SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

O Globo: editorial para a lata de lixo

O Brasil é um dos paí­ses mais desiguais do mundo. É vice-campeão da pior distribuição de renda, perde somente para o Catar.

Essa desigualdade NÃO está entre os trabalhadores do serviço público e os do setor privado. Não está entre a maioria dos servidores e os milhões de desempregados, desalentados, trabalhadores informais e desregulamentados.

A desigualdade está entre a massa da populaçãoaí­ incluí­da a ampla classe média, da qual faz parte o funcionalismo públicoe os 206 brasileiros bilionários cujo patrimônio soma mais de R$ 1 trilhão.

A famí­lia que é dona do jornal O Globo está entre os bilionários.

São esses privilegiadoscomo mostram as estatí­sticas – que se beneficiam da “austeridade fiscal” que é o mantra para retirar direitos dos trabalhadores, cortar nos serviços públicos e reduzir investimentos.

Essa polí­tica criminosasempre defendida com unhas e dentes pelo O Globo – é a responsável pela existência hoje, no Brasil, de 12 milhões de desempregados, quase 40 milhões de trabalhadores informais e outros milhões de desalentados.

É a responsável por sucatear os serviços de saúde, por despovoar os hospitais e postos de saúde de pessoal médico e de enfermagem.

Somente uma dessas monstruosidades da “austeridade”, a Emenda Constitucional 95, bloqueou nada menos que 20 bilhões que iriam para o Sistema único de Saúde e que foram para a especulação financeira.

Mas para o editorial do jornal O Globo desta sexta-feira, 20 de março, é do salário dos servidores que deve sair o “dinheiro público para salvar vidas em hospitais, postos de saúde garantir renda a dezenas de milhões de pessoas que vivem na informalidade”.

O Globo também defende que para as empresas sobreviverem é correto “cortar pela metade o salário de seus empregados na mesma proporção da redução da jornada de trabalho”. E conclui pedindo a aprovação da PEC 186 (dita “emergencial”).

Na crise que se instala, se depender do governo que O Globo ajudou a eleger não há como a população ser protegida. E vem O Globo escolher os servidores como alvo com o objetivo de dividir os trabalhadores e colocar os setores populares uns contra os outros. E vem O Globo insistir numa falsa “solução” que vai aumentar a calamidade!

Chega a ser criminoso! Tão criminoso quanto a cúpula do governo bolsonarista voltar dos EUA contaminada pelo coronaví­rus e o próprio Bolsonaro, por sua ação direta, facilitar o contágio da população.

Não existirá segurança sanitária se não houver proteção para toda a população, sem exceção. Por isso, a saí­da é o contrário disso tudo! Os direitos e garantias tem que ser ampliados, não reduzidos!

A classe trabalhadoraempregados registrados, desempregados, trabalhadores informais, vendedores ambulantestem que ser preservada.

Nenhuma demissão. Nenhum corte de salário. Garantia de renda para todos, em particular os setores mais vulneráveis e que foram golpeados pelo crescimento da pobreza nos últimos anos. Nenhuma votação no Congresso que impacte negativamente os serviços público

Por Edison Cardoni, secretário de Assuntos Jurí­dicos, Parlamentares e de Classe da Condsef/Fenadsef; texto publicado originalmente no site da Condsef.

___________________________________________________________________

Editorial de O Globo, 20/3/2020:

Funcionalismo tem de dar a sua contribuição

Se os gastos obrigatórios não forem flexibilizados, dinheiro da saúde irá para folha dos servidores

A pesada carga da cultura de injustiça social que o Brasil carrega emerge e fica visí­vel em momentos em que é preciso decidir sobre a repartição do custo na sociedade de ações duras de correção. No ano passado, a reforma da Previdência contribuiu para expor a existência de dois tipos de brasileiros, classificados pelos regimes de seguridade social: o assalariado do setor privado, cuja aposentadoria obedece ao teto hoje de R$ 6.101, e o servidor público, que sai do serviço ativo ainda jovem e com benefí­cios superiores a R$ 10 mil ou R$ 20 mil, a depender da esfera administrativa em que esteja. A reforma conseguiu acabar com parte do privilégio, mas apenas para os novos servidores, e nem todos.

Como o mundo, o Brasil sofre os efeitos de um ví­rus que, além de adoecer e matar, desemprega, extermina salários, joga as economias no chão. A possibilidade de caos social e humanitário é concreta, se governos e sociedade não agirem com rapidez e de maneira incisiva. O pedido do governo ao Congresso de decretação de estado de calamidade, aprovado ontem na Câmara e a ser chancelado hoje no Senado, dá ao Executivo o espaço que precisa para conduzir as correções.

Diante da rápida e maciça perda de receita das empresas, é preciso agir para que elas sobrevivam. Na quarta, foi anunciado que será proposto que os empregadores possam cortar pela metade o salário de seus funcionários, na mesma proporção da redução da jornada de trabalho. O conceito de que é melhor preservar o emprego e parte da remuneração do que ser demitido é indiscutí­vel.

Na manhã de ontem, no programa Em ponto , da GloboNews, a economista Zeina Latif fez a pergunta: por que não se fala em fazer o mesmo no setor público?” A questão é irrefutável. Ora, se as finanças públicas estão dissolvendo, porque a recessão seca os canais que abastecem o Tesouro de impostos, e é preciso dinheiro público para salvar vidas em hospitais, postos de saúde e garantir alguma renda a dezenas de milhões de pessoas que vivem na informalidade, entre outras, os servidores precisam dar sua contribuição. Eles são um dos maiores itens de despesa nos orçamentos públicos, federal, estaduais e municipais.

Se não, pode ocorrer a situação inaceitável de os bilhões que os estados já pedem, com razão, ao governo federal serem usados para pagar ao funcionalismo ativo e aposentado, que constitui despesa obrigatória, desviando os recursos que seriam para o atendimento às ví­timas do coronaví­rus.

Os assalariados do setor privado, que não têm estabilidade no emprego, abrirão mão de parte do salário em troca do emprego. Enquanto os servidores, estáveis, continuarão intocáveis.

A situação de calamidade é só dos infectados e dos milhões dos assalariados da iniciativa privada. É preciso que o Congresso aprove já a PEC Emergencial, para permitir a correção desta injustiça, agora devido a uma séria crise humanitária no Brasil.