O 20 de novembro, marcado como o Dia da Consciência Negra, chega, neste ano, em um momento de piora das condições de vida de toda a população trabalhadora no Brasil e, especialmente, das negras e dos negros. Nesta data, que rememora o assassinato de Zumbi dos Palmares em 1695, seguimos com a necessidade de afirmar a luta antirracista como única alternativa ao genocídio do povo negro e à crescente violência institucional e social.
Ano a ano, as estatísticas demonstram o racismo estrutural brasileiro, uma das colunas de sustentação do capitalismo e da exploração no país. As negras e os negros são minoria nas universidades, no serviço público e nos grandes cargos do setor privado, assim como na política. São, ao mesmo tempo, a maioria dos pobres, dos presos, dos assassinados. Os salários são menores, os empregos mais precários, situação agravada pelo desmonte geral dos direitos trabalhistas que vivemos atualmente.
Mas, além das estatísticas, somos bombardeados todos os dias com notícias que reforçam o ódio de alguns setores sociais contra os negros. A destruição, por um deputado do PSL, de uma placa que denunciava, na Câmara dos Deputados, o genocídio do povo negro, é mais um símbolo desse avanço da intolerância e o racismo. Para alguns, as vidas negras importam cada vez menos.
O Sintrajufe/RS tem se colocado no campo oposto. É papel de um sindicato combativo atuar nas diversas pautas que fazem parte da defesa da democracia, da diversidade e do respeito às diferenças e às chamadas minorias. A luta antirracista é uma dessas pautas urgentes, porque vidas negras importam, sim, e porque as perdemos todos os dias simplesmente por serem negras.
No Sintrajufe/RS, realizamos no dia 13 o debate “O servidor público no combate e na luta contra o racismo”, uma importante atividade para refletirmos sobre o papel de cada um nessa luta. O sindicato também apoiou a realização do 1º Fórum Aberto de Educação Antirracista do TRT4, que acontece nesta quinta, 21, bem como um debate relizado pelo TRE-RS nesta quarta.
Mas a luta antirracista não pode ser feita somente em novembro. Por isso, além das ações construídas pela direção do sindicato, estamos, juntamente com os negros e negras da categoria, construindo um novo núcleo na entidade, que atue de forma constante nas pautas do segmento e na luta antirracista. Diversas reuniões já aconteceram e a sequência desse processo irá gerar uma crescente inserção do Sintrajufe/RS e da categoria na luta antirracista, uma luta que precisa ser de todas e todos.
Como disse Angela Davis, “não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”. Hoje, ainda mais do que antes!









