SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Ato unificado contra a reforma da Previdência mobiliza centenas no Centro de Porto Alegre

Nessa quinta-feira, 14, foi realizado na Esquina Democrática, em Porto Alegre, novo ato contra a reforma da Previdência anunciada pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). O Sintrajufe/RS participou da atividade, que contou com a presença de diretores do sindicato e colegas do Judiciário Federal. A atividade foi convocada por oito centrais sindicais.

O ato público foi uma demonstração de unidade e representatividade. Além de diversas entidades sindicais de categorias do serviço público (esferas federal, estadual e municipal) e da iniciativa privada, estavam presentes representantes do movimento social e popular, como mulheres, juventude, antirracistas, LGBTs e parlamentares. Nas falas, todos mostraram disposição para tomar as ruas contra a reforma, e diversos manifestantes falaram sobre a necessidade de construção de uma grande greve geral. Foi ressaltado que, segundo anúncio da equipe do governo, a reforma de Bolsonaro deve ser pior que a proposta por Michel Temer (MDB), a transição será reduzida de 20 para apenas 12 anos. Além disso, deve estabelecer idade mí­nima para aposentadoria de 62 anos para mulheres e 65 para homens, além de 40 anos de contribuição para que o trabalhador receba 100% do benefí­cio.

Vários manifestantes lembraram que o modelo seguido pelo governo é o mesmo que não deu certo no Chile, onde há um grande número de idosos em situação de miserabilidade, que os leva até mesmo ao suicí­dio. Em muitas falas, foi citada a CPI da Previdência, que demonstrou, com dados oficiais, que não há déficit na Previdência, mas má gestão dos sucessivos governos, que retiram dinheiro do sistema para utilização em projetos e interesses próprios e proteção de empresas devedoras. Os manifestantes denunciaram, ainda, a intenção do governo de acabar com o sistema previdenciário atual, garantido na Constituição Federal e pautado pela solidariedade, por outro, de capitalização, que utiliza a aposentadoria e o futuro dos brasileiros para beneficiar banqueiros e a especulação financeira. Foi reforçado que, desde 2016, há uma sucessão de iniciativas para retirar direitos históricos dos trabalhadores, como a terceirização irrestrita e a reforma trabalhista.

 Representando o Sintrajufe/RS, o diretor Rafael Scherer afirmou que no momento, o Brasil vive uma inversão de valores , em que parece que se tem vergonha de ser trabalhador, almejar chegar à aposentadoria e querer respeito aos direitos. Ele ressaltou que os ataques não são isolados, como mostra a tentativa de extinção da Justiça do Trabalho. O dirigente disse que o modelo que o governo Bolsonaro quer aplicar no Brasil, com regime de capitalização, foi uma tragédia no Chile e criticou duramente a proposta de reduzir para menos de um salário mí­nimo o valor do Benefí­cio de Prestação Continuada (BPC), que atende idosos e pessoas com deficiência em condições de miserabilidade. Ao citar o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que afirmou em entrevista que qualquer um pode trabalhar até os 80 anos, Rafael ressaltou que Maia, que nunca trabalhou na vida , exemplifica os que querem retirar direitos dos trabalhadores enquanto sempre viveram de explorar o Estado. Para o diretor, o momento é de unidade para a construção de uma grande greve geral para barrar a reforma da Previdência.
 
Esse foi o segundo ato em defesa da Previdência neste ano; o anterior ocorreu em 24 de janeiro. No dia 27, ocorrerá uma plenária de mobilização do Fórum Gaúcho em Defesa da Previdência, do qual o Sintrajufe/RS é um dos integrantes, no auditório do Cpers (avenida Alberto Bins, 480), às 18h.