SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

CANCELA A REFORMA

Quem vem primeiro, a PEC dos Precatórios ou a reforma administrativa? No balcão de negócios, voto na PEC 32 vale R$ 20 milhões

Segundo setores da imprensa, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pode colocar a PEC dos Precatórios para andar na frente da reforma administrativa, devido à dificuldade de conseguir os 308 votos necessários para aprovação da PEC 32/2020. Além dessas, o governo também corre contra o relógio para aprovar a proposta de emenda à Constituição que altera o Imposto de Renda. Nas discussões, sobressai o interesse no aumento de gastos com emendas parlamentares, muitas delas com pouca transparência quanto a aprovação e destinação – é o caso da investigação da Polí­cia Federal sobre o “feirão de emendas”, no qual parlamentares estariam cobrando comissão para indicar recursos do Orçamento a uma determinada prefeitura.

De acordo com o Broadcast Polí­tico, do Grupo Estado, a avaliação é que o ambiente para a PEC dos Precatórios está mais favorável do que para a aprovação da reforma administrativa. Mas as duas propostas enfrentam resistências de diferentes segmentos.

Servidores, servidoras e sindicatos vêm pressionando os parlamentares para barrar a reforma administrativa. Por outro lado, recentemente, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, na presença de outras 25 entidades empresariais, afirmou que “o momento é inoportuno [para a reforma tributária], deverí­amos discutir o corte e a redução de gastos, de desperdí­cios. Por isso, a prioridade deve ser a Reforma Administrativa”. A cobrança do empresariado pela reforma, que vai significar o desmonte do Estado, vem se repetindo desde a apresentação da PEC 32, no ano passado.

A PEC dos Precatórios é cercada de questionamentos também na base do governo. O relatório aprovado na Comissão Especial propõe limitar o pagamento das sentenças judiciais ao teto de gastos corrigido pela inflação desde 2016, o que diminuiria a programação de R$ 89,1 bilhões para R$ 40 bilhões no Orçamento de 2022, abrindo um espaço de aproximadamente R$ 50 bilhões (que poderiam ser usados em obras em ano eleitoral e destinados a emendas parlamentares).

Lí­deres partidários lembram que a proposta dos precatórios pode passar na comissão especial na próxima semana, mas só tem condições de ser aprovada em plenário se houver um acordo com a oposição, que, por sua vez, trabalha para derrotar a reforma administrativa.

De olho nas eleições, Bolsonaro aposta no Auxí­lio Brasil para não perder ainda mais apoio

Faltam apenas 18 dias para o fim do auxí­lio emergencial concedido durante a pandemia de Covid-19. Em reuniões internas e com representantes do mercado financeiro, auxiliares do ministro da Economia, Paulo Guedes, disseram que não haverá assinatura de crédito extraordinário para prorrogação do auxí­lio. Integrantes da equipe econômica dizem que isso seria populismo fiscal . A fome que assola milhões de brasileiros, obviamente, não está entre as prioridades da equipe econômica.

Por outro lado, as despesas com o auxí­lio, se prorrogado, ficariam fora do teto de gastos. Com isso, na prática, haveria mais espaço no orçamento para liberação de recursos para as emendas parlamentares. Isso é visto como um apelo para a medida avançar e se soma aos R$ 50 bilhões liberados pela limitação no pagamento dos precatórios. Ou seja, entre a prorrogação do auxí­lio emergencial e a PEC dos precatórios, já se abririam R$ 100 bilhões no orçamento em ano eleitoral.

Bolsonaro entre a cruz e a espada, seu tempo está acabando

Em meio à grave crise econômica, que jogou milhões na miséria por conta da polí­tica recessiva do próprio governo, acentuada pela pandemia, Jair Bolsonaro (sem partido) não quer que o auxí­lio seja interrompido sem a aprovação do Auxí­lio Brasil. O programa, criado para substituir o Bolsa Famí­lia, aponta como fonte de recursos justamente o Imposto de Renda. A PEC que modifica o IR não está avançando no Senado, e um dos principais empecilhos é justamente a vinculação com o novo benefí­cio.

O governo já enviou uma medida provisória que acaba com o Bolsa Famí­lia e cria o Auxí­lio Brasil, mas o texto não definiu o valor do novo benefí­cio. Se o governo quiser manter a ideia inicial de criar o Auxí­lio Brasil como um programa permanente, que seria a marca do governo Bolsonaro com vistas às eleições de 2022, precisa começar a pagar o benefí­cio já em dezembro. A Lei Eleitoral impede a criação de novos programas no próprio ano das eleições.

O governo está diante de um cenário de incerteza. Persistem as enormes dificuldades em aprovar a reforma administrativa este ano na Câmara ao mesmo tempo em que tenta manter alguma chance para 2022 junto à população mais carente, cada vez mais dependente de recursos do governo pelo avanço da fome e do desemprego. Contudo, isso coloca dúvidas no “mercado” sobre sua capacidade de manter o ajuste fiscal. Não bastasse isso, sua base parlamentar venal atrás de emendas joga seu próprio jogo e tem seus próprios interesses. E não é demais lembrar que, no balcão de negócios do Congresso, o governo e aliados estão oferecendo R$ 20 milhões por emenda parlamentar para quem votar a favor da PEC 32/2020.

Fonte: Estado de Minas, Valor, Estadão