SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

FACES DA MESMA MOEDA

Congresso que acaba de votar déficit zero em 2024 do arcabouço pode abrir mão de cerca de R$ 20 bi em renúncias fiscais; estrangulamento de receita prepara o terreno da votação da PEC 32, entenda

A desoneração da folha de pagamento de 17 setores avança na Câmara dos Deputados ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre o governo para reduzir as despesas com serviços públicos e programas sociais. O anúncio do iní­cio da semana, de que haveria somente R$ 1,5 bi para reposição das perdas salariais dos servidores do Executivo federal faz parte desse cenário de estrangulamento das fontes de recursos para atender as demandas da população. Enquanto isso, Lira aproveita a falta de recursos para, por bem ou por mal , forçar a votação da PEC 32 (da reforma administrativa), em nome da falta de dinheiro .

O projeto de lei da desoneração teve urgência aprovada nessa terça-feira, 29, e pode ser votado já nesta quarta, 30. Conforme reportagem do site Congresso em Foco, a discussão encontra certa dificuldade por conta de uma emenda, acrescentada no Senado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA), que também desonera a folha de municí­pios. A emenda é voltada a municí­pios com população inferior a 142 mil, que chegam a 3 mil e que poderão ter a alí­quota da contribuição previdenciária sobre a folha de salários reduzida de 20% para 8%.

Entenda

A desoneração da folha é um mecanismo que permite às empresas dos setores beneficiados pagarem alí­quotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20% sobre a folha de salários. Não há garantia de criação de novos postos de trabalho ligada a esta proposta. Essa permissão foi introduzida há 12 anos para algumas áreas e há dez anos já abrange todos os setores hoje incluí­dos. A desoneração alcança 17 setores da economia e, apenas no ano passado, quando já vigia, custou R$ 9,2 bilhões à União. O custo pode aumentar com a emenda relacionada aos municí­pios: conforme estimativa do jornal O Estado de S. Paulo, essa medida pode custar mais R$ 11 bilhões aos cofres públicos, totalizando cerca de R$ 20 bi em apenas um ano, segundo fontes da imprensa.

Os 17 setores beneficiados são os seguintes: Confecção e vestuário, Calçados, Construção civil, Call center, Comunicação, Empresas de construção e obras de infraestrutura, Couro, Fabricação de veí­culos e carroçarias, Máquinas e equipamentos, Proteí­na animal, Têxtil, Tecnologia da Informação (TI), Tecnologia de Comunicação (TIC), Projeto de circuitos integrados, Transporte metroferroviário de passageiros, Transporte rodoviário coletivo, Transporte rodoviário de cargas.