O Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União do RS (Sintrajufe), através do Núcleo de Pessoas com Deficiência e do Núcleo de Mulheres, vem apresentar NOTA DE REPúDIO aos humoristas Dihh Lopes e Abner Henrique, que feriram a dignidade humana das pessoas com deficiência, principalmente as mulheres, através de pseudo piadas de extremas vileza e crueldade.
Durante a exibição do programa Piadas para a família , veiculado no Youtube, em outubro de 2019, e reexibido nesta semana, os comediantes disseram que o bom de transar com uma deficiente mental é que ela não fala, só geme implicando em certeza de impunidade. Além disso, no decorrer do vídeo, foram realizados inúmeros ataques revestidos de piadas. Isto logo após a apresentação do 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública que aponta um recorde no aumento de casos de estupro no Brasil.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, 17% das vítimas conhecidas de violência sexual são pessoas com deficiência intelectual. Contudo, esse número é maior, já que, no Brasil, esse tipo de violência é subnotificado. No caso brasileiro, a última pesquisa nacional de vitimização estimou que cerca de 7,5% das vítimas de violência sexual notificam a polícia. O estímulo à violência sexual contra mulheres e crianças com deficiência é ainda mais alarmante pela falta de acesso das vítimas aos equipamentos públicos como delegacias ou unidades de saúde acessíveis.
Repudiamos a discriminação em razão de deficiência, e especialmente, os ataques à dignidade humana. Esses “humoristas”, com suas piadas sobre deficiência, prestam o desserviço de difundir ideias que induzem seus milhares de seguidores a considerarem “normal” ridicularizar e agredir pessoas com deficiência. E, o que é pior desse espetáculo de desrespeito: em uma das piadas dizem que mulheres com deficiência intelectual são boas para fazer sexo porque não falam, só gemem.
Porém, fazer sexo com uma pessoa que não tem condições de consentir com a prática de tal ato, é estupro presumido.
Portanto os autodeclarados humoristas praticaram apologia do estupro, com o agravante de ser contra vulneráveis. E isso acontece num período de quarentena, em que já se registra um aumento extremo nos casos de violência doméstica, inclusive estupros de mulheres e vulneráveis como crianças e pessoas com deficiência mental ou qualquer outra forma de deficiência que a impeça de protestar ou denunciar. Numa situação como essa, em que as famílias estão em resguardo, muitas sem sequer contato virtual com o mundo exterior que lhe possibilite denunciar ou pedir ajuda, é chocante o nível de crueldade do referido programa, e é revoltante que recorram à desculpa da zoação para normalizar estes tipos de crime.
O Sintrajufe repudia este atentado contra a dignidade de mulheres e pessoas com deficiência por afrontar a luta diária para vencer as barreiras – culturais, morais e até arquitetônicas – que são impostas pela sociedade. Uma luta contra uma visão de mundo que discrimina, minimiza e agride PCDs e mulheres, e consideramos forçoso denunciar atitudes que estimulam o preconceito e a violência.
Repudiamos o capacitismo. Repudiamos a violência contra vulneráveis. Repudiamos a violência sexual.









