SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Em seu XXII Encontro Estadual, NAF teve debates sobre conjuntura e consciência negra e atividades lúdicas; nova coordenação também foi eleita

Em seu XXII Encontro Estadual, que ocorreu no dia 21, o Núcleo de Aposentados, Aposentadas e Pensionista do Sintrajufe/RS (NAF) debateu sobre conjuntura e consciência negra. Também houve espaço para dirimir dúvidas jurí­dicas e confraternizar com os colegas e as colegas. Mais de 40 colegas de oito cidades participaram do Encontro.

Veja abaixo ví­deo sobre a importância de participar do NAF:

As diretoras do Sintrajufe/RS Clarice Ribeiro Camargo e Arlene Barcellos (também coordenadora do NAF) e a coordenadora do Núcleo íria Edinger deram iní­cio ao Encontro, juntamente com advogados representantes do escritório Silveira Martins Hübner Advogados, responsável pela assessoria jurí­dica do sindicato. Os advogados tiraram dúvidas sobre diversas ações e também sobre os efeitos para os aposentados com os ataques do governo.

Na ocasião, foi eleita a coordenação do NAF para o biênio 2019/2020. Arlene e íria foram escolhidas por aclamação para permanecer na coordenação, com a colega Maria Margarida Gomes de Melo e o colega Ari Heck na suplência.

Alternativas para o desmonte do Estado

A conjuntura atual e a reforma da Previdência foram tema de palestra proferida pela economista Marilane Oliveira Teixeira, doutora em Desenvolvimento Econômico e Social e pesquisadora do CESIT-Unicamp na área de Relações de Trabalho e Gênero. A economista destacou a escalada de ações do governo que visam ao desmonte do Estado, cenário que se reflete internacionalmente. Segundo ela, o capitalismo é um sistema volátil, inseguro, e assim como se gera o capital fictí­cio, também se destrói , acarretando sucessivas crises ao longo dos séculos XX e XXI: 1929, 1970 e 2008. No Brasil, chegamos a um Estado minimamente de proteção social, não um Estado de bem-estar social. Com a crise do último perí­odo, se tem cada vez mais as finanças controlando todo o sistema , alertou.

Considerando os acontecimentos recentes que colocaram a América Latina em convulsão, como a derrota do neoliberalismo na Argentina, o golpe da direita na Bolí­via, além dos protestos no Chile, Marilane lembrou que não há crescimento econômico sem investimento público. Ninguém vai investir em ampliar empregos e atividade produtiva se não tiver demanda. Só quem pode fazer isso é o Estado, porque ele é autônomo. Para fortalecer os Estados é preciso melhorar os tributos, como tributar os ricos , avaliou. Para a economista, o Brasil tem que demonstrar energia e ação polí­tica para reverter os retrocessos. Os nossos vizinhos estão mostrando isso. Temos que voltar a botar as pessoas nas ruas por valores e por motivos reais. O diagnóstico pode ser pessimista, mas temos que ser otimistas na ação .

Racismo estrutural no paí­s

O mês da Consciência Negra também foi tema de palestra no Encontro, com a presença de Lourdes Helena de Jesus da Rosa, aposentada do TRF4, bacharel em Ciências Polí­ticas e Sociais, estudiosa e pesquisadora da História da Etnia Negra no Brasil e no Rio Grande do Sul. A pesquisadora abordou primeiramente o racismo reproduzido nas produções artí­sticas brasileiras, em especial a obra de Monteiro Lobato, cuja revisão histórica vem sendo reivindicada pelo movimento negro. Os espaços televisivos também foram objeto de debate: As crianças e os adolescentes negros não se veem na TV. Quando se veem, é como reprodução de velhos estereótipos. Isso prejudica a formação da identidade dos negros e, ao mesmo tempo, constrói o racismo , explicou.

Lourdes também abordou a importância das cotas e defendeu a inserção da luta contra o racismo na agenda pública brasileira. A pesquisadora finalizou a palestra com o poema “Nem Casa-grande, nem Senzala”, que rebate a obra de Gilberto Freyre considerada uma das responsáveis pelo mito da democracia racial no paí­s.

A mesa também foi integrada pelo diretor do Sintrajufe/RS Mario Augusto Silva Marques, que afirmou ser necessária no Brasil uma segunda abolição , citando como consequências do racismo a população carcerária majoritariamente negra e a menor presença de negros nos espaços de poder. Durante o debate, diretora do Sintrajufe/RS Ana Naiara Malavolta destacou a importância de trazer temas como esse para espaços majoritariamente brancos, para falar para pessoas majoritariamente brancas. Essa dor dos negros, os causadores somos nós, brancos. Temos que virar essa chave , disse.

Expressão e ludicidade

A arte como expressão da interioridade humana foi o tema da terceira palestra do evento, com a presença da psicóloga Flora Bojunga Mattos, mestra em psicologia social e da personalidade, especialista em clí­nica hospitalar, psicoterapeuta de orientação analí­tica, fundadora e diretora do Espaço Arte-Ciência, em Porto Alegre.

O encontro seguiu com uma atividade lúdica coordenada por Elaine Regina, focalizadora das danças circulares, atriz bonequeira, mestra em Reabilitação e Inclusão, que atua na área de Arte e Educação Especial. Ela realizou exercí­cios de integração e expressão com as colegas e os colegas presentes.

Ao final, o Encontro foi encerrado com muita conversa e confraternização em meio a um coquetel oferecido pelo NAF.