SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Corte de salários de novo no radar: Rodrigo Maia volta a defender confisco salarial de todos os Poderes

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou, nos últimos dias, a defender cortes salariais de servidores e servidoras de todos os Poderes como forma de gerar recursos para combater a crise sanitária e econômica gerada pela pandemia do novo coronaví­rus. Maia quer que os trabalhadores esqueçam que ele próprio e o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) já defendiam esse confisco muito antes da pandemia, na proposta de emenda à Constituição 186/2019. Agora, utilizam a crise como pretexto para tentar implementar sua agenda de desmonte dos serviços públicos.

Durante videoconferência realizada pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Maia foi claro em suas intenções: Os poderes são independentes. Não dá para fazer demagogia. Mas acho que esse debate é importante e ele virá. Todos aqueles com salários maiores nos três Poderes, em algum momento, vão ter de compreender e dar uma contribuição . Disse, ainda, que é preciso que o Executivo apresente a proposta para que seja debatida junto às bancadas. Maia não quer carregar o ônus de atacar os servidores, especialmente em um momento no qual os serviços públicos se mostram tão necessários, mas não abre mão da polí­tica de desmonte.

Mesmo que mais polido do que o Partido Novo, que saiu às pressas apresentando uma tabela de redução de salários em emenda ao “Orçamento de Guerra”, o discurso de Maia de que todos têm que dar sua cota de sacrifí­cio só tem um motivo: esconder o fato de que os super ricos estão protegidos e não aceitam ter seu patrimônio taxado para impedir o caos sanitário e social.

Reforma da previdência e congelamento da tabela do IR já foram confisco

As propostas de confisco salarial que chegam de Maia, Bolsonaro e Paulo Guedes e são celebradas em setores dos meios de comunicação, além de não serem efetivamente desencadeadas pelo coronaví­rus, não são isoladas. Medidas que, na prática, reduzem os salários, já foram aplicadas nos últimos meses e encurtaram a corda financeira de servidores e de suas famí­lias. São os casos, por exemplo, do aumento da alí­quota previdenciária (a partir da reforma da Previdência de Bolsonaro) e da decisão do governo de não corrigir a tabela do Imposto de Renda. Ou seja: por todos os lados, o governo e seus aliados buscam atacar os salários dos servidores e das servidoras para que sobre mais dinheiro a ser destinado ao mercado financeiro, aos especuladores e banqueiros.

Demissões e suspensão de contratos no setor privado

Os defensores da destruição dos direitos dos trabalhadores, estejam estes no setor público ou no privado, buscam aproveitar o momento de crise para, utilizando a pandemia como pretexto, consolidar seus projetos de redirecionamento de recursos da classe trabalhadora para os bolsos dos mais ricos. Já muito antes da pandemia, buscavam formas de acabar com a estabilidade dos servidores públicos, reduzir nossos salários e deixar a população ainda mais desassistida dos serviços que o Estado deve oferecer e dos direitos que deve garantir. Diversos projetos e propostas nesse sentido já tramitavam, fortalecidas pela emenda constitucional 95/2016, de Michel Temer (MDB), que congelou os investimentos públicos.

Ao mesmo tempo, no setor privado, os direitos eram roubados dos trabalhadores com a reforma trabalhista. Um importante aparato protetivo foi retirado do dia para a noite, sem debate com a sociedade, para beneficiar o grande empresariado, que queria ampliar seus lucros às custas dos trabalhadores e das trabalhadoras, reduzindo os custos de produção e ampliando a exploração. A pandemia tem servido como desculpa para aprofundar esse processo, com a chancela do governo de Bolsonaro e Guedes.  A medida provisória 936/2020, publicada em 1º de abril, já resultou na suspensão de um milhão de contratos de trabalho e, segundo o ministério da Economia, essa contagem deve chegar a quase 25 milhões. São 25 milhões de famí­lias que perderão sua fonte de renda para que os mais ricos não percam seus lucros astronômicos. Ao mesmo tempo, as demissões em massa se multiplicam nas grandes indústrias, como a calçadista e a metalúrgica.

É possí­vel resistir à crise sem jogar milhões na miséria

Tanto para o enfrentamento à crise sanitária e econômica quanto para a saúde financeira do Estado, há diversos caminhos que não ferem os trabalhadores, mas que são recusados pelo governo. A revogação da emenda constitucional 95/2016 é um exemplo disso: a medida já retirou R$ 20 bilhões do SUS, fora os prejuí­zos para outras áreas fundamentais de enfrentamento à crise de saúde e a proibição dos investimentos estatais que seriam necessários para estimular a economia. A taxação das grandes fortunas é outra medida fundamentaljuntamente com outras alterações tributárias sugeridas pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), poderia ampliar a arrecadação em R$ 272 bilhões.

Essas e outras alternativas, no entanto, são recusadas por Maia, Bolsonaro, Guedes e pelos grandes empresários e especuladores. Isso porque suas reais motivações não passam por enfrentar a crise (a não ser no que se refere a proteger seus lucros), e sim por aproveitá-la para abrir um caminho ainda mais cruel para a superexploração dos trabalhadores e das trabalhadoras e para o desmonte do aparato público e legal de proteção aos direitos.