SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Governo aprova PEC da Previdência na CCJ com dados sob sigilo e sob protestos; Sintrajufe/RS acompanhou sessão e segue pressão sobre parlamentares

Sob protestos de deputados da oposição, a base governista aprovou a admissibilidade da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara mesmo com os dados e estudos sobre os impactos financeiros da proposta estando sob sigilo, decretado pelo ministério da Economia.

A PEC 6 teve 48 votos favoráveis e 18 votos contrários, numa votação que ocorreu por volta das 23h30min da terça-feira, 23. A sessão na CCJ durou cerca de nove horas e transcorreu com o local isolado de representantes da sociedade civil. O diretor do Sintrajufe/RS Rafael Scherer está em Brasí­lia nesta semana conversando com parlamentares sobre a necessidade de barrar a reforma e acompanhou a sessão da Comissão: “Mesmo escondendo os estudos que embasaram a reforma, o governo venceu a primeira batalha, e a proposta segue para a Comissão Especial. Mas houve muita resistência. Geralmente nesta fase de tramitação da proposta, a aprovação é rápida, sem modificações. Desta vez o governo teve que recuar em quatro pontos e levou semanas para conseguir votar, o que indica dificuldades de articulação”, comenta Rafael. A presença do diretor em Brasí­lia é parte de uma deliberação do Sintrajufe/RS de manter, durante toda a tramitação da reforma, atividades na capital federal para pressionar os parlamentares.

Deputados contrários à reforma afirmaram que vão entrar com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para tentar anular a decisão. Alegam que a matéria não poderia ter sido votada porque havia um requerimento na Mesa Diretora da Câmara, com a assinatura de 105 deputados, pela suspensão da tramitação do texto por 20 dias.

O mecanismo para suspender proposituras legislativas que não contenham a previsão de possí­veis impactos financeiros nas contas públicas foi introduzido na Constituição Federal pela Emenda 95, que congela as despesas primárias do orçamento da União até 2036. Inicialmente, quando a oposição ainda não contava com um quinto dos deputados assinando o requerimento, o presidente da CCJ, Felipe Francischine (PSL-PR), chegou a admitir essa previsão constitucional. Depois, porém, disse que qualquer medida caberia ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que estava presente à sessão, mas não se manifestou.

Falta de transparência

Os estudos referentes à Proposta de Emenda à Constituição da Previdência (PEC-6) estão sob sigilo decretado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), revelou o jornal Folha de S. Paulo, no sábado, 20. O pedido do jornal para consultar tais dados, com base na Lei de Acesso à Informação, foi negado tendo como justificativa o sigilo imposto a esses documentos e que a sua divulgação poderia afetar os mercados e dificultar a tramitação da matéria.

Pesquisadores não alinhados ao governo alertam que os custos para transição do atual modelo de repartição, na qual uma geração sustenta a seguinte, para o de capitalização tende a ser muito alto. O governo reconhece que haverá esse impacto, mas não diz de quanto e nem apresentou estudos atuariais referentes a isso. O presidente da Câmara disse que recebeu a promessa do ministério da Economia de que os dados secretos serão remetidos à Casa na quinta-feira, 25. É nesta data que Rodrigo Maia disse pretender instalar a comissão especial que analisará a proposta de emenda constitucional que muda radicalmente a Previdência Social no Brasil.

Para conseguir aprovar a admissibilidade da PEC na CCJ, o governo de Jair Bolsonaro teve que negociar com os partidos do Centrão e fazer o que disse que não faria: alterar alguns pontos do conteúdo já na CCJ e negociar cargos em troca do apoio. Quatro aspectos foram considerados inadmitidos em voto complementar do relator, Marcelo Freitas (PSL-MG): extinção do foro do Distrito Federal para a propositura de ações contra a União; fim do pagamento da indenização compensatória e o do fundo de garantia do tempo de serviço (FGTS) no momento da aposentadoria; exclusividade do Poder Executivo de propor mudanças na aposentadoria dos servidores públicos; definição da idade para aposentadoria compulsória do servidor público por meio de lei complementar.

Para o diretor do Sintrajufe/RS Rafael Scherer, as mudanças “não amenizaram em nada o crime que representa essa “reforma”. Os principais pontos restaram inalterados, como o sistema de capitalização, que acaba com a previdência pública no Brasil e joga os aposentados à própria sorte”.

Mobilização para derrotar reforma

Movimentos contrários à PEC 6, apontada como o fim da Previdência Social no Brasil, planejam intensificar as mobilizações de rua para tentar deter a proposta. Manifestações já estavam programadas para acontecer em várias cidades nesta quarta-feira, 24, convocadas por setores ligados à educação pública, mas também incorporadas às atividades de outros segmentos sindicais e sociais.

Os tradicionais atos do 1° de Maio, convocados pelas centrais sindicais, devem ser unificados e também terão como eixo principal a defesa do direito à aposentadoria. Discute-se, ainda, a convocação de uma greve geral que pare o paí­s em maio. A luta contra a reforma proposta pelo presidente Jair Bolsonaro é ainda um dos temas centrais do X Congrejufe, o congresso organizado pela Fenajufe, que começa no dia 27 de abril, em águas de Lindóia, no Estado de São Paulo.

O diretor Rafael Scherer acredita na possibilidade de derrotar a reforma, desde que haja mobilização: “A guerra está aberta. Segundo o Datafolha, a maioria dos brasileiros já é contrária a essa reforma da previdência. A tramitação na Câmara e no Senado durará meses, e, à medida que os debates avançam, o esclarecimento da população tende a aumentar ainda mais a rejeição a essa proposta. Agora é seguir fazendo nossa parte nas ruas, nas redes sociais e na pressão direta nos parlamentares. Rumo à greve geral!”.

Veja abaixo como votaram os deputados do Rio Grande do Sul que fazem parte da CCJ:

Votaram SIM (contra os trabalhadores)

Alceu Moreira (MDB)

Darcí­sio Perondi (MDB)

Giovani Cherini (PR)

Maurí­cio Dziedricki (PTB)

Marcio Biolchi (MDB)

Votaram NÃO (a favor dos trabalhadores)

Afonso Motta (PDT)

Maria do Rosário (PT)

Com LutaFenajufe Notí­cias (Hélcio Duarte Filho).