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Federação Nacional dos Jornalistas emite nota contra ofensa machista de Bolsonaro a jornalista da Folha de S. Paulo

Na manhã desta terça-feira, 19, Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar uma jornalista, dessa vez de forma machista e misógina. O alvo da vez foi a repórter Patrí­cia Campos Mello, do jornal Folha de S. Paulo. Patrí­cia escreveu a reportagem investigativa que jogou luz sobre o envio em massa de mensagens falsas durante a campanha de Bolsonaro, no ano passado. Na semana passada, Patrí­cia foi atacada por um ex-funcionário de uma empresa de disparo de mensagens digitais, durante a CPMI das Fake News. Agora, Bolsonaro fez coro aos ataques que já haviam partido também de seu filho, Eduardo.

Veja abaixo a nota da Federação Nacional dos Jornalistas:

Num cenário em que o jornalismo profissional tem assumido um ingrato protagonismo nas disputas polí­ticas que ocorrem no Brasil, mais uma vez, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, protagoniza grave episódio de machismo, sexismo e misoginia. Nesta terça-feira (18/02), o mandatário decidiu atacar a repórter Patrí­cia Campos Mello, do jornal Folha de S.Paulo, em pronunciamento com falas de conotação sexual, gravadas em ví­deos transmitidos ao vivo.

A jornalista vem sendo alvo de pesados ataques virtuais dos seguidores do presidente e do próprio clã bolsonarista por seu trabalho de jornalismo investigativo, que denunciou o pagamento, por um grupo de empresários apoiadores de Bolsonaro, para envio em massa de mensagens falsas por meio de aplicativo, na campanha presidencial de 2018.

Na semana passada, a premiada repórter foi novamente atacada nas redes sociais, após mentiras declaradas por um depoente na CPMI das Fake News. Na ocasião, Hans River Nascimento, ex-empregado de uma agência de disparo de mensagens digitais mentiu em depoimento, com declarações de cunho sexista, injuriando a repórter e pondo em xeque seu rigoroso trabalho jornalí­stico.

O filho do presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro, repercutiu as declarações mentirosas sobre a produção da matéria jornalí­stica em sua conta no Twitter e no plenário da Câmara, inflamando os seguidores a alimentarem a rede de ódio contra Patrí­cia na internet.

A partir deste episódio, as mulheres jornalistas desse paí­s também foram ví­timas de viralização de ví­deo, imagens e memes que relacionam a apuração de matérias jornalí­sticas e a produção de notí­cias a troca por sexo. Assim, a pouco mais de duas semanas do 8 de Março, data emblemática da luta feminista, toda uma categoria profissional é atingida pela violência de gênero.

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), mais uma vez, manifesta repúdio ao teor do pronunciamento do presidente e, junto com sua Comissão Nacional de Mulheres, coloca-se como incansável na tarefa de denunciar, tão sistemático quanto forem, os absurdos declarados por Jair Bolsonaro.

Dedicamos nossa solidariedade e atuação sindical, seja no campo polí­tico ou no jurí­dico (em fase de encaminhamento), às mulheres desse paí­s, às mulheres jornalistas, às mulheres trabalhadores, na pessoa de Patrí­cia Campos Mello, na certeza de que não passarão os insultos e ofensas de cunho machista, sexista e misógino. Que nosso grito de repúdio sirva para frear tais comportamentos, vindos de quem quer que seja, sobretudo do mandatário da Nação, que deveria defender toda a população e, sobretudo, as maiorias silenciadas de direitos.

Brasí­lia, 18 de fevereiro de 2020, Comissão Nacional de Mulheres da FENAJ, Federação Nacional dos Jornalistas