decreto que cria o Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos (Pronara). O Pronara, elaborado em 2014, foi resultado de ampla mobilização da sociedade civil na busca de políticas públicas de enfrentamento aos impactos dos agrotóxicos e de promoção da agroecologia.

Neste sentido, também destacou a importância do Projeto de Agroecologia do Sintrajufe/RS, criado em 2021 e que tem, entre seus objetivos, possibilitar para o conjunto da categoria acesso a informações, debates e espaços que contribuam para fortalecer uma visão crítica que se preocupe com questões relacionadas à qualidade dos alimentos, promoção da saúde tanto dos trabalhadores como dos consumidores e na construção de modelos de produção e de sociedade alinhados a direitos constitucionais fundamentais, como o trabalho digno e a defesa da vida.