SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

PRáTICA ANTISSINDICAL

Fenajufe publica moção de repúdio à  decisão do TJ do Maranhão que condenou o Sintrajufe/MA ao pagamento de R$ 3 milhões em danos morais por denúncia de nepotismo

Decisão do Tribunal de Justiça do estado do Maranhão (TJ-MA), transitada em julgado, condena o Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União no Maranhão (Sintrajufe/MA) ao pagamento de R$ 3 milhões por danos morais depois de ter denunciado a prática de nepotismo no TRT da 16ª Região (TRT16). A Fenajufe publica moção de repúdio e afirma que a situação evidencia decisão antissindical que busca não apenas punir e intimidar o Sintrajufe-MA, mas todo o movimento sindical e social no Brasil.

Em 1995, o Sintrajufe/MA deu iní­cio a denúncias de práticas de nepotismo e loteamento polí­tico de cargos e uso indevido de recursos públicos no TRT16; com isso, os dirigentes da entidade sindical enfrentaram ameaças e perseguições ao longo dos anos. O ex-diretor do sindicato Paulo Rios, dirigente histórico do sindicalismo brasileiro e da Fenajufe, í  época no comando das denúncias, foi agredido e sofreu todo tipo de retaliação por parte da administração do tribunal, sendo demitido do cargo público e reintegrado depois de 11 anos.

As denúncias do Sintrajufe/MA foram comprovadas pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União e resultaram na demissão de apadrinhados polí­ticos e parentes de magistrados, causando ira na gestão daquele tribunal, que entrou com uma ação contra o sindicato.

A luta do Sintrajufe/MA contribuiu para a edição da resolução 7 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da resolução 7 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e da súmula vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiram, definitivamente, o nepotismo em todo o serviço público brasileiro, marcando uma vitória histórica. Ainda assim, denuncia a Fenajufe, o ex-presidente do TRT16 Alcebí­ades Tavares Dantas conseguiu, por meio do corporativismo da magistratura, a condenação do sindicato por danos morais em uma batalha que se arrastou por todos esses anos .

Com indignação, a Fenajufe e sindicatos filiados presentes na XXIII Plenária Nacional repudiaram a decisão do TJ/MA por negligenciar a luta legí­tima das organizações sindicais, por desrespeitar o direito à  liberdade sindical e por entender que tal sentença só reforça as práticas antissindicais nas administrações públicas.

Moção de repúdio í  decisão antissindical do TJ Maranhão contra o Sintrajufe/MA por combater o nepotismo, o loteamento de cargos e uso indevido de recursos públicos

1A luta do Sintrajufe/MA contra o nepotismo por meio do loteamento de cargos públicos entre parentes de magistrados ganhou projeção a partir de março de 1995, com a demissão do então diretor da entidade, e ex-diretor da Fenajufe Paulo Rios, após graves denúncias do sindicato, prontamente acatadas pelo Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União.

2As denúncias demonstravam a existência de nepotismo, loteamento polí­tico de cargos e uso indevido de recursos públicos, além da contratação de funcionários fantasmas, abuso do uso de diárias dos comissionados, entre outras irregularidades ligadas ao então presidente do TRT16 Alcebí­ades Tavares Dantas. Após uma série de investigações do MPF e TCU, foi determinada a demissão de todos os parentes e apadrinhados polí­ticos dos magistrados.

3Neste perí­odo, o Sintrajufe-MA e seus dirigentes foram alvo dos mais diversos tipos de ameaças e perseguições, inclusive com a absurda agressão sofrida por Paulo Rios no elevador do TRT, praticada pelo presidente do tribunal, desembargador Alcebí­ades Tavares Dantas. A perseguição contra Paulo Rios gerou uma grande reação do movimento sindical nacionalmente. Após 11 anos, sua reintegração foi determinada liminarmente pelo juiz substituto da 6.ª Vara Federal de São Luí­s do Maranhão. A luta polí­tica e jurí­dica continuou, com a vitória dos trabalhadores em 2012 por meio da decisão do TRF1 determinando a reintegração em definitivo de Paulo Rios.

Mesmo com os fatos comprovando a veracidade das denúncias do Sintrajufe-MA, o ex-presidente do Tribunal processou o sindicato e obteve vitória judicial

4A exemplar e dura luta do Sintrajufe/MA teve um saldo vitorioso, levando os órgãos competentes a determinarem o afastamento de parentes e fantasmas lotados na Justiça do Trabalho maranhense. Mas foi além disso, pois culminou em uma polí­tica nacional, começando em outubro de 2005 com a Resolução nº 07, do Conselho Nacional de Justiça, que vedou a prática de nepotismo no âmbito de todos os órgãos do Poder Judiciário.

5Seguindo os passos do CNJ, o Conselho Nacional do Ministério Público também aprovou a Resolução n.º 07, de abril de 2006, proibindo a prática de nepotismo no âmbito de qualquer dos órgãos dos Ministérios Público Federal e Estadual. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal ampliou as vedações ao nepotismo, previstas nas resoluções do CNJ e CNMP, para todo o serviço público federal, estadual e municipal, a partir da Súmula Vinculante n.º 13 do STF, de agosto de 2008, marcando o ápice da vitória da luta iniciada pelo Sintrajufe/MA, assumida pela Fenajufe e todos os Sindicatos do Judiciário na década de 1990, garantindo medidas que proibiram definitivamente o nepotismo em todas a Justiça Brasileira.

6Mesmo com estes feitos históricos, o ex-presidente do TRT16 conseguiu, por meio do corporativismo da magistratura, a condenação do sindicato por danos morais em uma batalha que se arrastou por longos anos. A decisão, transitada em julgado, alcança valor que ultrapassa R$ 3 milhões, contra a qual o sindicato moveu uma ação rescisória, que se encontra no Supremo Tribunal Federal e pode mudar este cenário, revertendo a punição ao sindicato. É uma evidente decisão antissindical, buscando não apenas punir e intimidar o Sintrajufe/MA, mas todo o movimento sindical e social no Brasil.

Todo apoio ao Sintrajufe/MA: além do repúdio, precisamos construir uma campanha nacional de solidariedade ao sindicato

7É fundamental que todos os sindicatos de base da nossa federação, e a Fenajufe enquanto entidade, se somem na construção de uma campanha nacional de solidariedade ao Sintrajufe/MA.

8Esta história exemplar de luta deve ser contada, assim como a denúncia deste ataque ao movimento sindical brasileiro, em todos os locais possí­veis. Para deter a tentativa de setores da cúpula do Poder Judiciário de destruir uma entidade sindical que foi decisiva na luta contra o nepotismo e uma série de outros abusos e crimes.

9A XXIII Plenária Nacional da Fenajufe, realizada em Belém do Pará, também presta a sua homenagem ao grande lutador Paulo Rios. Um dirigente histórico do sindicalismo brasileiro e de nossa federação, que hoje se encontra adoecido, cuja atuação foi essencial nas lutas em defesa das pautas de nossa categoria e do conjunto da classe trabalhadora.

Fonte: Fenajufe