SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Reforma da Previdência de Bolsonaro é construí­da em cima de mentiras

A reforma da Previdência que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) vem tentando impôr aos brasileiros, e que aguarda votação no Plenário do Senado, avança envolta em uma série de mentiras apresentadas pelos poderosos para enganar e retirar direitos dos trabalhadores. A farsa do déficit da Previdência é uma dessas mentiras, talvez a mais conhecida, mas não a única.

Em reportagem nesta semana, a revista Carta Capital destrinchou as planilhas obtidas depois de muita dificuldade (retrato da falta de transparência) nas quais o governo detalha diversos aspectos da proposta de reforma. Na reportagem, a revista explica que as planilhas manipulavam diversas contas, como por exemplo “inflava o déficit ao descartar as contribuições empresariais acima do teto até R$ 11700,00”. como lembra a matéria, “são estas as contas que ilustram as apresentações enganosas feitas por representantes do governo desde abril”.

Como mostram as planilhas, conforme a Carta Capital, “o trabalhador mais pobre pós-reforma continuará recebendo salário mí­nimo, mas precisará contribuir cinco anos a mais, ou 33% a mais. Para salários superiores ao piso, o desconto do salário para a aposentadoria com a reforma, será, na condição mí­nima de 15 a 20 anos de contribuição, de 40%. Hoje é de apenas 15% para 15 anos de contribuição e de apenas 10% para 20 anos de contribuição. Ou seja, o subsí­dio para os pobres pós-reforma será muito menor, e não maior como alegam os cálculos do governo. É exatamente este corte no valor da aposentadoria que jogará milhões de famí­lias na pobreza”.

Franceses reagem com greve a proposta de reforma da Previdência de Macron

Na França, como no Brasil, o governo tenta atacar a aposentadoria dos trabalhadores como caminho para a manutenção e expansão dos lucros dos mais ricos. Nesta sexta-feira, 13, em meio a essas ameaças, Paris amanheceu em luta. Como resposta a uma proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo de Emmanuel Macron, os trabalhadores dos transportes públicos da capital francesa estão em greve e geraram uma bola de neve de paralisação da produção e da circulação dos demais trabalhadores nesta sexta. A greve é realizada pelos trabalhadores dos metrôs e dos ônibus e deve ser seguida, a partir de segunda-feira, também por outras categorias.

Foto: AFP

Conforme o jornal francês Le Parisien, dez das 16 linhas do metrô de Paris estavam fechadas e as demais saturadas na manhã desta sexta. Além disso, os ônibus circulavam em número reduzido e, nos arredores de Paris, havia mais de 235 quilômetros de congestionamentos. Um iní­cio de resposta dos trabalhadores à proposta do governo de criação do que chama de um “sistema universal” de Previdência, que desconsidera as particularidades das profissões, ignorando, por exemplo, os trabalhos com periculosidade.

Trata-se da maior greve do setor de transportes na França nos últimos 12 anos. Em 2007, o ex-presidente Nicolas Sarkozy também apresentou um projeto de reforma da Previdência, que acabou aumentando a idade de aposentadoria da maioria dos servidores públicos franceses.

Os ataques à Previdência social não são um “fenômeno” brasileiro. O abalo global da economia em 2008, cujas causas ainda estão vivas nos mercados, levou diversos governos dos mais variados espectros polí­ticos a buscarem nos recursos das aposentadorias dos trabalhadores o remédio para a crise. Bilhões de dólares foram drenados dos cofres públicos sem com isso resolver o problema: não faltam economistas para alertar sobre uma nova crise igual ou maior que há pouco mais de dez anos.