O Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentou, nesta semana, três relatórios que advertem para o risco de uma iminente de uma crise financeira global. Entre as recomendações para evitar esse cenário, o FMI, instituição comumente responsável pela aplicação de políticas econômicas neoliberais, admite: é preciso que os governos, em especial dos países “emergentes”, utilizem as finanças públicas para estimular a economia.
Conforme reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, os relatórios advertem que “dezenove trilhões de dólares poderão ficar impagáveis nos próximos dois ou três anos”, por conta da pressão a grandes devedores estimulada pela crise econômica que o mundo já atravessa. De acordo com o relato do jornal, há “risco de calote de vários grupos não financeiros” e a recuperação financeira iniciada após a crise de 2008 está se esgotando, enquanto emergem “vulnerabilidades financeiras”.
É bom lembrar que o que o Fundo chama de recuperação financeira se deu às custas de transferências de enormes quantias de recursos dos Estados para financiar os títulos tóxicos acelerando a ofensiva nos sistemas previdenciários e garantias trabalhistas em diversos países.
O diagnóstico levantado no relatório é de que os juros baixos nos países ricos, combinados com os juros excessivamente altos nos países emergentes, têm atraído, para estes, grandes fluxos de capitais e, ao mesmo tempo, o aumento do endividamentoa dívida externa mediana dos países emergentes passou do equivalente a 100% das exportações, em 2008, para 160%. As mesmas políticas “estimularam o endividamento público e privado, criaram ambiente favorável a operações arriscadas e ampliaram a vulnerabilidade a novos choques”, informa a matéria do Estado.
Em que pesem as especificidades econômicas locais, os relatórios advertem, como relata a reportagem, que “nenhum país estará livre de impactos, se o quadro global se agravar seriamente”. Nesse contexto, o chefe do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, Vítor Gaspar, recomendou “usar as finanças públicas para reanimar as economias e evitar uma freada mais forte”, nas suas palavras estímulos fiscais .
Portanto, para o FMI, a saída é abrir espaço para as isenções fiscais, conta que recai sobre os servidores e os que dependem dos serviços públicos. Estas são as mesmas políticas que levaram à rebelião do povo equatoriano, que acabou vitoriosa em sua pauta centralo retorno do subsídio aos combustíveisnesta semana.









