SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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De olho nas manifestações populares no Chile, Bolsonaro aciona Forças Armadas

Em viagem à ásia, Jair Bolsonaro (PSL) deu declarações sobre a situação do Chile que devem servir de alerta aos defensores da democracia. O presidente ameaça utilizar as Forças Armadas contra possí­veis mobilizações populares no Brasil.

Há mais de duas semanas, a população chilena está nas ruas demonstrando sua indignação contra o governo de Sebastián Pií±era e contra o modelo econômico fundado no paí­s sob a ditadura de Augusto Pinochet, inspiração para as polí­ticas que Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, querem aplicar por aqui.

A repressão do governo Pií±era já deixou um saldo de 18 mortos e mais de dois mil presos até agora. Bolsonaro dá sinais que concorda com o caminho escolhido por Pií±era: “A gente se prepara para usar o artigo 142 da Constituição Federal, que é pela manutenção da lei e da ordem, caso eles (integrantes das Forças Armadas) venham a ser convocados por um dos três Poderes”, disse o presidente, que tem colocado cada vez mais militares em cargos de chefia ou assessoramento no governo.

Embora seja preocupante e grave do ponto de vista democrático, a posição de Bolsonaro não é surpreendente, dado seu histórico, e sua preocupação não é injustificada. Em menos de dez meses de governo, a popularidade do presidente ruiu e as crises polí­ticas, denúncias de fraudes e corrupção e dificuldades institucionais se acumulam. A insatisfação da população com as instituições e a deterioração das condições de vida (vide matéria sobre a precarização) só cresce e tende a aumentar conforme vão se consolidando os efeitos práticos das polí­ticas que já vinham sendo implementadas por Michel Temer (MDB) e que estão sendo aprofundadas por Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, o exemplo do Chile, do Equador e do Haiti, entre outros paí­ses onde o povo tem se levantado para questionar o mesmo tipo de polí­ticas, deve de fato preocupar o governo e servir de alerta aos movimentos sociais. Não faltam mensagens intimidatórias de generais. O ex-comandante do Exército Brasileiro e atual assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional Eduardo Villas Bôas não titubeou em tentar tutelar o Supremo Tribunal Federal: na véspera da sessão em que a Corte julga os ADCs 43, 44 e 54 que questionam a execução de pena após condenação em segunda instância, o militar da reserva afirmou que é preciso manter a energia que nos move em direção à paz social, sob pena de que o povo brasileiro venha a cair outra vez no desalento e na eventual convulsão social .

Histórico de autoritarismo e exaltação de ditaduras

É longo o histórico de demonstrações da falta de apego do governo Bolsonaro à democracia. Às vésperas da eleição em que se tornou presidente, no ano passado, chegou a afirmar que não aceitaria resultado eleitoral diferente de sua vitória. Suas declarações e ações exaltando ditadores e torturadores se acumulam ao longo dos anos: notório torturador e assassino, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra foi reiteradas vezes tratado como “herói” pelo presidente, inclusive quando o então deputado Bolsonaro votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Como deputado e agora como presidente, Bolsonaro também não se cansa de elogiar diretamente a ditadura brasileira, classificada por ele recentemente como “nota 10”. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo mostrou que, como deputado, Bolsonaro mencionou a ditadurasempre de forma elogiosaem um quarto de seus pronunciamentos na Câmara: isso ocorreu 252 vezes entre 2001 e 2018.

Em relação ao próprio Chile a trajetória de Bolsonaro não deixa dúvidas: já elogiou o ditador Augusto Pinochet, debochou do pai da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, assassinado pela ditadura, e, mais recentemente, disse que os protestos no paí­s têm origem no fim da ditadura de Pinochet, lamentando o fim do regime que matou, segundo dados oficiais, mais de 40 mil pessoas.