SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

REFORMA ADMINISTRATIVA

Saiba como votaram na reforma administrativa os deputados gaúchos que fazem parte da CCJ e entenda a tramitação a partir de agora

Na última terça-feiram, 25, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados votou pela admissibilidade da proposta de reforma administrativa (PEC 32/2020) enviada pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Foram, no total, 39 votos favoráveis e 26 votos contrários. Mas como votaram os representantes do Rio Grande do Sul? A favor da PEC e contra os serviços públicos? Ou contra a PEC e a favor dos trabalhadores e trabalhadoras?

Oito deputados e deputadas do Rio Grande do Sul integram a CCJ da Câmara. Conforme já haviam informado ao Sintrajufe/RS e como têm se posicionado reiteradamente, as deputadas Fernanda Melchionna (Psol) e Maria do Rosário (PT) e o deputado Pompeu de Mattos (PDT) votaram contra a reforma, ao lado dos servidores e servidoras e de todos e todas que precisam dos serviços públicos. Por outro lado, Lucas Redecker (PSDB), Giovani Cherini (PR), Márcio Biolchi (MDB) e Marcelo Moraes (PTB) votaram a favor da PEC e contra os trabalhadores e trabalhadoras. O deputado Maurí­cio Dziedricki (PTB) é suplente e não votou.

Tramitação

A próxima etapa da tramitação da PEC será sua passagem por uma Comissão Especial, ainda não criada, que será montada especificamente para debater a proposta. Na CCJ, foi analisada a adequação da PEC à Constituição; na Comissão Especial, deverá ser analisado seu mérito. Após a publicação do ato de criação da Comissão Especial, os lí­deres partidários indicarão seus membros, a Comissão será instalada e serão eleitos o presidente e o relator. Conforme a Queiroz Assessoria, que presta assessoria parlamentar ao Sintrajufe/RS, deverão ser escolhidos presidente o deputado Fernando Monteiro (PP-PE) e relator o deputado Arthur Oliveira Maia (DEM-BA).

A Comissão terá até 40 sessões para analisar o mérito da proposta. Nas primeiras dez sessões, poderão ser apresentadas emendaspara serem apresentadas, devem ser subscritas por pelo menos 171 deputados. O relator possui ampla autonomia para modificar o texto sem a necessidade de apoiamento mí­nimo dos seus pares. Nesse caso, ele poderia acrescentar diversas emendas ou mesmo oferecer um substitutivo ao texto original. A Comissão também poderá realizar audiências públicas e, nos primeiros dez dias, deve definir o cronograma de trabalho. Após o fim do prazo para as emendas, o relator deve apresentar seu parecer, cabendo pedido de vista por duas sessões.

Há risco, porém, de que, por decisão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a PEC possa ser apensada a outra matéria, que esteja pronta para a pauta em Plenário. Caso isso aconteça, a reforma administrativa pode ir a Plenário diretamente, sem passar pela Comissão Especial. Na Comissão Especial, o quórum de aprovação é maioria simples, desde que votantes a maioria absoluta do colegiado. Caso a PEC seja aprovada, vai ao Plenário.

Se a PEC for aprovada na Comissão Especial, haverá espaço de duas sessões até o iní­cio da discussão no Plenário da Câmara. Para ser aprovada na Casa, a PEC precisa receber ao menos 308 votos favoráveis, duas vezes, em dois turnos diferentes de votação, com espaçamento de cinco sessões entre um e outro. Antes da votação em primeiro turno, poderão ser apresentadas emendas aglutinativas (fusão de texto já existente) e Destaques para Votação em Separado (DVS), meio pelo qual emendas não acolhidas poderão ser resgatadas e dispositivos poderão ser suprimidos. Após o primeiro turno e antes do segundo, caso o texto seja aprovado na primeira votação, a matéria retornará à Comissão Especial para a confecção e votação da redação que será, então, enviada para debate em Plenário no segundo turno. Em 2º turno, somente poderão ser apresentados DVSs com objetivo de suprimir texto ou dispositivos. Caso seja aprovada na Câmara, a matéria seguirá para análise do Senado.

No dia 29, todos e todas às ruas

Não há outro caminho para derrotar a reforma a não ser a mobilização. O governo vem recuando em alguns pontos, mas é necessário derrotar a proposta na í­ntegra para defender os serviços públicos. Os recuos mostram que isso é possí­vel e que Bolsonaro e Guedes encontram dificuldades para aprovar a PEC. Para impedir o desmonte, trabalhadores e trabalhadoras precisam mobilizar-se. Nesta quarta-feira, 26, o Sintrajufe/RS participou de ato público contra a reforma, em Porto Alegre. Foi uma preparação para a mobilização nacional marcada para o próximo sábado, 29. Toda a categoria está convocada a participar da atividade em Porto Alegre, que terá iní­cio às 15h, em frente à Prefeitura. Haverá mobilizações também em diversas capitais e no interior em todo o paí­s. Além da luta contra a reforma administrativa, estarão em pauta a defesa de vacina gratuita e pelo SUS para todos e todas, auxí­lio emergencial de R$ 600 e a luta pelo fim do governo Bolsonaro.