SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Sintrajufe/RS participa de 1º Encontro Nacional de Mulheres do PJU e do MPU

No último sábado, 30, ocorreu o 1º Encontro Nacional de Mulheres do Poder Judiciário da União e do Ministério Público da União. Servidoras de todo o paí­s se reuniram em Brasí­lia para debater questões relativas à conjuntura atual, relações de trabalho e questões de gênero como a importância da participação das mulheres nos espaços polí­ticos e sindicais.

O Sintrajufe/RS esteve presente com uma delegação eleita a partir de critérios definidos pela Direção e aprovados no Núcleo de Mulheres do Sintrajufe/RS (NUMAS), a fim de que fosse feita a representação equânime de segmentos: duas negras, uma aposentada, uma mulher LBT, uma mulher aposentada e uma mulher que não se enquadrasse nesses critérios, eleita em conjunto com todas as demais, que não tivessem sido sorteadas nos critérios anteriores. Representando a direção do sindicato, a diretora Clarice Camargo acompanhou a delegação.

No encontro, as servidoras participaram de painéis com conferencistas, se dividiram em grupos de trabalho e encaminharam algumas propostas acerca dos ataques do governo ao serviço público e em relação a questões de gênero e raça. Um dos encaminhamentos é para que a Fenajufe implemente em caráter urgente o coletivo de mulheres para execução das decisões do X CONGREJUFE e, além disso, decidiram por aconselhar os sindicatos para que nas delegações para os eventos da Fenajufe seja observada a paridade de gênero e raça.

A criação de espaços de acolhimento psicológico e assessoria jurí­dica às mulheres nos sindicatos e nos tribunais, para casos de assédio, foi outra pauta dos encaminhamentos, além da realização de um curso de formação anual sobre gênero. Ainda, a necessidade de os sindicatos informarem a população sobre o desmonte do serviço público por parte do governo Bolsonaro (sem partido) também foi debatida no encontro.

Na avaliação da diretora do Sintrajufe/RS Clarice Camargo, temos ainda temas nos quais precisamos avançar a nossa participação. Nossas entidades de base têm que proporcionar isso, e a Federação pode atuar de maneira que favoreça mais a participação feminina. Vemos que muitos problemas são os mesmos de norte a sul, com pequenas variações. Nós somos maioria na categoria e precisamos ter polí­ticas voltadas para as mulheres de forma efetiva.

Integrante da delegação do Sintrajufe/RS e representante LBT, Eduarda conta que foi a primeira vez que ela participou de um encontro nacional e que aprendeu com mulheres de outras regiões do paí­s. Fiz parte de um grupo colorido que luta por liberdade. Trocamos experiências e concordamos que somos a força capaz de abrir mentes e libertá-las dos preconceitos. O governo quer acabar com o funcionalismo público e nós mulheres somos as mais afetadas com a reforma da previdência. Não podemos abrir mão do que já foi conquistado .

Elaine Lidia de Souza Craus, uma das representantes das mulheres negras na delegação, ressalta que o encontro foi um momento valioso de discussão do papel das mulheres na participação social e institucional. A partir dos diversos relatos, tanto das painelistas quanto das participantes, a constatação a que se chega é que ainda somos atingidas por diversos tipos de violência pelo único e exclusivo fato de sermos mulheres . Para a colega Roberta Liana Vieira, também representante das servidoras negras, tanto as palestrantes como as servidoras reunidas em grupo trataram de questões cruciais para a luta sindical e a defesa dos direitos das mulheres dentro e fora do ambiente de trabalho.

Conjuntura e relações de trabalho

O painel de abertura do encontro debateu Conjuntura, relações de trabalho e atuação polí­tica e sindical da mulher , com a economista e pesquisadora da Unicamp Marilane Teixeira. A partir de um panorama histórico do sistema financeiro e das mudanças geradas por governo neoliberais no mundo, como a flexibilização da jornada de trabalho, a precarização das relações de trabalho e a baixa remuneração das trabalhadoras, a economista explicou que o Estado mí­nimo serve apenas ao capital. Não é só um estado mí­nimo, mas sim um estado de privilégios, porque ao mesmo tempo, você retira recursos de programas de polí­ticas públicas, mas mantém intactos os privilégios das forças armadas, por exemplo.

A economista lembrou que a unidade e a ação conjunta são fundamentais para reverter esse cenário. A luta das mulheres não começou agora. Temos um movimento feminista muito forte e capaz, então nós temos que nos aliar com os oprimidos, movimentos sociais, sindicais e de mulheres. Essa luta é nossa.

A professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Espí­rito Santo (Ufes) Juliana Iglesias Melim ressaltou as dificuldades das mulheres de participarem de espaços sindicais por conta do acúmulo de funções, muitas vezes assumindo duplas e triplas jornadas,portanto a reprodução social da vida , sem contrapartidas. A docente também homenageou a estudante e militante quilombola, Elitânia Souza, estudante de Serviço Social da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que foi ví­tima recentemente de feminicí­dio.

Juliana Iglesias Melim citou os dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), na última terça-feira (26), que aponta que 1 de cada 5 mulheres relataram violências fí­sica ou sexual de seus companheiros nos últimos 12 meses. Já no Brasil, segundo a docente, a cada 4 minutos uma mulher sofre violência fí­sica. Em 2018, foram registrados mais de 145 mil casos de violência fí­sica, sexual e psicológica sofridas por mulheres. Além da violência sexual e fí­sica contra as mulheres, a violência também se expressa na desigualdade salarial, nas jornadas extras de trabalho, nos altos í­ndices de desemprego, na falta de acesso à saúde e educação de qualidade, de moradia, às condições dignas de vida, na criminalização do aborto, que condena milhares de mulheres todos os anos .

Violência de gênero

A violência de gênero também foi tema de painel no encontro. Para Danieli Balbi, professora de comunicação e realidade brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é de extrema importância a luta pela emancipação das mulheres em todos os espaços de convivência, principalmente, nos de decisão. O objetivo de um grupo que chega ao poder é se perpetuar neste espaço enquanto detentor de recursos e cooptar entre os perdedores aqueles que constroem o senso comum de validação. O velho mecanismo que chamamos de hegemonia .

Já Samantha Guedes, professora da Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro, no complexo da Penha, lembrou que vivemos um retrocesso muito grande dos nossos direitos. Nós poderí­amos ter tido polí­ticas que não criminalizassem o aborto, o nosso kit contra a homofobia, pois não basta apenas ter uma legislação especí­fica, temos que ter polí­ticas públicas, para termos uma sociedade de fato sem machismo, racismo e lgbtfobia.

(Com informações da Fenajufe)