SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Projeto do governo é destruir o Estado brasileiro, afirma palestrante em atividade do Sintrajufe/RS

Nessa quarta-feira, 18, Dia Nacional de Lutas em defesa do serviço público, dos empregos, dos direitos e da democracia, o Sintrajufe/RS promoveu um debate com o jornalista e assessor parlamentar da Fenajufe, Antônio Augusto de Queiroz (Toninho do Diap). O debate A PEC da redução de salários em meio à pandemia do coronaví­rus estava programado para ocorrer na Justiça Federal, dentro da programação desse dia de mobilização. No entanto, devido ao avanço do covid-19 e como maneira de prevenção, o sindicato cancelou as atividades coletivas presenciais, optando pela via virtual, na página no Facebook.

Toninho falou a partir de Brasí­lia, e a mediação, em Porto Alegre, foi feita pelas diretoras do Sintrajufe/RS Arlene Barcellos e Clarice Camargo e pelos diretores Marcelo Carlini, Ramiro López e Zé Oliveira. Durante a transmissão, colegas puderam enviar manifestações e perguntas sobre o tema. A live foi transmitida, também, nas páginas da Fenajufe, do Sisejufe/RJ e do Sindjuf/PA-AP.

A fala de Toninho centrou-se em três matérias que afetam diretamente servidoras e servidores públicos. Duas delas já estão no Congresso Nacional:  o Plano Mais Brasil, mais especificamente a proposta de emenda constitucional (PEC) 186/2019, chamada de PEC Emergencial, que, entre outras coisas, permite a redução da jornada e dos salários em até 25%; e a medida provisória (MP) 922/2020, que muda a regulamentação do trabalho temporário, permitindo, entre outras medidas, a contratação sem concurso e com salários rebaixados. A terceira é a reforma administrativa, que ainda não foi encaminhada ao Congresso.

Toninho foi contundente ao afirmar que, com o Plano Mais Brasil, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) tem um propósito claro, de desmontar o Estado brasileiro ; de reduzir a presença do Estado como provedor de serviços à população. Para ele, o projeto é desregulamentar direitos e regulamentar restrições e, por fim, privatizar os serviços públicos.

Esse projeto não está desvinculado do que vem acontecendo no Brasil nos últimos anos. Pelo contrário, afirma o palestrante, é um aprofundamento da agenda em bases neoliberais iniciada no governo Temer depois da deposição de Dilma Rousseff, a fim de reduzir a presença dos mais pobres no orçamento, a presença dos trabalhadores na renda nacional e aprofundar as desigualdades . As propostas de emenda constitucional e a reforma administrativa fazem parte do mesmo pacto que começou com a emenda constitucional (EC) 95/2015, com o congelamento de investimentos públicos; a reforma trabalhista, que trouxe várias modalidades de trabalho precário; a terceirização generalizada; e a reforma da Previdência, cujas mudanças são sempre em prejuí­zo do segurado . Os servidores já tiveram o primeiro impacto no contracheque deste mês, e isso poderá piorar, com a incidência do teto sobre o salário mí­nimo e contribuição extraordinária. Essa reforma previdenciária foi trágica para os trabalhadores, servidores públicos , concluiu Toninho.

Impacto sobre servidoras e servidores

O palestrante alerta que as PECs, se aprovadas, terão um forte impacto sobre o funcionalismo, no sentido da desorganização administrativa, da fragilização do serviço público, da priorização do pagamento da dí­vida, da falta de isonomia, do enrijecimento do teto de gastos. Há possibilidade de mesmo direitos em curso serem reduzido se seu valor ultrapassar o arrecadado. Elas atacam apenas problemas com despesa, não se preocupam com a eficiência do governo na fiscalização, na arrecadação.

A PEC 186/2019 torna permanente o ajuste determinado pela EC 95/2016, que tem vigência por vinte anos. Engessa o gasto público e determina a suspensão de direitos em três hipóteses: se for ultrapassado o limite de gastos, se for ultrapassado limite da regra de ouro e se for ultrapassado limite de gasto com pessoal. O governo fica impedido de dar aumentos, de reestruturar carreira, majorar auxí­lios, vantagens e benefí­cios, fica proibido de contratar pessoal a qualquer tí­tulo, proí­be que se pague despesa de pessoal em caráter retroativo. E, na forma do substitutivo, permite que fiquem fora algumas carreiras, como a magistratura e as forças armadas. Prevê ainda que os três poderes possam promover a redução de salários e jornada e suspender as progressões automáticas.

Ainda que o governo Bolsonaro não tenha enviado ao Congresso, formalmente, uma proposta de reforma administrativa, ela já está em curso com as medidas que foram encaminhadas no Plano Mais Brasil, afirma o assessor parlamentar. A MP 922/2020 traz pontos que ele considera muito graves , como o caso de que os servidores seriam todos contratados como treinees por três anos, e aqueles o aumento do estágio probatório, chegando a casos em que esses servidores poderiam chegar a dez anos serviço público contratados de forma precárias, incluindo a redução dos salários iniciais.

Emenda 95/2016 deve ser revogada já

Estratégia maquiavélica , assim Antônio Augusto Queiroz define a implementação e os efeitos da EC 95/2016, uma vez que, devido ao engessamento do orçamento, forçará a realocação de recursos para pagamento de benefí­cios previdenciários, esvaziando totalmente o investimento em outras áreas, legitimando a polí­tica de redução do Estado.

Devido a seus efeitos, de engessamento do Estado, a EC 95/2016 precisará ser revogada em algum momento, mas esse momento só vai chegar quando chegar ao andar de cima”, afirma Toninho. Ou seja, quando afetar as camadas mais ricas. Aí­ terá sido tarde , ressalta, pois direitos já terão sido suprimidos. Por isso, ele reforça que é fundamental lutar pela revogação já, antes que seja implementada a agenda em curso.

A pandemia do coronaví­rus mostra a importância do Estado. Se não tivéssemos uma rede de proteção da dimensão do SUS, poderí­amos ter problemas maiores , alerta o assessor parlamentar, afirmando que o Estado é fundamental para a solução dos problemas coletivos . E a EC 95 vai de encontro a essa ideia, uma vez que engessa os gastos governamentais e impede o socorro às pessoas em momentos de calamidade como esse.

A declaração de calamidade pública é desnecessária, no entendimento de Toninho, porque a Constituição autoriza que o governo faça gastos extraordinários. O temor é de o momento de pânico esteja sendo usado para criar Estado de sí­tio, o que autorizaria o presidente da República a tomar medidas de exceção. De qualquer forma, neste momento, a autorização se limita ao enfrentamento ao coronaví­rus. Não pode ser usada para aprovar as PECs em regime de urgência.

Â