SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

FORA BOLSONARO

Ato em Porto Alegre, com presença do Sintrajufe/RS, afirma luta pelo fim do governo e denuncia PEC 32; Bolsonaro, em Brasí­lia e São Paulo, repete discurso golpista

O feriado de 7 de setembro foi dia de mobilização contra o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) em todo o paí­s. Na luta pelo fim do governo, centrais sindicais, sindicatos e movimentos populares denunciaram também os ataques de Bolsonaro aos serviços públicos e responderam aos atos de setores bolsonaristas que levaram às ruas pautas contra a democracia. Em Porto Alegre, o Sintrajufe/RS participou da mobilização.

Mesmo com chuva, os e as porto-alegrenses realizaram a 27ª edição do Grito dos Excluí­dos e Excluí­das. A manifestação estava marcada para o Parque da Redenção, mas, por conta do mau tempo, foi transferida para o Viaduto Brooklin, na avenida João Pessoa. Após ato ecumênico no final da manhã, o ato público começou no iní­cio da tarde, com intervenções de lideranças.

As entidades levaram cruzes para lembrar as quase 600 mil vidas perdidas na pandemia por culpa da polí­tica genocida de Bolsonaro e denunciaram o aumento do desemprego e da fome no paí­s. Também fizeram crí­ticas à reforma administrativa (PEC 32/2020), em tramitação no Congresso e que pode destruir os serviços públicos. Houve também manifestações de povos indí­genas que cantaram e protestaram contra a tese do marco temporal, que está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), e em defesa da demarcação dos territórios.

Em Brasí­lia e São Paulo, Bolsonaro voltou a fazer ameaças à democracia e às instituições. O presidente atacou o sistema eleitoral brasileiro, integrantes do STF e governadores e prefeitos que tomaram medidas de combate à pandemia. Bolsonaro dirigiu os principais ataques ao ministro do STF Alexandre de Moraes, e afirmou que não irá cumprir decisões dele. Disse, ainda, referindo-se ao Supremo e a Moraes, que ou o chefe desse poder enquadra o seu ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos .

Além de Porto Alegre, atos pelo Fora Bolsonaro foram realizados em cerca de duzentas outras cidades em todo o paí­s. Nas capitais e no interior, milhares de pessoas estiveram mobilizadas pelo fim do atual governo e por polí­ticas de combate ao desemprego e à fome. 

Para a diretora do Sintrajufe/RS Cristina Viana, que participou da mobilização em Porto Alegre, apesar da chuva forte, o ato foi positivo para reafirmar que seguiremos na luta para derrubar esse governo que não tem olhos para a população e somente para o mercado que o sustenta, e que agora já está bastante abalado. Seguiremos resistindo e avançando para construir um paí­s melhor de se viver. Só com união de todos e todas que se alinham com essa posição isso será possí­vel .

Outro diretor do Sintrajufe/RS presente no ato foi Paulo Guadagnin, que avalia que com esse 7 de setembro, fica cada vez mais claro que os trabalhadores são a única força que realmente pode se contrapor a esse governo. Por isso a importância de estarmos na rua lutando contra essa polí­tica genocida e de destruição dos direitos, como é o caso da reforma administrativa. A presença da direção e de colegas da base do Sintrajufe tem sido amplamente reconhecida pelos demais sindicatos e movimentos sociais como um importante ponto de apoio na luta. Isso nos dá a certeza que estamos certos em chamar a categoria para também ir às ruas e lutar pelo fim do governo de Bolsonaro e seus generais .

Mara Weber, também diretora do Sintrajufe/RS, aponta que o Grito dos Excluí­dos é um momento muito importante de afirmação da luta. E neste ano foi mais importante ainda, porque temos um enfrentamento fundamental para a nossa sobrevivência, o enfrentamento do projeto do Bolsonaro, do bolsonarismo e da extrema-direita e do ˜centrão™, que estão se apoiando nesse governo para ˜passar a boiada™, para passar a destruição do meio ambiente, do serviço público. Também esteve presente o enfrentamento aos discursos de ódio, racistas, homofóbicos, patriarcais. Então, contamos ontem com as mulheres, o movimento negro, a juventude, com a defesa da educação, dos serviços públicos, da democraciaporque, sem democracia, a classe trabalhadora não consegue avançar. E, aqui no RS, precisamos de muita força para manter o ato, em função do clima, mas valeu a pena estar lá, compartilhar da força, da solidariedade, e de esperança para o futuro com um Brasil melhor. Foi um momento muito forte da resistência e da luta contra as atrocidades do governo Bolsonaro. Fora Bolsonaro! Por democracia, por serviços públicos de qualidade, por um Brasil melhor! .

Marcelo Carlini, diretor do Sintrajufe/RS e da CUT/RS, afirmou que “não sabemos se o STF reagirá à altura. Não o fez antes, não sei se fará agora, apesar da declaração inequí­voca de Bolsonaro sobre não cumprir ordens judiciais. Percebo também que a linha do STF, dos partidos da direita, mesmo da Globo é tentar domar Bolsonaro até 2022 enquanto eles buscam sua própria alternativa. De nossa parte, não podemos aguardar. O paí­s não merece mais um ano desse governo, seguiremos a luta pelo seu fim, seguiremos a luta contra a PEC 32.”

Para o diretor do Sintrajufe/RS Zé Oliveira, o Grito dos Excluí­dos, manifestação realizada há décadas, em 7 de setembro de 2021, teve dois ingredientes muito importantes. Em primeiro lugar, os movimentos social e sindical, as centrais sindicais e os partidos polí­ticos, estavam nas ruas em defesa da democracia e contra a postura autoritária e os ataques às instituições verbalizados por Bolsonaro. Em segundo lugar, foi mais um momento de reforçar a luta em defesa dos serviços públicos e contra a PEC 32 do governo Bolsonaro na pauta geral. Assim, o Fora Bolsonaro, cada vez mais, é um movimento que agrega a defesa da democracia e dos direitos. O Grito dos Excluí­dos, mesmo com a chuvarada em Porto Alegre, foi mais uma etapa nesta luta .

A colega Vania Damin, da Justiça do Trabalho, também esteve presente no ato, e conta que foi à manifestação na luta por direitos, em defesa da democracia e contra a PEC 32, que reduz o Estado e afetará a prestação de polí­ticas e serviços públicos com enorme prejuí­zo à população brasileira e aos servidores e servidoras públicas. A reforma administrativa só é boa para o capital e para o ˜mercado™, prejudica o paí­s e só fortalece os piores polí­ticos , denuncia.

Luta contra a reforma continua

Para as próximas semanas, centrais sindicais, sindicatos e movimentos populares definiram um calendário de mobilizações no enfrentamento à reforma administrativa, que pode ser votada na Câmara dos Deputados já nos próximos dias. Veja abaixo:

10/09Live das centrais sindicais, às 18h, com participação de parlamentares

13 e 14/09Atividades nos aeroportos de partida dos parlamentares e na chegada a Brasí­lia;

14/09Dia Nacional de Luta, com atos nos estados e municí­pios concentrados na pressão aos parlamentares que se declaram indecisos ou a favor da reforma; ato em Brasí­lia organizado pelas centrais sindicais com representação das diversas entidades nacionais de servidores.