SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Fenajufe participa de oficina sobre a qualidade da saúde dos servidores do Judiciário durante seminário no CNJ

Em busca de ampliar e fortalecer o debate sobre a qualidade da saúde dos servidores do Judiciário Federal e do MPU, a Fenajufe participou das atividades do segundo dia do Seminário Nacional sobre a Saúde dos Magistrados e Servidores do Poder Judiciário, no dia 5 de setembro. O evento foi realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio do Comitê Gestor Nacional de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores do Poder Judiciário.

Representaram a Fenajufe as coordenadoras Lucena Pacheco e Juscileide Kliemaschewsk e os coordenadores Cristiano Moreira, Edson Borowski (também diretor do Sintrajufe/RS), Isaac Lima, Fernando Freitas, Roniel Andrade e Thiago Duarte. Estiveram presentes também dirigentes dos sindicatos da base da federação.

No encontro, o coordenador de Saúde e Previdência da Fenajud, Guilherme Peres, apresentou a Pesquisa Nacional de Saúde “Sofrimento e adoecimento no trabalho do judiciário e MPU”. O estudo, organizado pela Fenajufe e Fenajud, é uma parceria com o Grupo de Estudos e Práticas em Clí­nicas, Saúde e Trabalho (Gepsat) e com o Laboratório de Psicodinâmica e Clí­nica do Trabalho (LPCT) da Universidade de Brasí­lia (UnB).

A pesquisa analisou os dados de 1.397 trabalhadoras e trabalhadores das Justiças Federais e Estaduais brasileiras e retrata a qualidade de saúde – fí­sica e psicológica – levando em consideração indicadores como organização do trabalho, modelos de gestão, sofrimento e danos fí­sicos, psicológicos e sociais, que são a causa do adoecimento pelo trabalho. Foi utilizada uma delimitação quantitativa e qualitativa através do Protocolo de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho (Proart).

Assédio moral

Destacam-se na pesquisa e causam preocupação os relatos de violência e assédio moral, reflexos de uma estrutura de gestão do trabalho individualizada e verticalizada. O assunto foi amplamente destacado na intervenção dos dirigentes da Fenajufe. Foi destacada a preocupação de que os servidores tenham clareza do que é a violência no espaço de trabalho e, assim, consigam ajuda e acolhimento.

Saúde mental

Na quarta-feira, 4, primeiro dia do seminário, a professora da UnB Ana Magnólia destacou alguns dados de sua pesquisa, que apontou um número crescente de suicí­dios no ambiente de trabalho ou motivados por problemas relacionados ao trabalho. De acordo com ela, o sofrimento é uma das principais questões apontadas pelos mais de 6 mil servidores que participaram do levantamento.

O modelo gerencialista aplicado aos ambientes de trabalho tem sido um fator preocupante, pois registra uma desumanização no trato dos servidores e a aplicação de metas exageradas. De acordo com a pesquisa, 71% dos trabalhadores sofrem de esgotamento mental e 45% relataram tristeza e vontade de desistir de tudo.

De acordo com Ana Magnólia, o medo é o principal sintoma citado: medo de errar, de ser excluí­do porque errou, de ser chamado de incompetente e de ser punido. Além disso, as relações de confiança estão quebradas e o assédio moral é um dos principais causadores desse quadro.

O conselheiro Valtércio Oliveira mediou a mesa e compartilhou sua experiência com assédio moral, quando foi servidor. Ele relatou que tinha sentimentos de perseguição e teve sequelas fí­sicas decorrentes do estresse vivido. Para o conselheiro, reforçar que seja mantido um clima de amorosidade nas varas, seções e tribunais.

Encaminhamentos

Os encaminhamentos sugeridos foram divididos em quatro tópicos: assédio moral; comitê gestor de saúde; gestão de pessoas; e qualificação.

Assédio moral

Modelo de intervenção além das cartilhas; prevenção do assédio moral; preservação da ví­tima; espaços de fala.

Comitê gestor de saúde

Implementação do Comitê Gestor de Saúde; efetividade; comissões mais paritáriasdemocratização; independência do Comitê de Gestão de Pessoas; lócus organizacional; periodicidade de reuniões; especialidade do segmento eleitoral e que os comitês possam ser mais propositivos e multidisciplinares.

Gestão de pessoas

Destaque para a falta de profissionais de saúde; equipes multidisciplinares; melhores práticas de gestão de pessoas e liberdade para movimentação e reconhecimento; teletrabalhoatenção para evitar isolamento; olhar especial para os oficiais de justiça.

Qualificação

Formação continuada; ao menos uma ou duas pessoas do Comitê com conhecimento em saúde e assédio moral; cursos que reúnam servidores e magistrados; maior preparo dos magistrados para serem gestores de pessoas.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Fenajufe.